segunda-feira, 30 de maio de 2016

A americanofilia neoconservadora e sionista da família Bolsonaro.


Foto 1 - As figuras que certos políticos tupiniquins querem imitar.

Por Lucas Novaes

Ultimamente tenho feito um esforço enorme para não tocar no nome de certos políticos (entre eles, o do deputado Jair Bolsonaro e de seus filhos). Considero que divulgar nomes de tal estirpe, mesmo que em tons negativos, não é um ato saudável pois acaba servindo para dar continuidade a retroalimentação midiática que colocou certas pessoas no lugar em que hoje estão. Apesar disso, acredito que o artigo "Por que nacionalistas não devem apoiar Bolsonaro: a verdade sobre o deputado", publicado no dia 07 de março de 2016 neste mesmo blog, não foi um escrito definitivo sobre a vileza que tal deputado e seus congêneres representam para o Brasil. Em particular, desejo tocar no seguinte tópico: o neoconservadorismo sionista da família Bolsonaro.
O modus operandi da ideologia dos políticos em questão já não é mais tão obscuro quanto se convencionou achar nos anos 1990. O ranço autoritário e estatista presente em Jair Bolsonaro por meio de seus discursos mais antigos foi severamente modificado. O estatismo já foi eliminado quase que por completo na medida em que Bolsonaro passou a aderir ao discurso liberal de defesa da privatização dos setores estratégicos nacionais (Petrobras, especialmente). E isso aconteceu por causa do ranço anti-governista que assola o deputado fluminense. Ao invés de lutar por um estado presente na vida do cidadão e expulsar, por meio de disputas internas, os supostos comunistas do Partido dos Trabalhadores da gerência dos principais órgãos governamentais do país, o político carioca se rende ao covarde discurso da privatização. Discurso esse que está na moda entre a parcela mais ingênua e pacóvia dos jovens brasileiros e é promovido por organizações como o Movimento Brasil Livre e o Instituto Mises Brasil.
Definitivamente, Jair Bolsonaro não é um fascista. Antes fosse, pois mesmo com seus inúmeros defeitos e discursos xenófobos equivocados, poderia fazer algo em favor dos brasileiros e da melhora na vida da classe trabalhadora, como fez Mussolini na Itália dos anos 1930 e também Getúlio Vargas no mesmo período. A xenofobia de Bolsonaro é uma mera reprodução do direitismo neocon primeiro-mundista presente nos Estados Unidos e na Europa. Ele intitula os imigrantes haitianos e árabes de "escória do mundo" e considera os europeus e estadunidenses o modelo ideal a ser seguido, temido e obedecido. Estamos falando da mesma pessoa que, em discurso na câmara dos deputados, falou sobre "preferir Obama lendo seus e-mails do que Dilma Rousseff", da mesma pessoa que disse (em tom de desprezo pela nação) que os brasileiros "devem reconhecer seu local" na política externa e que seus maiores parceiros devem ser os Estados Unidos e Israel (e nisso Bolsonaro se iguala a figuras como os políticos tucanos José Serra e Aécio Neves). É por esses e outros motivos que o deputado fluminense nada mais é do que um liberal de direita, como brilhantemente esclareceu Eduardo Consolo dos Santos no texto "A real natureza político-ideológica de Jair Bolsonaro.", publicado neste mesmo blog. Ele é alguém que, caso morasse nos EUA, seria adepto do Partido Republicano e defenderia o individualismo e o elitismo, assim como faz no território tupiniquim (a defesa do individualismo e da ordem elitista é outro ponto de convergência de Bolsonaro com o tucanato).

