sábado, 18 de maio de 2019

Cinco meses de Bolsonaro: um governo das minorias contra a maioria (por Lucas Novaes).

Em outubro de 2018, na reta final da campanha eleitoral presidencial do 1º turno, Bolsonaro proferiu a seguinte frase: "Vamos fazer o Brasil para as maiorias. As minorias tem que se curvar às maiorias. A lei deve existir para defender as maiorias. As minorias se adequam ou simplesmente desaparecem.". Essa famigerada sentença gerou um grande alvoroço tanto por parte da grande imprensa burguesa como de uma parcela significativa da mídia de esquerda, que parecem atormentadas com a possibilidade de um governo que obedeça verdadeiramente às vontades da população.
Hoje, cinco meses depois, o que se vê do governo bolsonarista é justamente o contrário: um esforço enorme para tentar impor pautas econômicas liberais contra a vontade da maioria dos brasileiros. O principal projeto que o governo vem tentando aprovar é “A Reforma da Previdência” e para isso, tem gastado milhões de reais em publicidade para essa PEC. A reforma irá impedir que os trabalhadores se aposentem exclusivamente por tempo de contribuição, ou seja: sem aposentadoria para quem tem menos de 60 anos. E para receber 100% do benefício, serão necessários 40 anos de contribuição. O fato do principal “empreendimento” do governo federal ser uma lei que vai contra os interesses dos setores não privilegiados da classe trabalhadora (a absoluta maioria, que precisa trabalhar para apenas para continuar sobrevivendo de forma razoável) já coloca Bolsonaro e seus aliados como inimigos da maioria dos brasileiros.
Outro exemplo de defesa das minorias vindo deste governo é a sua posição radical contra Nicolás Maduro, o presidente legítimo da Venezuela consagrado com quase 70% dos votos em uma eleição onde parte da oposição minoritária liberal se ausentou devido a sua covardia e fracassos em derrubar o presidente. A posição de Ernesto Araújo (ministro das relações exteriores) é o de apoiar os interesses estadunidenses, que tem um apoio minoritário no país latino-americano.

Foto – Nicolás Maduro resiste ao golpismo imperialista
E o que Bolsonaro está fazendo pela maioria cristã que o elegeu? As pautas morais parecem ter sumido completamente da agenda governista. A única coisa feita por Bolsonaro nesses cinco meses que parece ir de encontro ao populismo que o elegeu foi o seu decreto que libera a posse de armas. Entretanto, esta liberação é apenas para categorias específicas: agentes de trânsito, políticos eleitos, conselheiros tutelares. E o fato desta ação ter vindo por meio de um decreto e não de uma longa discussão e aprovação na câmara dos deputados e no senado demonstra ou uma fraqueza ou um desinteresse do governo em comprar essa briga.
Durante esses primeiros meses, a população brasileira demonstrou apatia em relação a sua perda de direitos, algo comum para governos em início de mandato. Entretanto, o recente corte de verbas que afetou universidades públicas no Brasil parece ter voltado a mobilizar os cidadãos brasileiros, que foram para as ruas protestar contra este desgoverno em números que não se viam desde que foram mobilizados pela grande mídia e o empresariado contra Dilma Rousseff. A estratégia dos direitistas e apologistas do governo é a de deslegitimar os protestos, dizendo que foram encabeçados pelo PT para soltar Lula da prisão. Qualquer um que tenha acompanhado os protestos viu que havia sim partidários petistas na manifestação (e eles tem o direito de defender suas pautas), entretanto, foram absolutamente minoritários no enorme contingente de pessoas que foram às ruas. O único consenso que havia lá era o repúdio aos ataques contra a educação pública, e, em menor grau, a oposição à reforma da previdência também estava claro.

Foto – Maiores manifestações anti-governo desde 2016
O tamanho das manifestações chegou a animar muitos brasileiros, que agora já começam a considerar a hipótese do presidente renunciar ou ser afastado do cargo por meio de um impeachment. Quanto a esta pauta, é necessário ter cautela e levar em consideração que o vice-presidente Mourão também é neoliberal e entreguista. E se houver um acordo entre a esquerda e o centrão no congresso, isso pode dar apoio ao general para passar reformas impopulares, algo que não queremos. O que as manifestações do dia 15 deixaram claro é que a população rejeita toda a ideologia neoliberal, ou seja, o governo Bolsonaro como um todo, além de qualquer partidário de idéias similares.
Fontes:


