Foto – Brasileiras fazendo o L em Varsóvia.
Em regiões do interior do Brasil como o Pantanal e o
Cerrado, os vaqueiros locais, quando precisam atravessar um rio infestado de
piranhas, sacrificam um boi velho ou doente para ser devorado pelas piranhas ao
mesmo tempo em que o resto do rebanho atravessa o rio ileso. Disso surgiu a
expressão boi de piranha, muito usada para se referir a um indivíduo que em
determinada situação é escolhido para levar a culpa pelo erro de todo um grupo
e/ou blindar figuras mais importantes. Essa é a manobra que, no presente
momento, está sendo feita com Keffe D em relação ao assassinato de Tupac
Shakur, ocorrido em 1996, e que foi feita com o Doutor Conrad Murray no caso da
morte de Michael Jackson, ocorrida em 2009.
E a coisa não para por aí – o que hoje é feito na Europa
oriental por meio das leis de proibição do nazismo e do comunismo, a mesma lei
que Tarczyński usou para justificar uma eventual deportação das duas
brasileiras da Polônia, é precisamente isso: sacrificam Hitler, Goebbels,
Göring, Rudolf Hess, Alfred Rosenberg e companhia limitada às piranhas, ao
mesmo tempo em que aqueles que flertaram e colaboraram com Hitler tanto antes
quanto durante a guerra atravessam o rio ilesos.
Em outras palavras, essas leis nada mais são que mecanismos
de blindagem. No caso específico da Polônia, proíbe-se nazismo e comunismo para
blindar a já citada Segunda República Polonesa. A mesma Segunda República
Polonesa, existente entre 1918 a 1939, que, entre outras coisas, conchavou com
Hitler, fez acordo de não-agressão com o Terceiro Reich ainda em 1934 (ou seja,
meia década antes do acordo Molotov-Ribbentrop) e em 1938 participou da
partilha da Tchecoslováquia, tomando para si a região de Zaolzie (área
fronteiriça entre a Polônia e a atual República Tcheca, em disputa entre os
dois países à época). E que Churchill classificou como a hiena sedenta da
Europa.
E a coisa não para por ai – o mesmo Partido Lei e Justiça
que hoje pede a expulsão das duas brasileiras por suposta apologia do comunismo
promoveu a controversa reabilitação de grupos armados ultranacionalistas que
flertaram abertamente com a Alemanha nazista no final da guerra, como é o caso
da brigada Świętokrzyska (fração das Forças Armadas Nacionais, de orientação
ultranacionalista e abertamente anti-semita), que combateu os partisans
comunistas e assinou um pacto de não-agressão e trégua com as forças alemãs em
1944, tendo recebido suprimentos da Wehrmacht para recuar com eles diante do
avanço soviético. Em 2018, o então primeiro-ministro do PiS, Mateusz Morawiecki [1],
chocou a comunidade internacional ao visitar formalmente e depositar flores nos
túmulos dos combatentes dessa brigada em Munique, tratando-a como uma unidade
que colaborou taticamente com os nazistas como “heróis nacionais”.
Nos países bálticos, blinda-se os regimes filo-fascistas que
lá existiam antes de 1940, tais como o regime de Antanas Smetona na Lituânia, o
regime de Karlis Ulmanis na Letônia e o regime de Konstantin Päts na Estônia, e
ao mesmo tempo colaboradores de nazistas (os quais chegaram a formar legiões de
voluntários dentro da Waffen SS) como o lituano Jonas Noreika e os irmãos da
floresta são alçados à condição de heróis nacionais. Na Estônia e na Letônia,
periódicos desfiles de veteranos das divisões locais da Waffen SS ocorrem, vide
o caso da “Marcha dos Veteranos La Legião Letã” que ocorre anualmente em 16 de
março no centro de Riga.
Na Ucrânia, a mesma Ucrânia que desde a queda de Janukovič
em 2014 e o golpe do Euromaidan vem promovendo limpeza étnica de sua população
étnica russa do leste e do sul (em especial no Donbass), figuras como Stepan
Bandera, Andrij Melnik e Roman Šukhevič passam a ser glorificados como heróis
da nação a partir da Revolução Laranja de 2004. Figuras essas que colaboraram
com os nazistas na guerra e após a guerra fugiram em massa ao Ocidente, em
especial para a Alemanha e o Canadá.