Foto 2 - A demagogia neoconservadora e sionista chega ao Brasil
Todos os fatos acima mencionados já eram de conhecimento geral e ressonavam por meio dos textos do Resistência Terceiro-Mundista. Mas alguns eventos recentes se mostraram dignos de comentários adicionais. Um deles foi o recente ato pró-Bolsonaro na Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro, no qual constavam os principais membros da família reunidos. Enquanto discursava, Bolsonaro Pai estendia bandeiras de Israel e mostrava mais uma vez sua inequívoca fidelidade ao sionismo. O político do Partido Social Cristão já chegou a discutir o conflito Israel-Palestina com a deputada Jandira Feghali, do PCdoB. Na ocasião, o deputado do PSC proliferou as lorotas atlantistas de sempre: o estado da Palestina é o "terrorista" da história, mesmo que seus atos sejam apenas uma reação de quem teve sua dignidade aniquilada por décadas de políticas imperialistas. Enquanto o futuro de Dilma Rousseff na presidência da nação era decidido no Senado, Jair Bolsonaro estava em Israel, no meio de uma viagem e, durante a mesma, foi batizado nas águas do Rio Jordão pelo seu colega de partido, o Pastor Everaldo. A conversão de Bolsonaro ao protestantismo no estado de Israel ratifica, de uma vez por todas, as conexões neoconservadoras do deputado. O catolicismo no Brasil é uma religião em franca decadência quando se trata de influência cultural e, principalmente, eleitoral. Não existe um bloco católico forte e organizado no congresso com intenções de interferir firmemente na política nacional. Em contrapartida, o protestantismo está em plena ascensão, podendo se tornar a religião dominante em poucas décadas. 
O discurso moralista (no pior sentido da palavra) de grande parte das denominações protestantes, aliadas ao favorecimento da Teoria da Prosperidade em detrimento da Teologia da Libertação é uma peça chave no tabuleiro político brasileiro. Não espere por um comprometimento espiritual e moral real para com a religião vindo dos deputados dos quais estou falando. Tudo não passa de um pragmatismo eleitoral, uma estratégia feita na medida para fomentar o avanço de uma mudança cultural que favoreça os ideais de livre mercado. O pseudo-conservadorismo dos políticos direitistas rapidamente se mostra uma farsa quando suas propostas são aplicadas na prática: Os Estados Unidos da América são o maior produtor de pornografia do mundo. A terra do Tio Sam também é o país da libertinagem e do escárnio ás crenças religiosas (situação essa incentivada por uma cultura onde a vontade individual impera sobre os interesses coletivos). Ademais, a Europa (em particular, suas porções Ocidental e Setentrional) é pioneira quando se trata de Ideologia de Gênero e outras inutilidades ideológicas. Em países como a Alemanha e a Inglaterra, cidadãos podem ser perseguidos pelo estado e até mesmo presos por manifestarem opiniões favoráveis ao modelo de família tradicional. Por que os conservadores brasileiros continuam achando que esses países devem servir de exemplo para nós? Muitos deles culparão diferentes grupos pelo que ocorre em tais países: os Democratas (no caso dos Republicanos), os comunistas, os socialistas, os judeus. Está claro, entretanto, que a ideologia liberal e suas implicações filosóficos são a causa central. Qualquer grupo etno-político-religioso pode ou não seguir tais caminhos. Essa é uma verdade incômoda para a nossa classe conservadora (representada pela família Bolsonaro). O anticomunismo irracional foi e continua sendo munição retórica para a defesa dos interesses mais antipopulares que existem: a perseguição aos sindicatos, o ataque aos programas sociais e, mais recentemente, a tentativa de proibir os professores de manifestar opiniões pessoais em sala de aula.