sexta-feira, 3 de maio de 2019

O passado sombrio do juiz Moro, parte I - Operação Maringá



Foto – Jairo de Moraes Gianoto, prefeito de Maringá entre 1997 a 2000.
Em sua mais recente entrevista, concedida após um ano de prisão aos jornalistas Mônica Bergamo da Folha de São Paulo e Florestan Fernandes Júnior do espanhol El País, o ex-presidente Luís Ignácio Lula da Silva afirmou, entre tantas outras coisas, que quer desmascarar Moro, Dallagnol e companhia limitada. Pois bem, gostaria de dar uma mãozinha ao ex-presidente nisso.
Como dito em artigo anterior, a prisão de Lula pessoalmente muito me enoja não tanto por causa daquele que foi jogado ao mar para ser devorado pelos tubarões ou do fato dele ter sido condenado sem provas com base em um processo no mínimo discutível e por “atos indeterminados de ofício”, mas principalmente por causa dos piratas que o jogaram ao mar para ser devorado pelos mesmos tubarões. Sensação essa que em mim ficou ainda mais exacerbada dentro de mim após não apenas ver Moro se tornar ministro da justiça do governo Bolsonaro como também tomar conhecimento a respeito das boladas bilionárias que a Farsa Jato tentou se apoderar da Petrobrás (R$ 2,5 bilhões) e da Petrobrás (R$ 6,8 bilhões) por meio de acordos de leniência. Algo que o próprio Lula chamou de “criança esperança” do Dallagnol. O que configura como um verdadeiro esquema de lavagem de dinheiro com claras intenções políticas e eleitoreiras. Chegou-se ao ponto de Gilmar Mendes chamar essa gente de quadrilha com um projeto de poder.
Em meu humilde entendimento, um dos motivos (para além da blindagem por parte dos grandes veículos da grande mídia tupiniquim e a convergência de poderosos interesses nacionais e internacionais nesse sentido) pelos quais essa gente tem a popularidade que tem (em especial nas classes médias abastadas), a ponto de poderem bancar os paladinos da moralidade perante nós, é o desconhecimento da parte deles a respeito do Moro de antes da Lava Jato. Algo que pode ser visto no artigo publicado por José Padilha, diretor dos filmes Tropa de Elite e Tropa de Elite 2 e do seriado “O Mecanismo”, no artigo publicado em 16 de abril de 2019 na Folha de São Paulo, onde ele disse que Moro, até então visto pelo cineasta como uma espécie de “samurai ronin”, perdeu sua independência política ao se atrelar à família miliciana Bolsonaro. Ele, que sempre apoiou o juiz Moro e a atuação dele na Lava Jato, agora demonstra decepção em relação ao mesmo, a ponto de dizer que agora ele é uma espécie de anti-Falcone (o magistrado italiano no qual Moro diz-se inspirar, assassinado pela Cosa Nostra em 1992).
Ao que tudo indica, José Padilha, assim como muitos dos apoiadores do ex-juiz e da Farsa Jato, não conhece o Moro de antes da Lava Jato, que sempre usou de sua toga para fazer política em favor dos tucanos locais, a começar pela Operação Maringá durante o mandato do ex-prefeito Jairo Gianoto (1997 a 2000) em Maringá. Ou seja, Moro nunca foi ronin (termo usado para designar um samurai sem mestre dos tempos do Japão pré-moderno, os quais muitas vezes eram condenados a uma vida desonrosa e sem propósito), mas um samurai propriamente dito. E o que ele faz hoje ao lado da família miliciana Bolsonaro é dar continuidade ao que já fazia antes com os tucanos do Paraná. E em meu entendimento, é trazendo à luz não apenas todo esse passado de politicagem a favor do tucanato do Paraná, suas reais relações com os doleiros Alberto Yousseff e Dario Messer e esquemas de corrupção como o das APAEs do Paraná e o da indústria das delações premiadas denunciado por Rodrigo Tacla Duran que Moro e sua quadrilha serão desmascarados.
Durante os dois governos de Fernando Henrique Cardoso, os tucanos, segundo Jessé Souza em seu mais recente livro “a classe média no espelho”, reduziram e desmontaram o Estado brasileiro a ponto de figurar apenas como um orçamento a ser dividido pela elite dos proprietários. E nessa brincadeira toda (a nível internacional inserida dentro de um contexto de crescente empoderamento do capital financeiro na economia global) entregaram a preço de banana empresas estatais para os donos do mercado durante a privataria tucana, encolheram as funções sociais do Estado, usaram o orçamento estatal para turbinar o setor financeiro com o dinheiro de todos, elevaram a taxa SELIC à taxa estratosférica de 45% com o intuito de propiciar o saque da população inteira e transformação do Banco Central na boca de fumo da real corrupção brasileira.
Nisso surgiram inúmeros esquemas de corrupção, a começar pela privataria tucana dos anos 1990 e o caso Banestado, o maior esquema de evasão de divisas da história do Brasil (que era feito por meio das contas CC5). Essa é a gênese dos esquemas de corrupção tucanos que sempre são colocados para debaixo do tapete da tão imparcial e impoluta justiça brasileira e perante os quais os esquemas nos quais os petistas se envolveram enquanto estiveram na presidência da República e o laranjal do PSL não passam de brincadeira de criança. Nas palavras do próprio Jessé Souza, FHC, em seu anseio de “enterrar a era Vargas” que está sendo retomado por Jair Bolsonaro no presente momento, fez do Estado brasileiro um “instrumento de rapina da ínfima elite de proprietários e dos estratos superiores da classe média”. E um desses esquemas é o da Operação Maringá, que movimentou uma quantia avaliada em cerca de R$ 49 milhões (R$ 500 milhões em valores atualizados). Esquema esse do qual tomei conhecimento por meio do Osvaldo Bertolino (tanto em seu site quanto de seus vídeos no You Tube). Entre aqueles que não vão com a cara do juiz Moro e da Farsa Jato muito se fala no caso Banestado e do fato dele ter livrado a cara de tucanos de alta plumagem e empresas de mídia nele envolvidos ao mesmo tempo em que prendeu alguns funcionários do banco, mas não vejo a mesma publicidade quanto à Operação Maringá, e é por isso que gostaria de começar por ela.