Sobre a Ucrânia, um parêntese – lembro-me de ter visto certa
vez um vídeo do Lorenzo Lazzarotto, do canal História e Fé Católica, em que
fala sobre os mártires greco-católicos das repressões soviéticas. Só que há uma
parte da história que não é citada: ele fala de um jeito como se Bandera, Melnik,
Šukhevič, OUN-UPA, o movimento nacionalista ucraniano, massacre da Igreja de
Khatyn, a luta do poder soviético contra os últimos remanescentes da OUN-UPA e
grupos afins nas florestas galicianas que se estendeu até os anos 1950, nada
disso tivesse existido. Como se setores importantes do clero greco-católico ucraniano
também não estivessem envolvidos com o movimento colaboracionista ucraniano com
os nazistas até o pescoço.
Em 2018, a Polônia sancionou uma lei por meio da qual qualquer um que ouse falar a respeito, por exemplo, que no Holocausto houve colaboradores poloneses que ajudaram a entregar e a caçar os judeus, em episódios como o pogrom de Jedwabne (ocorrido em 10 de julho de 1941 na aldeia de mesmo nome), é submetido a três anos de sanções legais. E todos nós sabemos que, sem toda a rede de colaboradores locais que os nazistas arregimentaram ao longo da guerra tanto no leste quanto no oeste e no norte, o holocausto não teria sido possível na escala em que aconteceu.
O fato é que quando se vai falar, por exemplo, no fenômeno nazi-fascista,
a tendência é falar praticamente só da Itália de Mussolini, da Alemanha de
Hitler e, quando muito, do Japão militarista da era Šowa inicial (1925 – 1989).
Ou seja, das principais potências do bloco do Eixo. Sendo que na mesma época
haviam outros regimes autoritários no Leste Europeu que se formaram no período entreguerras,
como as já citadas Segunda República Polonesa e os regimes fascistóides dos
países bálticos. Todos eles na área designada pela Inglaterra e pela França
como o Cordão Sanitário de contenção da União Soviética ainda no período
entreguerras (1918 – 1939).
E o próprio bloco do eixo também tinha suas potências
menores. Como é o caso da Hungria de Miklós Horthy, da Croácia de Ante Paveliċ [2],
da Romênia de Ion Antonescu, da Eslováquia do padre Jozef Tizo e da Finlândia
de Mannerheim. Tanto que quando o Brasil declarou guerra ao Eixo, em 1942, rompeu
relações com esses países todos.
E a coisa não para por aí – quando a Alemanha nazista
iniciou seu avanço pela Europa, ela foi arregimentando colaboradores por onde
passava. Regimes colaboracionistas surgiram, como o de Vichy na França encabeçado
pelo general Pétain e o de Vidkun Quisling na Noruega. Legiões de voluntários
franceses, holandeses, belgas, noruegueses, dinamarqueses, espanhóis, gregos,
eslovenos, bósnios, sérvios e croatas surgiram dentro das fileiras da Waffen SS,
tais como a Divisão Charlemagne (os últimos soldados que defenderam a
chancelaria do Reichstag eram dessa divisão) e a Divisão Wiking.
Quando a Alemanha nazista invadiu a União Soviética (a qual
antes mesmo do início da guerra na Europa travou escaramuças fronteiriças com o
Japão no Extremo Oriente nas quais saiu-se vitoriosa) em 1941 por meio da
Operação Barbarossa, ela não fez isso sozinha. Também contou com o apoio de
Hungria, Croácia, Eslováquia, Romênia, Itália e Finlândia mais legiões diversas
de colaboradores recrutadas na Europa ocidental e na Península Balcânica.
Tanto é que em pôsteres de propaganda de recrutamento, a
Operação Barbarossa era apresentada como o levante da Europa unida contra o
chamado “bolchevismo judaico” e como uma cruzada, fazendo clara alusão às
cruzadas do norte dos séculos XII a XV contra os povos pagãos e ortodoxos da
região do Mar Báltico levadas adiante por ordens militares germânicas como os
cavaleiros teutônicos e por reinos escandinavos. E detalhe: pôsteres escritos
não em alemão, mas em idiomas como o francês e o holandês.