Foto 3 - Pouco importa a adesão de décadas ao catolicismo. O importante é seguir as tendências culturais do momento.
A cereja do bolo nesse mar de imbecilidades patrocinadas pela família Bolsonaro é a tentativa de um de um de seus membros, o deputado federal pelo estado de São Paulo, Eduardo Bolsonaro, de criminalizar o comunismo no território brasileiro. Estou falando da PL 5358/2016, que altera a redação da Lei nº 7.716 de 5 de janeiro de 1989, que trata dos crimes de preconceito de raça ou de cor e da Lei nº 13.260, que tipifica o crime de terrorismo - de 16 de março de 2016, para "criminalizar a apologia ao comunismo". O raciocínio utilizado por Eduardo não é novo: se o Nazismo é proibido, por que o comunismo, que matou XX milhões, não é também? O que mais me deixa indignado é o fato de que tal proposta foi apoiada por milhares de seguidores, sempre irracionais, do deputado. Eu pensava que os Bolsonaros ao menos seriam defensores da liberdade de expressão irrestrita devido aos ataques que sofrem por suas opiniões polêmicas. A defesa de qualquer ideologia, seja de extrema esquerda ou de extrema direita, seja violenta ou pacifista, não deve ser proibida pelo aparato estatal e capitalista que temos, pois o mesmo está interessado em frear qualquer movimento visto como uma ameaça à ordem vigente. A limitação da liberdade de expressão é um erro que mesmo muitos esquerdistas cometem ao apoiá-la. O estado que busca criminalizar opiniões "preconceituosas" defendido pelo PT é o mesmo que aplicou nele um golpe contra o seu "projeto de poder bolivariano" com justificativas bizarras de deputados que acreditavam que os petistas estavam tentando "destruir a família".
Deixa-se claro, aqui, que a imbecilidade política não é exclusividade da família Bolsonaro. Porém, esta é a principal disseminadora de ideais danosas ao nosso país.
Referências:
https://www.youtube.com/watch?v=ehyDH0hFAbM
http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/07/bolsonaro-elogia-israel-e-pede-desculpas-por-posicionamento-brasil.html
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2016/05/grupo-faz-ato-em-frente-casa-de-jair-bolsonaro-na-zona-oeste-do-rio.html
http://extra.globo.com/noticias/brasil/enquanto-votacao-do-impeachment-acontecia-bolsonaro-era-batizado-em-israel-19287802.html
http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/catolicos-serao-ultrapassados-por-evangelicos-ate-2040
https://pando.com/2013/08/05/infographic-what-countries-host-the-most-porn/
https://www.lifesitenews.com/news/u.s.-street-preacher-arrested-in-london-for-using-homophobic-language
http://www.ebc.com.br/noticias/politica/2016/05/eduardo-bolsonaro-apresenta-projeto-de-lei-que-criminaliza-apologia-ao
https://padrepauloricardo.org/blog/pais-sao-presos-por-nao-aceitarem-ideologia-de-genero
http://www.ebc.com.br/noticias/politica/2016/05/eduardo-bolsonaro-apresenta-projeto-de-lei-que-criminaliza-apologia-ao
http://www.brasilpost.com.br/2016/05/26/bolsonaro-comunismo_n_10145932.html

http://www.gazetadopovo.com.br/blogs/bad-bad-server/bolsonaro-e-batizado-no-rio-jordao-por-pastor-everaldo-e-rende-piadas-na-internet-assista/

2 comentários:

  1. Tentar proibir o comunismo ao exemplo do nazismo foi um achado, sua ingenuidade ñ deixa ver que isso gerou debate justamente pelos crimes do comunismo, afinal msm raso, o argumento: Matou mais serve para discussão sim, ainda mais entre jovens que mal leram sobre comunismo, como isso ñ vai virar lei msm, a questão era polemizar e levantar o tema e sobre sua colocação sobre Israel, gostando vc ou ñ, querendo varrer Israel do mapa ou ñ, Israel é uma democracia pujante, unica em todo Oriente médio a respeitar minorias, inclusives os árabes que trabalham e moram lá, um país que nasceu e permanece na ameaça de ser (talvez como vc sonhe) de ser exterminado, mas santos e bonzinhos deve ser os anjinhos do Hamas que usavam até escolas como ponto de arsenal de bombas.

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  2. Bolsonaro só fala o que o povo quer orvir.

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