Foto – Luiz Antônio Paolicchi, ministro da Fazenda da administração Jairo Gianoto em Maringá.
Os vários esquemas de corrupção da era tucana deram luz a vários personagens, e um deles é Luiz Antônio Paolicchi, o qual ocupou o cargo de ministro da fazenda de Maringá entre 1993 a 2000. Pode-se dizer que para os tucanos locais Paolicchi era uma espécie de equivalente do que o finado Manfred von Richthofen era para os tucanos de São Paulo no tempo de Mário Covas, do que Paulo Preto é hoje para os mesmos tucanos de São Paulo e do que Fabrício Queiroz é para a família Bolsonaro. Juntos, Paolicchi e Gianoto foram responsáveis por um esquema milionário de desvio de dinheiro, e com tal dinheiro compraram itens como aviões, fazendas, colheitadeiras, insumos agrícolas e carros de luxos. O dinheiro desviado desse esquema comandado por Paolicchi, entre outras coisas, irrigou as campanhas eleitorais de Álvaro Dias (PSDB) e Jaime Lerner (então PFL, hoje DEM) a senador e governador, respectivamente, em 1998. Os negócios do esquema comandado por Paolicchi também incluíam figuras como Daniel Dantas e o doleiro Alberto Youssef.
Em 27 de outubro de 2000 Gianoto, cujo mandato foi marcado por uma série de escândalos administrativos, é deposto por improbidade administrativa antes do término de seu mandato e substituído pelo pemedebista João Alves Correia. Junto com Gianoto, Paolicchi também caiu, tendo sido investigado na época pelo Ministério Público de Londrina por suas ligações com Alberto Youssef, que em dezembro do mesmo ano foi preso em Londrina por envolvimento no escândalo AMA-Conurb. Ainda em 2000 a população de Maringá elege o petista José Cláudio Pereira Neto, com quase 107 mil votos. Gianoto, por seu turno, veio a ser preso seis anos mais tarde pela Polícia Federal por desvio de dinheiro público, formação de quadrilha e sonegação fiscal. Sérgio Moro (que na ocasião trabalhava no escritório de Irivaldo Joaquim de Souza, o advogado de Gianoto) veio em socorro de Gianoto por meio de um habeas corpus. Ironicamente, o mesmo habeas corpus que anos mais tarde foi negado a Lula Moro em 2006 usou-se para livrar a cara de um tucano envolvido em esquemas de corrupção e testemunhando em favor dele. Em 2010 Gianoto foi condenado pelo Tribunal de Justiça do Paraná a devolver a quantia de cerca de R$ 500 milhões aos cofres públicos.
Junto com Paolicchi e Jairo Gianoto também foram condenados nos autos nº449/2000 Jorge Aparecido Sossai (então contador), Rosimiere Castelhano Barbosa (então tesoureira), Neuza Aparecida Duarte Gianoto (esposa do ex-prefeito), José Rodrigues Borba (ex-deputado federal) e os réus Sérgio de Souza Campos, Celso de Souza Campos, Eliane Cristina Carreira, Izaias da Silva Leme, Silvana Aparecida de Souza Campos, Valdenice Ferreira de Souza Leme, Valmir Ferreira Leme, Waldemir Ronaldo Correa, Paulo Cesar Stinghen, Moacir Antônio Dalmolin, a empresário Flórida Importação e Comércio de Veículos Ltda.
Em 2011 Paolicchi é brutalmente assassinado. Seu corpo foi encontrado amarrado dentro do porta-malas de um carro que estava abandonado. Seis anos mais tarde o tribunal do júri de Maringá condenou por crime de homicídio qualificado os três réus do caso Paolicchi: Vagner Eizing Ferreira Pio (com o qual Paolicchi mantinha uma união estável), Eder Ribeiro da Costa e Valdir Ferreira Pio (pai de Vagner). O primeiro por ter sido o mentor e mandante do crime, o segundo por ter efetuado os disparos que ceifaram a vida de Paolicchi e o terceiro por participação no homicídio.
Paolicchi se foi há quase um decênio, e poucas pessoas sabem a respeito da dimensão de seu envolvimento com a corrupção tucana do Paraná. Certamente, para seu túmulo muitos segredos a esse respeito ele levou. Segredos esses que bem provavelmente envolvem muitos bacanas da alta sociedade do interior paranaense. Em termos de nebulosidade política, pode-se dizer que o caso da morte de Paolicchi é um equivalente paranaense do caso da morte de Manfred von Richthofen e sua esposa Marísia, ocorrido em 2002, nas mãos da filha do casal Suzane e dos irmãos Cravinhos. Eu particularmente imagino o tanto de bacanas (incluindo juízes, procuradores, desembargadores, altos empresários, banqueiros, empresas de mídia e outros tantos) não seriam pegos caso não apenas os esquemas operados por Paolicchi e por Manfred von Richthofen como também por outros operadores do tucanato como o próprio Paulo Preto um dia vierem à tona. Bacanas esses que certamente devem ter dado aval e até ganho comissões e gorjetas desses esquemas. Também imagino as ligações entre os vários esquemas de corrupção dos tucanos que viriam a aparecer caso isso tudo viesse à tona.
Uma coisa é certa a respeito tanto de Paolicchi quanto de Manfred von Richthofen: caso ambos fossem em vida ligados a partidos de esquerda como o PT e o PDT e não aos tucanos, ou se um homicídio similar ao que ceifou a vida de ambos acontecesse com o João Vaccari Neto ou qualquer outro operador ligado ao Partido dos Trabalhadores, isso seria literalmente o escândalo do milênio. Os grandes veículos de comunicação dedicariam milhares de páginas e horas dos telejornais ao caso, seriam feitas investigações policiais incessantes, assim como mandatos de prisão expedidos por juízes e devassas em contas bancárias. Em um ano eleitoral, usariam isso como bala de prata de forma a influenciar o resultado das eleições em favor dos candidatos preferidos do sistema. E quando o caso chegasse aos tribunais, fariam uso do artifício da teoria do domínio do fato para incriminar Lula e outras figuras da alta cúpula petista. E obviamente enviesando politicamente até a medula as investigações a respeito dos esquemas de forma a incriminar apenas os petistas e não mostrar, por exemplo, que a tecnologia advinda do próprio esquema não é de origem petista, mas tucana.
Mas, como se trata de algo que diz respeito aos impolutos tucanos, isso, como diria o próprio ex-juiz e hoje ministro da justiça Moro, “não vem ao caso”. Dessa forma, os meliantes são presos enquanto que os grandes bandidos atravessam o rio sem serem incomodados pelas piranhas.
Fontes:
Souza, Jessé. A classe média no espelho: sua história, seus sonhos e ilusões, sua realidade. Rio de Janeiro: Estação Brasil, 2018.
Desvio de verba envolve mais de 130 pessoas. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc0403200125.htm
Diretor de Tropa de Elite, Padilha admite que errou ao apoiar Moro: “trabalha para a família Bolsonaro”. Disponível em: https://www.revistaforum.com.br/diretor-de-tropa-de-elite-padilha-admite-que-errou-ao-apoiar-moro-trabalha-para-a-familia-bolsonaro/
Em Maringá, juiz Sérgio Moro se une a sacerdotes hipócritas para acobertar corrupção tucana. Disponível em: http://outroladodanoticia.com.br/2015/11/24/osvaldo-bertolino-em-maringa-juiz-sergio-moro-se-une-a-sacerdotes-hipocritas-para-acobertar-corrupcao-tucana/
Eu quero desmascarar Moro, diz Lula! Não troco minha liberdade pela minha dignidade! Folha entrevista Lula. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=5W8mlg2Ix3M
Jairo Gianoto, ex-prefeito da cidade de Maringá. Disponível em: http://www.maringa.com/maringa/jairo.php
José Padilha: o ministro anti-Falcone. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2019/04/o-ministro-antifalcone.shtml
Lula: “estou muito mais preocupado com o que está acontecendo com o povo brasileiro”. Disponível em: https://www.causaoperaria.org.br/lula-estou-muito-mais-preocupado-com-o-que-esta-acontecendo-com-o-povo-brasileiro/
Padilha diz que projeto de Moro favorece milícias ligadas a Bolsonaro. Disponível em: https://www.brasil247.com/pt/247/cultura/390323/Padilha-diz-que-projeto-de-Moro-favorece-mil%C3%ADcias-ligadas-a-Bolsonaro.htm
Perseguição a Lula é promessa de família. Disponível em: https://www.pragmatismopolitico.com.br/2018/02/perseguicao-de-moro-a-lula-familia.html
Sérgio Moro e a história do desvio de R$ 500 milhões em Maringá por tucanos. Disponível em: http://outroladodanoticia.com.br/2016/11/21/sergio-moro-e-a-historia-do-desvio-de-r-500-milhoes-em-maringa-por-tucanos/


quarta-feira, 3 de abril de 2019

Mussum e o brasileiro médio, tudo a ver.



Foto – Mussum (1941 – 1994).
Essa quinta-feira, dia 4 de abril de 2019, estreia nos cinemas brasileiros o filme documentário “Mussum, um filme do cacildis”, da diretora Susanna Lira. Tal filme conta a história de vida de Antônio Carlos Bernardes Gomes, conhecido nacionalmente como Mussum, desde sua infância nas favelas do Rio de Janeiro até primeiro tornar-se sambista integrante do grupo Originais do Samba e depois consagrar-se como trapalhão, dando um foco maior ao homem por trás do personagem e não ao personagem em si mesmo.
Por muitos fãs, Mussum é comumente tido como o mais engraçado dos Trapalhões. O malandro do grupo, Mussum era notável não apenas por seu jeito peculiar de falar (no qual adicionava as terminações “is” ou “évis” em palavras arbitrárias) como também por ser frequentador assíduo de bares e botecos e seu apreço por bebidas alcoólicas, em especial a cachaça (ou como ele a chamava carinhosamente, mé). Comumente era chamado de “cromado”, “azulão”, “grande pássaro”, “maisena”, “fumaça” e outras palavras afins por seus companheiros de grupo.
Gostaria de aproveitar não apenas o lançamento vindouro do filme sobre a vida do Mussum além das câmeras de TV como também a proximidade com o 25º aniversário do falecimento dele (que irão completar-se no próximo 29 de julho) para falar a respeito de um esquete dos Trapalhões no qual o personagem interpretado pelo finado Antônio Carlos Bernardes Gomes estrela junto com Dedé Santanna. O qual ao que tudo indica é dos anos 1980 e que é atualíssimo, tendo em vista a realidade atual que o país vive.
O esquete começa com Mussum e Dedé em uma sala de espera de um consultório. A atendente pede para que os dois esperem um pouco que o doutor já irá atendê-los. Mussum responde à atendente que não perguntou nada e Dedê, que estava lendo um jornal, alfineta Mussum por sua demonstração de mau humor. Uma discussão entre os dois trapalhões tem início.
Mussum responde com um “mas está certo, viva a liberdade” e que o governo está certo. Em seguida Dedé, resmungando e lendo as notícias do jornal, conta a Mussum que aumentou o preço do feijão. Mussum responde com um bem feito e justifica o aumento do preço do feijão sob a alegação de que o vegetal não tem valor nutritivo algum e que aumentando o preço do feijão as pessoas iriam consumir mais soja (na opinião de Mussum melhor e mais barata que o feijão). Na sequência Dedé fala que o preço dos ovos também aumentou. Mussum justifica o aumento do preço dos ovos sob a alegação de ninguém dá valor ao serviço dos outros e citando um suposto sacrifício feito pelas galinhas na hora de botar os ovos. Dedé responde que não quer mais conversa com o grande pássaro, temendo uma eventual briga. Mussum retruca que todo mundo está do contra, se queixa de protestos, que ninguém tem respeito pelo trabalho dos outros e afirma mais uma vez ser a favor do governo.
Dedé então mostra a Mussum mais uma a notícia do jornal: mais um aumento de preço. Mussum diz que o governo está certo e tem que aumentar preços mesmo. Dedé diz que o preço da cachaça vai aumentar, mostra a notícia ao mangueirense e este fica enfurecido ao saber da última, a ponto de maldizer o mesmo governo que até agora a pouco ele se dizia a favor.