Foto – Pôsteres de propaganda nazistas de recrutamento para a guerra contra a União Soviética, escritos em holandês e em francês, evocando as cruzadas e a união da Europa contra o chamado “bolchevismo judaico”.
Assim como Napoleão em 1812, Hitler recrutou tropas de toda
a Europa para invadir a União Soviética. E conforme a Alemanha nazista foi
avançando a leste dos Cárpatos, dentro do território soviético, legiões de
colaboradores bálticos, ucranianos, bielorrussos, cossacos e até mesmo russos
engrossaram as fileiras das hostes hitleristas.
Entretanto, a União Soviética de Stalin com o tempo virou o
jogo, expulsou os nazistas de seu território, em seguida também expulsou os
nazistas das áreas por eles ocupados na Europa oriental e, por fim, o exército
vermelho hasteou a bandeira vermelha no Reichstag. No Extremo Oriente, tão logo
a guerra na Europa chegou ao fim, o Exército Vermelho expulsou as guarnições
japonesas da Manchúria, do norte da Coréia, do sul da ilha Sakhalin e das ilhas
Kurilas.
Ou seja – o pessoal de direita (seja por cegueira ou
desonestidade intelectual) adora dizer por aí, por exemplo, que a Polônia foi
vítima do nazismo e do comunismo em 1939, como se a Polônia fosse a vítima
inocente da história que não fez nada de errado antes disso. E não falam, por
exemplo, que a mesma Polônia flertou com Hitler antes de 1939 e foi junto com a
Hungria de Hórthy partícipe da partilha da Tchecoslováquia um ano antes.
Também omitem que nos países bálticos que a União Soviética
anexou (e que eram parte do Império Russo antes de 1918) e nos países do Leste
Europeu onde a União Soviética estabeleceu repúblicas populares antes lá haviam
regimes facistóides que flertaram com Hitler tanto antes quanto durante a
guerra, alguns dos quais inclusive foram parceiros da Alemanha nazista durante
a Operação Barbarossa. Ou seja, havia uma questão de segurança geoestratégica
por parte de Moscou na conquista dos países bálticos e no estabelecimento das
repúblicas populares do Leste Europeu presente após o fim da Segunda Guerra
Mundial. Para que esses países todos não virassem ponta de lança contra a União
Soviética em caso de uma nova invasão vinda do oeste, como ocorreu em 1610,
1812 e 1941. Da mesma forma que hoje a Rússia invade a Ucrânia por motivo
parecido e impedir uma eventual entrada da Ucrânia na OTAN.
Foto –pôster de propaganda nazista em norueguês para recrutamento de efetivos para a guerra contra a União Soviética, apelando para a unidade da Europa contra o bolchevismo.
Terminada a guerra, parte desses colaboradores bálticos, poloneses,
eslovacos, tchecos, ucranianos, russos, croatas, sérvios e de outras
nacionalidades, por meio de rotas de fuga conhecidas como ratlines, logrou
fugir e estabeleceu diásporas no Ocidente, em países como a Alemanha ocidental,
a França, a Inglaterra, os Estados Unidos, o Canadá e até mesmo países
latino-americanos. Tais colaboradores são acolhidos no Ocidente dentro do
contexto da Guerra Fria.
Um dos principais torturadores de Pinochet, o hoje
presidiário Miguel Krassnoff, chegou ao Chile junto com sua família por meio
dessas diásporas. O pai e o avô de Miguel Krassnoff foram colaboradores
cossacos dos nazistas na guerra e mortos nas prisões soviéticas depois de
tentarem bandear para o Ocidente (episódio dos cossacos de Lienz). Dessa forma,
Miguel Krassnoff é também o elo biológico e ideológico do colaboracionismo com
os nazistas na Segunda Guerra Mundial com o terrorismo de estado das ditaduras
civil-militares da América Latina. O Brasil acolheu o aviador letão Herberts
Cukurs [3],
envolvido com comando Arajs (unidade envolvida no massacre de judeus letões em
episódios como o massacre da floresta de Rumbula) durante a guerra.