Foto – Mussum e Dedé no esquete em questão.
O que pode ser dito a respeito desse esquete curto do famoso quarteto que por muitos anos alegrou os lares brasileiros com seu humor estilo pastelão e qual é a relação dele com a atual realidade brasileira? Nesse esquete em questão vemos Mussum agir da mesma forma que o brasileiro médio (geralmente pertencente ao que Jessé Souza chama de ala protofascista da classe média) que vomita pela boca discursos como “bandido bom é bandido morto” e afins age. Se o Caco Antibes e a Dona Florinda são o retrato do brasileiro médio em seu ódio e indiferença classista aos menos abastados, o Mussum é o retrato do brasileiro médio na indiferença ao infortúnio alheio e em não se dar conta de que aquele que agora prejudica o desafortunado da vez pode ser aquele que cedo ou tarde irá te prejudicar também.
Grosso modo, tais elementos acham bonito de se ver em programas policiais a polícia espancar, humilhar e prender negros e pobres que moram nos cortiços e favelas do país em batidas nesses lugares. E uma vez tais infelizes presos nas superlotadas cadeias brasileiras, não demonstram incômodo algum pelo destino funesto que a essa gente aguarda, não raro presos por causa de pequenos furtos. E esse também é o mesmo tipo de gente que não apenas apoia as barbaridades e atropelos jurídicos da Operação Farsa Jato como também comemorou com fogos de artifício a prisão do Lula e votou em massa em Jair Bolsonaro (e como também parecem demonstrar indiferença para com os prejuízos bilionários causados à economia do país e milhões de desempregados pela tábua rasa feita em empresas como a Odebrecht, a OAS, a Petrobrás e outras empresas afetadas pelas investigações da quadrilha de Curitiba – algo inadmissível em países como os EUA, a França e a Alemanha).
Resumo da ópera: no esquete dos Trapalhões em questão, enquanto o governo prejudicava os outros, para o Mussum tudo bem. Afinal, não era com ele. Mas, a partir do momento que o mesmo governo que até então ele elogiava aumentou o preço da cachaça, mudou de ideia da água para o vinho. E enquanto a polícia continuar a destilar sua truculência contra pobres e negros nas favelas, continuarão achando isso ótimo ad eternum. O brasileiro médio age da mesmíssima forma quando vê, por exemplo, os meganhas de toga da Farsa Jato passando por cima das leis do país e condenando sem provas o Lula e outros membros do PT. Afinal, também não é com eles. E bem provavelmente, podem vir à tona inúmeros escândalos envolvendo a camarilha do Paraná (incluindo Operação Maringá, caso Banestado, as denúncias de Rodrigo Tacla Duran, o esquema das APAES e a tentativa recente de estabelecer um fundo bilionário privado com dinheiro retirado da Petrobrás e da Odebrecht – no que configura um esquema de lavagem de dinheiro) que essa gente vai continuar jogando confetes para essa gente. O que importa para eles é ver o que eles veem como criminosos e corruptos (em especial se for alguém do PT ou de outros partidos de esquerda e que não usem terno e gravata) sendo presos e humilhados por juízes, procuradores e policiais. “O juiz tá certo, a polícia tá certa. O safado tem que apanhar e ser humilhado até não poder mais e depois ser preso!”, certamente esses sujeitos (que mal se dão conta de que os meganhas de toga aos quais eles jogam confetes são na verdade parte do sistema da corrupção que eles dizem combater) pensam com seus botões nessas situações.
E o mais curioso e irônico a respeito desse esquete é ver que tais elementos são muito bem retratados e satirizados por um negro nascido no morro da Cachoeirinha, uma das favelas da zona norte do Rio de Janeiro e filho de uma empregada doméstica. Logo um negro de origem humilde, que essa gente não raro gosta de ver apanhando e sendo humilhado em batidas policiais nas favelas e cortiços. Enquanto o outro é que está se dando mal, não me importo. Só vou me importar a partir do momento em que a cobra começar a me picar. Assim essa gente pensa. E é por causa de pessoas assim que Luiz Carlos Cancellier, reitor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), suicidou-se no ano retrasado, depois de ter passado por tamanha humilhação nas mãos da polícia catarinense. Dai que surge, por exemplo, a falta de incômodo dessa gente no que tange, por exemplo, à relação da família Bolsonaro para com os milicianos do Rio de Janeiro. Enquanto a milícia no Rio de Janeiro ceifar a vida dos moradores das favelas, a indiferença reina. E a situação irá mudar de figura apenas a partir do momento em que as milícias começarem a apontar seus rifles e atirar suas balas em pessoas que moram na Barra da Tijuca e outros bairros nobres da antiga capital do Brasil.
Da mesma forma, enquanto esses que se dizem os cidadãos de bem do país não começarem a sofrer humilhações vexatórias como a que o reitor Cancellier sofreu pouco antes de suicidar-se e a que moradores das favelas e cortiços sofrem nas mãos da polícia (como a desse vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=DxoRLhwUMTE&t=1s) vão continuar achando bonito tais espetáculos deprimentes que pululam em programas policiais (cujos apresentadores certamente sabem que é disso que seu público cativo gosta). E também analogamente, enquanto não começarem a ser condenados e presos da mesma forma que Lula foi vão continuar jogando confetes para os meganhas de toga que eles apoiam. Uma coisa é certa: quando estiverem na mesma situação em que Lula esteve nas mãos dos meganhas de toga de Curitiba e do TRF4, vão pedir hipocritamente as provas e os mesmos direitos legais que a Lula e outros presos em situação similar da Farsa Jato negam. E enquanto não começarem a ser jogados feito animais para serem abatidos nas superlotadas cadeias brasileiras depois de conduções coercitivas vão continuar agindo dessa forma bestial. Sintomas de uma sociedade até hoje assombrada pelo fantasma da escravidão até hoje nunca devidamente exorcizado.

Foto – Os Trapalhões todos juntos: Mussum e Didi (em cima), Zacarias e Dedé (em baixo).
Fontes:
A história de Mussum, para além do cacildis! Disponível em: http://www.tribunadonorte.com.br/noticia/a-hista-ria-de-mussum-para-ala-m-do-cacildis/443730
Os Trapalhões – o governo tá certis. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=1IeI_NX2h2g
Produtor audiovisual, negro, é abordado e humilhado pela polícia. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=DxoRLhwUMTE&t=1s

quarta-feira, 6 de março de 2019

Família do líder-mártir notifica sobre perseguição por decreto de senador americano, que publicou fotografia do mártir e ameaçou ao presidente venezuelano (notícia traduzida do russo para o português).



Foto – Kadaffi (à esquerda) e as referidas imagens provocativas (à direita).
Džana – Kair, 28 de fevereiro de 2019. No local.
A família do finado líder Muammar al-Kaddafi resolutamente repudiou a publicação da colagem do senador americano Marco Rubio no site “Twitter” de 24 de fevereiro, que ele desumanamente usou a fotografia de Muammar al-Kaddafi, como se o senador estivesse orgulhoso do crime da OTAN, cometido contra o líder Muammar al-Kaddafi.
Em declaração à imprensa a família confirmou que na quinta-feira recebeu uma cópia deste documento e declarou que o comportamento repugnante e incivilizado deste senador lembra a nós o que o antecessor dele embaixador Christopher Stevens fez com o líder-mártir. Tais ações refletem a degradação moral e renúncia a todos os valores humanitários, humanismo em suas diferentes manifestações.
A declaração adverte este senador e outras pessoas sobre as consequências da transgressão à memória do líder, sublinhando que esta violação não vai ficar impune, visto que a família irá tomar todas as medidas jurídicas e judiciárias para a revisão formal deste fato e punição do culpado por este comportamento bárbaro.
A família dos mártires apelou ao “Twitter” executar as obrigações jurídicas e morais em relação à publicação e das imagens provocativas de indivíduos privados em um site público, que representa para si uma violação dos valores do humanismo.
A família apontou que este comportamento é documentado como parte de uma declaração de repúdio dos chefes da OTAN pelos crimes de guerra e crimes contra a humanidade, perpetrados em nosso país, dos quais o assassinato do líder e dos partidários dele foi seu clímax, assim como o assassinato do mártir Saif al-Arab Kaddafi.
A família do finado líder chamou os meios de informação de massa e organizações de direitos humanos a desmascarar os atos racistas e desumanos e solicitar à responsabilidade dos culpados.
Comentários:
Navegando pelo VK, visito a página Цитатки Муаммара Каддафи (em português Citações de Muammar al-Kadaffi) e vejo essa notícia, publicada originalmente no dia primeiro desse mês. Após lê-la e sabendo de quem se trata o dito cujo, resolvi traduzi-la do russo para o português e aqui publicá-la.
Na referida postagem no Twitter, Marco Rubio, senador do Partido Republicano pela Flórida, fez uma ameaça a Nicolás Maduro por meio de uma foto de Kadaffi com o rosto ensanguentado pouco antes de ser executado e morto por uma turba de fanáticos salafistas, passando ao atual supremo mandatário venezuelano o aviso de que ele será o próximo a sofrer o mesmo destino que Kadaffi sofreu há oito anos. Só de ter feito uma postagem horrenda dessa, visivelmente Marco Rubio não apenas ameaçou Maduro como também tripudiou em cima da memória do grande homem que Kadaffi em vida foi. Aquele que tirou a Líbia de uma situação de miséria e pobreza extrema de seu povo e a transformou no país mais rico da África. Em relação a Kadaffi, Rubio não passa de um anão moral.
Esse é o mesmo Marco Rubio (cuja família emigrou de Cuba para os Estados Unidos poucos anos antes da Revolução de 1959) que nas eleições presidenciais de 2016 foi um dos pré-candidatos nas primárias pelo Partido Republicano e do qual Juan Guaidó é um garoto de recados. De acordo com matéria da Carta Capital datada de 24 de outubro do ano passado, Rubio não apenas teria tido um encontro secreto com Bolsonaro em março do ano passado como também é o elo do político carioca com a Casa Branca. Rubio e Bolsonaro possuem várias afinidades a nível ideológico, entre elas armamentismo, pró-sionismo (Rubio é um dos maiores lobistas pró-Israel no Congresso dos EUA) e é a favor da queda do regime bolivariano que governa a Venezuela desde 1999.  Mais recentemente, Rubio manifestou-se a favor de um estreitamento das relações dos EUA com o Brasil.
Sabe-se que Bolsonaro possui relações com muitos nomes eminentes da extrema direita mundial que no presente momento vive um momento de ascensão, entre eles Viktor Órban, Matteo Salvini, Bibi Netanyahu, Trump, Steve Bannon e o próprio Marco Rubio. Muitos desses nomes que são ligados ao movimento que Bannon impulsiona. Talvez, isso seja apenas a ponta do iceberg.
Portanto, tendo em vista que o clã Bolsonaro com essa gente é articulado, não é de se surpreender que Eduardo Bolsonaro tenha tripudiado em cima da morte do neto de Lula por meningite. O mesmo Eduardo Bolsonaro que em agosto do ano passado esteve nos EUA e lá se encontrou com vários figurões do Partido Republicano, entre eles o próprio Marco Rubio. Segundo a notícia veiculada acima, a família de Kadaffi vai tomar todas as medidas jurídicas possíveis em relação ao patrão de Guaidó por essa publicação indecente e tripudio em cima da memória de Kadaffi. Espero que em relação ao Bolsokid os familiares de Lula tomem medidas similares às que a família de Kadaffi pretende tomar em relação a Marco Rubio. Talvez só assim para esses sujeitos baixarem a bola.
 