Durante a guerra fria, tanto a inteligência soviética quanto
a inteligência iugoslava enviam agentes para dar cabo desses colaboradores exilados
no Ocidente, como foram os casos dos ucranianos Lev Rebet e Stepan Bandera, ambos
mortos em Munique pelo agente soviético Bogdan Stašinskij (que depois bandeou
para o lado do Ocidente e cujo destino é até hoje desconhecido).
Com o processo de debacle do bloco soviético e da Iugoslávia
a partir dos anos 1980, muitos desses colaboradores em diáspora no Ocidente
voltam a seus países natais. E uma vez de volta a seus países de origem, se organizam
politicamente e passam a branquear e a reescrever o passado, a reabilitar e a
glorificar como heróis colaboradores de nazistas envolvidos até o pescoço no
Holocausto como patriotas, heróis da nação e lutadores pela liberdade contra o
comunismo. Processo esse similar ao que se viu, por exemplo, no Japão do
pós-guerra, em que muitos dos oficiais envolvidos em crimes de guerra (incluindo
pessoal envolvido com a Unidade 731) escapam da prisão e depois se tornaram
políticos graúdos, entre eles Nobusuke Kiši (avô de Šindzo Abe e
primeiro-ministro do Japão entre 1957 a 1960). E na Coréia do Sul os antigos
colaboradores coreanos do Japão Imperial se tornando figuras graúdas na
política, na economia e na sociedade sul-coreana.
E é precisamente por conta dessa lacuna quanto aos regimes
da Europa oriental do período entreguerras no estudo do fenômeno nazi-fascista
que as forças políticas que hoje governam países como a Polônia, a Ucrânia e os
países bálticos podem promover o branqueamento da história dos heróis deles que
eles mesmos promovem. Branqueamento esse não raro feito levado a cabo por
institutos de memória nacional, como no caso da Polônia, da Ucrânia e da
Lituânia. Ao mesmo tempo, esses países promovem derrubadas de monumentos e
estátuas dedicadas a soldados do exército vermelho que lutaram no front
oriental contra o nazismo e seus aliados locais.
Já tratei desse assunto em outras oportunidades, vide
respostas minhas ao já citado Lorenzo Lazzarotto e a Thiago Braga. Toda a
indústria ideológica que emergiu na Europa oriental após o fim do bloco
soviético, que em última instância alimenta o ódio para com a Rússia dos dias
hodiernos. Ódio esse que inclusive é exportado ao Brasil, vide o caso de grupos
e influenciadores de extrema direita católica que possuem suas ligações com
países como a Polônia e a Hungria. Alguns desses influenciadores chegam ao
ponto de dizer que o fiel católico tem o dever de ser hostil à Rússia por conta
do histórico de perseguições à Igreja Greco-Católica Ucraniana tanto no período
imperial quanto no império soviético.
E algo que estarrece é o fato de que, em algumas páginas de
apologética católica que vi no Facebook, o pessoal que posta esse tipo de
conteúdo não se dá conta (ou finge não ver) de que esse tipo de legislação
contra o nazismo e o comunismo existente em países da Europa oriental nada mais
é que um mecanismo de blindagem de colaboradores de nazistas e regimes
fascistóides.
Foto – Postagem da página do Facebook “Abrace a tradição”, listando os países que proibiram a propagação de nazismo e comunismo por lei.
Há um ditado que diz que a história é escrita pelos
vencedores. Ou como Máscara da Morte de Câncer diz no episódio 39 de Cavaleiros
do Zodíaco, na conversa com Dohko de Libra nos Cinco Picos Antigos: “Por favor,
as definições de justiça mudam com o passar do tempo. Isso é uma coisa que a
história já provou. O que Ares pretende fazer agora pode ser diabólico, mas
vencendo ele será o justo. Ou seja, Mestre, o errado pode se tornar o certo. Se
o senhor perder, o injusto passa a ser o senhor. Está entendendo, Mestre
Ancião?”.