Foto – Bolsokid ao lado de Marco Rubio (ao centro).
Material original:
Página do VK Цитатики Муаммара Каддафи (citações de Muammar al-Kaddafi). Disponível em: https://vk.com/quotes_al_gaddafi?w=wall-42043155_6423
Fontes:
As relações perigosas entre Bolsonaro e o senador Marco Rubio (EUA). Disponível em: https://www.prensalatina.com.br/index.php?o=rn&id=19904&SEO=as-relacoes-perigosas-entre-bolsonaro-e-senador-marco-rubio-eua
Bolsonaro e o senador americano cunhado de traficante condenado. Disponível em: https://www.cartacapital.com.br/politica/bolsonaro-e-o-senador-americano-cunhado-de-traficante-condenado/
“Indios hediondos”, dice Bolsonaro; busca presidir Brasil, apoyado por Rubio (em espanhol). Disponível em: http://www.losangelespress.org/jair-bolsonaro-ultraderechista-apoyado-marco-rubio/
Marco Rubio says US should strengthen relationship with Brazil’s far-right president (em ingles). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=8MERLbnC0Ms



segunda-feira, 4 de março de 2019

Considerações sobre as reações de alguns elementos da direita face ao óbito do neto de Lula



Foto – Lula ao lado de seu neto recém-finado. Por Latuff.
No último dia 1 de março veio a óbito um dos netos do ex-presidente Lula, Arthur Araújo Lula da Silva, sete anos de idade, vítima de meningite meningocócica. Deixo aqui não apenas minha homenagem ao jovem Arthur (que segundo o próprio Lula sofreu bullying na escola por parte de alguns colegas de escola devido ao fato de seu ter sido preso sob acusações de participação em esquemas de corrupção e que teve seu ipad confiscado durante a condução coercitiva de Lula em 2016) como também minhas condolências aos familiares do jovem Arthur e que ele esteja em boas mãos ao lado do Senhor Deus no além. Junto também com a Dona Marisa, o Vavá e outros familiares dele que também já não estão mais nesse mundo.
Mas não é a respeito do óbito em si de que falarei no presente artigo, e sim a repercussão que ele gerou. Como era de se esperar, a morte do neto de Lula (o qual recentemente foi impedido de ir ao velório de seu irmão Vavá) repercutiu fortemente nas redes sociais. E o que mais me estarreceu no episódio em questão foi a reação de certos elementos que comemoraram a tragédia, os quais podem ser vistos em vários prints nas redes sociais. Exemplo maior disso é a mensagem no Twitter de Eduardo Bolsonaro, o terceiro filho de Jair Bolsonaro, sobre o recente ocorrido, falando como se o pai dele não estivesse passado por situação similar quando esteve internado durante a recente cirurgia de colostomia.

Foto – O já citado tweet de Eduardo Bolsonaro e a resposta de Fernando Lopez.
A postagem de Bolsokid (que parece ignorar por conveniência não apenas o fato de que Lula é um ex-presidente da República, como também o fato de que ele foi preso sem provas com intenções politiqueiras e a existência do artigo nº 120 da Constituição Federal, que prevê que os condenados que cumprem pena em regime fechado e semiaberto e presos provisórios poderão obter permissão para sair da prisão em caso de falecimento ou doença grave de algum familiar dele) gerou tamanha repercussão que mesmo figuras de direita como Reinaldo Azevedo demonstraram repúdio à mensagem do deputado federal pelo Estado de São Paulo no Twitter, como pode ser visto abaixo.

Foto – A reação de Gilberto Dimenstein, Kennedy Alencar e Reinaldo Azevedo ao tweet de Eduardo Bolsonaro.
Como dito na época da prisão do ex-presidente, muito nojo e repulsa senti de ver pessoas comemorando primeiro a condenação pelos desembargadores (ou como Paulo Henrique Amorim carinhosamente os chama, desembagrinhos) do TRF4 e depois a prisão de Lula (que por si só já me enoja só de saber que ele foi preso pelo mesmo juiz que livrou a cara dos tucanos e de empresas de mídia no caso Banestado e que hoje é ministro da justiça do governo Bolsonaro) com direito a fogos de artifícios lançados ao céu e festejos. Tripudiar em cima do cadáver de uma criança de sete anos recentemente falecida então para mim é o fim da picada. Ainda mais vendo o filho do atual presidente fazendo isso publicamente, como também pessoas que se dizem devotas do Deus cristão (ou será que na verdade são devotas do Deus cruel, impiedoso e sanguinário do Velho Testamento, que matou impiedosamente os filhos do faraó e jogou as pragas no Egito, entre outras atrocidades?) e a favor da família e dos bons costumes.
É o Brasil escravocrata do qual o Bolsokid (o qual quando durante a campanha eleitoral de seu pai nos EUA encontrou-se com o senador republicano pelo Estado da Flórida Marco Rubio, o patrão de Guaidó, que recentemente no Twitter postou uma foto de Muammar al-Kadaffi morto querendo dizer a Maduro que ele será o próximo a sofrer o mesmo destino que o líder líbio sofreu em 2011 – assunto sobre o qual falaremos no próximo artigo) é um representante revelando ao mundo seus demônios interiores que durante muito tempo estiveram ocultos em suas profundezas. Portanto, não é de surpreender tal reação da parte de muitas pessoas, ainda mais no momento de alta polarização ideológica que o país passa e onde a direita, surfando no clima de um suposto combate à corrupção, sai do armário e mostra suas garras e seu bafo fétido que durante muito tempo escondeu.
Esses que não apenas debocharam da morte da Dona Marisa, da Marielle e do neto de Lula são os mesmos que aplaudiram e festejaram com fogos de artifício lançados ao céu a condenação sem provas de Lula pelo juiz do Banestado. E se essa gente foi capaz de tripudiar em cima da morte do neto de sete anos do Lula, para mim não será nenhuma surpresa se vierem a repetir a dose caso o mesmo infortúnio venha a acontecer com o filho brasileiro de Cesare Battisti (ou quem sabe com o próprio ex-militante do Proletários Armados pelo Comunismo caso em um futuro próximo venha a óbito na prisão onde se encontra na Itália).
Em meu entendimento, tais elementos me lembram muito o Mussum em um esquete dos saudosos Trapalhões no qual o Mussum e o Dedé estão na sala de espera de um consultório médico. Uma conversa entre os dois trapalhões se inicia. O personagem interpretado pelo finado Antônio Carlos Bernardes Gomes declara-se a favor do governo, diz que o governo está certo em aumentar o preço dos ovos e do feijão, mas muda radicalmente de opinião quando fica sabendo por meio de Dedé que o preço da sua amada cachaça (ou como ele a chama carinhosamente, mé) aumenta, a ponto de chamar o governo de “danadis”.
Enquanto o governo prejudica os outros, para o Mussum tudo está bem. Mas foi só mexer no preço do mé querido dele que a situação mudou de figura. De forma análoga, esses apoiadores de Bolsonaro e do juiz do Banestado acham lindo quando eles prejudicam o Lula, a Dilma e esquerdistas de modo geral e os sentenciam à prisão sem apresentar provas contundentes da culpa deles nas acusações. Parecem também achar bonito em nome do combate à corrupção arrepiar as leis e a Constituição do país e passar tábua rasa em empresas como Odebrecht e OAS, sem se dar conta do prejuízo que isso causou à economia do país e os milhões de desempregados resultantes dessa brincadeira. Quero muito ver o que eles vão achar na hora em que um desses togados dos cafundós os colocarem na prisão sem apresentar prova de culpabilidade alguma tal como feito com o Lula e com o Cesare Battisti (sobre o qual a única prova dos tais quatro crimes de que o italiano teria cometido durante os anos de chumbo da história italiana é uma delação de um ex-companheiro de armas, obtida bem provavelmente debaixo de tortura e ameaças à sua integridade física).
A tais elementos, apenas digo uma coisa: isso, fiquem apoiando tudo quanto é barbaridade jurídica e atropelo das leis por parte de juiz, procurador e desembargador que mais cedo ou mais tarde a cobra irá lhes picar. E a picada bem dolorida será, diga-se de passagem. E que vocês não reclamem nem chorem na hora em que um desses togados dos cafundós lhes jogarem em uma superlotada prisão como fizeram com o Lula (ouviu essa, né Matteo Salvini? Você, seu projeto de Mussolini, que comemorou a prisão do Lula nas redes sociais. Imagino que você deva ter um rancor muito grande em relação ao Lula pela questão envolvendo o Cesare Battisti, além de teu ranço ideológico fascistóide. Espero não ver lágrimas de crocodilo de tua parte na hora em que você for vítima do mesmo lawfare sofrido por Lula, Cristina Kirchner e Rafael Correa. Não brinque com lawfare, signore Salvini). Talvez só assim para vocês aprenderem a ser gente.

Foto – Mussum e Dedé no referido esquete (provavelmente dos anos 1980) dos Trapalhões.
Fontes:
As fraudes do processo e a extradição de Battisti. Disponível em: https://www.causaoperaria.org.br/as-fraudes-do-processo-e-a-extradicao-de-battisti/
Eduardo Bolsonaro é bombardeado após criticar Lula para velório do neto. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=i2l8-iFvu7g
Matteo Salvini elogia prisão de Lula. Disponível em: https://comunitaitaliana.com/matteo-salvini-elogia-prisao-de-lula/
Os Trapalhões – o governo tá certis. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=1IeI_NX2h2g
Quanta dor Lula pode suportar? Por que o temem tanto os sem-caráter? Disponível em: https://jornalggn.com.br/artigos/quanta-dor-lula-ainda-pode-suportar-por-que-o-temem-tanto-os-sem-carater/
Sacanagem – Moro não devolveu o ipad de Arthur. Disponível em: https://talisandrade.blogs.sapo.pt/sacanagem-moro-nao-devolveu-o-ipad-de-798491

sábado, 2 de março de 2019

Não à criminalização da homofobia pelo STF



Foto – Criminaliza, STF?
Recentemente, mais precisamente a partir do dia 13 de fevereiro de 2019, entrou em pauta no STF o tema da criminalização da homofobia. Que obviamente conta com grande apoio da parte dos partidários da esquerda pequena burguesa e suas inócuas pautas identitárias (entre eles partidos como o PSTU, que afirma que isso é um importante passo no combate à violência). O que dizer a respeito da criminalização da homofobia pelo STF? Qual é a nossa posição a esse respeito?
Nossa posição a respeito desse tema é diametralmente oposta ao do conjunto da esquerda pequena burguesa que clama pela criminalização da homofobia via STF. Eles mal sabem da armadilha que estão criando para si mesmos (e nesse anseio punitivista partidos como o PSOL e o PSTU não apenas se igualam como também fazem coro com os partidários de Bolsonaro. A única coisa que muda é o sinal ideológico deles).
Se há algo que a Operação Farsa Jato, depois de conspirar a favor da deposição de Dilma em conluio com a mídia venal, ajudar a colocar Michel Temer no poder, prender Lula sem provas e abrir caminho para Bolsonaro chegar ao poder, escancarou ao país é que o tribunal tem lado, o lado das elites que mandam no país desde o século XVI. E isso é algo que os governos Lula e Dilma foram incapazes de perceber enquanto no poder estiveram.
Agora imaginamos as seguintes situações hipotéticas:
1 – A Gleisi Hoffmann ou o Lindbergh Farias se envolve em uma polêmica com o Fernando Holiday ou com o Carlos Bolsonaro (vulgo Carluxo) e no calor da discussão o chama de “bicha louca”, “bichona”, “biba tresloucada” ou algo similar.
2 – A homofobia é criminalizada pelo STF e o Jean Wyllys de repente resolve voltar ao Brasil depois de seu autoexílio europeu. Passa um tempo e ele se envolve em uma polêmica com algum figurão da direita como o Marcel Van Hattem ou a Joice Hasselmann e é chamado de “bicha louca” ou algo similar.
Um juiz como o Sérgio Moro, o Luiz “peruca moradia” Fux, o Fachin, o Gilmar Mendes ou o Marcelo Bretas irá pegar mais pesado com qual dos infratores, o que é cúmplice do sistema vigente ou o que não é? Ganha um docinho quem souber responder essa questão. Levando em consideração o caráter de classe oligárquico-escravocrata não apenas da justiça brasileira como também do Estado brasileiro como um todo, não é de se surpreender que o sistema judicial brasileiro venha a ser muito mais benevolente para com os infratores cúmplices do sistema.
Lembremos não apenas dos casos Ciro Gomes x Fernando Holiday (no qual o político cearense, depois de chamar Fernando Holiday de “capitão do mato”, foi condenado a pagar uma multa de R$ 38 mil ao ex-MBL) e Paulo Henrique Amorim x Heraldo Pereira (no qual PHA foi condenado a pagar R$ 30 mil de indenização por danos morais ao jornalista da Globo por tê-lo chamado de “negro de alma branca”), como também da verdadeira caçada que a Farsa Jato fez a Lula e ao PT ao mesmo tempo em que passou a mão na cabeça de tucanos, demos e outros da direita (os quais por seu turno certamente devem saber de muitos podres a respeito do juiz Moro em atuações pregressas como no Banestado e na Operação Maringá) e do fato de que na Itália o Judiciário de lá, que mesmo no pós-guerra continuou sob controle fascista, foi muito mais rigoroso com os militantes de extrema esquerda que participaram de grupos como as Brigadas Vermelhas e o Proletários Armados pelo Comunismo (a exemplo do que foi feito a Cesare Battisti) que com os militantes envolvidos com grupos neofascistas e que perpetraram hediondos atentados, não raro culpando a esquerda por isso por meio de operações de falsa bandeira.
Em um trecho do episódio 39 de Cavaleiros do Zodíaco, Máscara da Morte de Câncer e Dohko de Libra (dublados no Brasil pelo finado Paulo Celestino e por Araken Saldanha, respectivamente) travam uma conversa a respeito não apenas do Grande Mestre do Santuário e suas intenções como também a respeito do que é a justiça e suas definições. MDM diz que as definições de justiça mudam conforme os tempos passam e que o que Ares almejava fazer pode parecer diabólico, mas que em caso de vitória dele na batalha contra Athena os perdedores da guerra tornar-se-iam os injustos. Dohko obviamente discorda do que MDM diz, alegando que a injustiça jamais se torna justiça e que o destino inexorável das forças malignas é o fim.
O que o Cavaleiro de Ouro de Câncer quis dizer com isso e aonde ele quis chegar com tal argumentação, a primeira vista sem sentido e absurda? Examinando-a bem, em sua argumentação MDM levanta as seguintes questões: o quem exerce a justiça (e por tabela o poder) e acima de tudo o quem escreve a história. Ou seja, a velha máxima de que os vencedores é que escrevem a história. Na verdade, pode-se dizer que ambos estão corretos. Máscara da Morte no plano subjetivo e Dohko no plano objetivo.
Caso Athena (vulgo Saori Kido) e seus santos perdessem a guerra para Ares (vulgo Saga de Gêmeos), ela passaria para a história como uma bandida impostora que se passou por Athena e junto com ela os santos fiéis a ela, incluindo o próprio Dohko de Libra, que seriam pintados como traidores que se deixaram enganar pela lábia da falsa Athena. Saga/Ares, por seu turno, tornar-se-ia o justo na medida em que a partir daquele momento começaria a escrever a história que dali em diante seria escrita e a criar uma imagem onde ele se colocaria como aquele que derrotou a impostora que perturbou a paz interna do Santuário e como a pessoa certa para governar o Santuário diante das investidas de outros deuses tais como Hades, Poseidon, Zeus, Apollo, Chronos, Janus e outros. A situação mudaria de figura apenas a partir do momento em que anos mais tarde Saga fosse vencido e a ordem por ele instaurada colocada abaixo. Algo análogo certamente Alberich de Megrez faria caso tivesse sucesso em seu intento golpista na saga de Asgard (exclusiva da animação) em relação à Hilda e aos Guerreiros Deuses que à representante terrena de Odin se mantivessem fiéis. Hilda de Polaris passaria à história que dali em diante seria escrita como aquela que após ser possuída pelo poder maligno do anel de Nibelungos por capricho envolveu Asgard em uma batalha ruinosa e Alberich como aquele que pela graça de Odin veio não apenas para salvar Asgard de um destino trágico como também para trazer dias gloriosos para o reino nórdico. Já os Guerreiros Deuses fiéis a ela, como Siegfried e Hagen, seriam tidos como no mínimo uns omissos que colaboraram com Hilda nessa loucura. Mas, como na história do anime o intento golpista de Alberich malogrou, ele certamente passará para os livros de história de Asgard como um conspirador que se aproveitou da batalha contra o Santuário de Athena para atingir ambições pessoais, sem se importar com nada nem ninguém.