Como bem pontua Máscara da Morte de Câncer, a história é escrita pelos vencedores. Ou no caso específico dos países da Europa Oriental que hoje reabilitam aqueles que colaboraram e flertaram com Hitler tanto antes quanto durante a guerra, a história é escrita por aqueles que em um primeiro momento foram os perdedores da história, mas que depois de um tempo viraram o jogo e se tornaram os vencedores da história.
Pois bem. Quando as duas brasileiras tiraram foto fazendo o L em Varsóvia e mostrando o broche do PT, não só mexeram no vespeiro do ideário da Polônia enquanto muralha da Cristandade e Cristo da Europa que ela cultiva há séculos, como também pisaram em um campo minado. O campo minado do processo de branqueamento e posterior glorificação daqueles que um dia flertaram e colaboraram com Hitler na Europa oriental tanto antes quanto depois da guerra e agora são pintados como heróis e lutadores pela liberdade pelas forças políticas que hoje governam não só a Polônia, como também na Ucrânia, na Lituânia e em outros países da região, na nova história que pessoas como Andrzej Duda (ex-presidente da Polônia), Dominik Tarczyński, Mateusz Morawiecki, Karol Nawrocki (atual presidente da Polônia), Viktor Juŝenko, Julija Timošenko, Petro Porošenko, Volodymir Zelenskij e outros escrevem e promovem.
E aí eu pergunto – antes de serem depostos, tanto Muammar
al-Gaddafi quanto Bašar al-Assad alertaram para o fato de que se as nações
européias continuassem a apoiar grupos terroristas salafistas no mundo
muçulmano para fins de desestabilização regional, questão de tempo seria o
flagelo do terrorismo bater às portas da Europa como se fosse um bumerangue via
imigração descontrolada. A história deu razão a eles, vide os recentes
ocorridos na Europa ocidental.
Foto – O alerta de Bašar al-Assad em 2013 sobre a exportação do terrorismo para a Europa por meio da imigração ilegal e descontrolada.
O Ocidente “livre e democrático” também vive
fazendo vistas grossas para esse fenômeno na Europa oriental. Assim como no
caso do mundo muçulmano, questão de tempo será isso chegar à Europa ocidental
como se fosse um bumerangue, e por contágio. E nisso aparecendo movimentos pela
reabilitação dos colaboradores dos nazistas da Europa ocidental, como o caso do
francês Philippe Pétain, do holandês Anton Mussert e do norueguês Vidkun
Quisling. No fim das contas, Hitler é o grande boi de piranha da história.
E a marcha do bumerangue não vai parar na Europa ocidental.
Também seguirá pelo leste e chegará a países como a Rússia, a China e a Coréia
do Norte por meio de movimentos pela reabilitação de figuras como o ataman Pëtr
Krasnov e seu filho Semën Krasnov (o avô paterno e o pai do já citado Miguel
Krassnoff, respectivamente) e Andrej Vlasov (general do exército vermelho que
bandeou para o lado da Alemanha nazista na guerra) na Rússia, Pu Yi (último
imperador da China ainda criança e regente do estado fantoche Mančukuo na
Manchúria) e Wang Ťinwei (colaborador chinês dos japoneses na época da guerra) na
China e os colaboradores coreanos dos japoneses na Coréia do Norte (algo que há
muito já ocorreu no sul, diga-se de passagem).
E para quem pensa que isso é problema apenas da Europa,
vocês estão muito enganados. Quando vai se falar nas ligações internacionais do
clã Bolsonaro, muito se fala nas ligações com os Estados Unidos e Israel, ao
mesmo tempo em que as ligações com a Europa oriental, em particular com países
como a Hungria, a Polônia e a Ucrânia, são negligenciadas. Pois bem. Eduardo Bolsonaro (vulgo 03), inspirado no modelo ucraniano, tentou trazer para cá essas legislações existentes na Europa oriental por meio do PL 4425/2020 (algo que não passou despercebido pela imprensa russa à época, diga-se de passagem).
Caso um dia o PL 4425/2020 vire lei, isso abrirá espaço para
que um dia a esquerda como um todo, por mais moderada que seja, seja
criminalizada em território brasileiro sob o pretexto do combate ao comunismo
ao mesmo tempo em que personagens das sombras como Carlos Alberto Brilhante
Ustra (torturador da ditadura civil-militar brasileira finado em 2015, ao qual
Bolsonaro pai dedicou seu voto a favor do impeachment de Dilma), sejam
blindados e promovidos ao status de heróis nacionais (e é só lembrarmos que em
manifestações da direita brasileira bandeiras rubro-negras alusivas aos grupos
de extrema direita ucranianos apareceram).
Foto – Bandeira rubro-negra do Setor de Direita, grupo de extrema direita ucraniano envolvido no golpe do Euromaidan de 2014, em manifestação pró-Bolsonaro. São Paulo, 2020.
Fontes:
A descomunização da Ucrânia e a ascensão do fascismo.
Disponível em: https://pcb.org.br/portal2/28593
Antemurale myth (em inglês). Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Antemurale_myth
As tradições religiosas da Polônia. Disponível em: https://www.pliniocorreadeoliveira.info/LEG_390924_Polonia.htm
Ato do PT em apoio ao sindicato Solidariedade (Polônia)
(Local desconhecido, data desconhecida). Crédito: Vera Jursys. Disponível em: https://acervo.fpabramo.org.br/index.php/ato-do-pt-em-apoio-ao-sindicato-solidariedade-polonia-local-desconhecido-data-desconhecida-credito-vera-jursys-8;isad?sf_culture=fr
Christ of Europe (em inglês). Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Christ_of_Europe
Crise ucraniana – os crimes de Stepan Bandera, herói dos
nazistas ucranianos. Disponível em: https://apaginavermelha.blogspot.com/2014/06/crise-ucraniana-os-crimes-de-stepan.html
Dossiê – Ato do PT em apoio ao sindicato Solidariedade
(Polônia) (Local desconhecido, data desconhecida). Disponível em: https://acervo.fpabramo.org.br/index.php/ato-do-pt-em-apoio-ao-sindicato-solidariedade-polonia-local-desconhecido-data-desconhecida
Eurodeputado que ‘caçou’ brasileiras com símbolos do PT é
apoiador de Flávio Bolsonaro e disse que Brasil em breve ‘estará livre de
comunistas’. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2026/10/06/deputado-polones-persegue-brasileiras-por-usar-adesivos-do-pt-entenda-o-caso/
Governo ultranacionalista da Polônia aperta o cerco contra os
historiadores do Holocausto. Disponível em: https://brasil.elpais.com/internacional/2021-02-11/governo-ultranacionalista-da-polonia-aperta-o-cerco-contra-os-historiadores-do-holocausto.html
Os milhões enviados da Polônia a conservadores da TFP no Brasil e
no mundo. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2020/12/28/os-milhoes-enviados-da-polonia-para-radicais-da-tfp-no-brasil-e-pelo-mundo.htm
PL 4425/2020. Disponível em: https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2261904
Poland honors wartime group that colaborated with the nazis (em
inglês). Disponível em:
https://apnews.com/general-news-9eb9502f00724a50aeb33082ff7ce692
Presidente da Polônia sanciona lei sobre o Holocausto. Disponível
em: https://www.dw.com/pt-br/presidente-da-pol%C3%B4nia-ratifica-lei-sobre-holocausto/a-42470330
Pre-war “democratic and peaceful Europe”. Western countries.
Disponível em: https://en.topwar.ru/167109-predvoennaja-demokraticheskaja-i-mirnaja-evropa-zapadnye-strany.html
Projeto de Eduardo Bolsonaro quer criminalizar apologia ao
comunismo. Disponível em: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2020/09/02/pl-de-eduardo-bolsonaro-quer-criminalizar-apologia-ao-nazismo-e-comunismo.htm
Relações entre Brasil e Hungria. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Rela%C3%A7%C3%B5es_entre_Brasil_e_Hungria
Сын Болсонару захотел повторить в Бразилии украиснкую декоммунизацию (em russo). Disponível em: https://vz.ru/news/2020/9/2/1058127.html






