Aonde você quer chegar citando uma passagem da mais famosa obra de Masami Kurumada, algum incauto perguntar-me-á? No tema do presente artigo, pois tudo a ver tem. A esquerda pequeno burguesa, em seu anseio punitivista, não leva em consideração justamente o fator “quem exerce a justiça” do qual Máscara da Morte levanta. E quem exerce a justiça no nosso país? As oligarquias que desde o século XVI mandam no país, por meio de seus apaniguados nos três poderes e que desde aquela época aparelham o sistema de justiça de forma a perpetuar seu status quo por meio de expedientes como a prática do nepotismo. Portanto, são esses atores sociais que não apenas fazem as leis como também exercem a justiça conforme seus desígnios. E, como eles em alguma medida estão afinados com o poder vigente no país, as leis serão usadas não apenas para beneficiar a extrema direita que agora está no poder como também para passar o trator no que ainda resta da já combalida esquerda brasileira. Ou seja, serão usadas para fazer as politicagens deles. Ou será que tais juízes vão levar adiante investigações sobre todo o esquema de laranjas de Bolsonaro e suas possíveis ligações não apenas com as milícias cariocas como também com o assassinato de Marielle Franco? Vai acabar como tantos outros escândalos de corrupção envolvendo tucanos, pemedebistas e demos como privataria tucana, trensalão, mensalão mineiro, Banestado, Alstom, helicola e tantos outros. O laranjal e o caso Marielle no máximo vão servir como elemento de chantagem sempre que ele resolver sair da linha estabelecida pelos donos do poder.
Não nos esqueçamos de que a mesma Justiça brasileira que hoje coloca em pauta o tema da criminalização da homofobia é a mesma que deu aval ao fraudulento impeachment de Dilma Rousseff, prendeu Lula, Genoíno e Dirceu sem provas em processos politicamente enviesados, tentou várias vezes extraditar Cesare Battisti de volta para a Itália e que agora quer passar o trator no que ainda resta da esquerda é quem dava aval à escravidão nos tempos da Colônia e do Império e que entregou Olga Benário à Alemanha nazista ainda grávida.
Precisa desenhar? Pedir para o STF criminalizar a homofobia é na prática aumentar ainda mais o arsenal punitivista que o Judiciário brasileiro, um poder não eleito cujos membros pensam que são deuses na Terra e comumente recebem salários muito acima do que a lei permite para funcionários públicos, já tem. Como se não bastasse Lei da Ficha Limpa, Lei antiterrorismo, Lei das organizações criminosas e o pacote anticrime do juiz do Banestado (muitas dessas leis que inclusive foram instituídas ainda nos governos Lula e Dilma), agora o STF está preparando mais uma lei que na prática vai funcionar como uma armadilha recheada com um apetitoso queijinho para apanhar como patinhos esquerdistas, pobres e pretos e jogá-los nas já superlotadas prisões brasileiras aos montes. Não nos esqueçamos de que foi justamente uma dessas leis, a Lei da Ficha Limpa, que foi usada para impugnar a candidatura de Lula no pleito presidencial do ano passado. E enquanto o judiciário e o Estado brasileiro mantiverem seu caráter oligárquico-escravocrata, leis como a da criminalização da homofobia e tantas outras apenas vão servir na prática para reforçar o aparato repressor do Estado e ajudar a superlotar de elementos indesejados pelos donos do poder as cadeias brasileiras.
Resumindo a ópera: alguém como o Jean Wyllys pedir para um juiz prender algum figurão da direita bolsonarista que o agrediu e o ofendeu em uma discussão de rua é o mesmo que alguém da esquerda pedir também para um togado prender o Aécio Neves, o José Serra ou o Michel Temer por envolvimento destes com esquemas de corrupção. Ou na Itália dos dias de hoje pedir para que a justiça de lá seja mais rigorosa para com os militantes neofascistas (a exemplo de Roberto Fiore e tantos outros) ativos no mesmo período de Cesare Battisti. Ou seja, algo inócuo.
E à esquerda pequeno burguesa e seus representantes que se sentirem ofendidos por nosso posicionamento a respeito dessa questão, só lhes digo uma coisa: na hora em que toda a esquerda brasileira estiver sob a custódia da juíza Carolina Lebbos nós conversamos, ok?

Foto - Os anseios punitivistas da esquerda pequeno burguesa que mais cedo ou mais tarde contra ela se voltarão.
Fontes:
Ciro Gomes é condenado a indenizar vereador Fernando Holiday por danos morais. Disponível em: https://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2019-02-21/ciro-gomes-fernando-hollyday.html
Conflito entre meias verdades. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=cuSxdTDwQHI
Criminaliza, STF? Por Vitor Teixeira. Disponível em: https://www.causaoperaria.org.br/diarias/criminaliza-stf-por-vitor-teixeira/
Criminalização da LGBTfobia: um importante passo no combate à violência. Disponível em: https://www.pstu.org.br/criminalizacao-da-lgbtfobia-um-importante-passo-no-combate-a-violencia/
Criminalização da “lgbtfobia” – PSTU pede mais repressão do Estado contra o povo. Disponível em: https://www.causaoperaria.org.br/criminalizacao-da-lgbtfobia-pstu-pede-mais-repressao-do-estado-contra-o-povo/
O caso Battisti: justiça burguesa é feita. Disponível em: https://www.pstu.org.br/da-italia-o-caso-battisti-justica-burguesa-e-feita/