Foto – aiatolá Ali Khamenei.
Recentemente, o Irã foi sacudido por protestos em várias
partes do país, objetivando a derrubada do regime vigente por lá desde 1979,
data da revolução islâmica que derrubou o regime do xá Reza Pahlevi. E o apoio
do Ocidente “livre e democrático” aos mesmos é bem evidente.
Não vou entrar no mérito das motivações iniciais dos
protestos, nem da evolução ulterior deles. Mas o fato é que, nesse ínterim, andei vendo umas coisas bem,
digamos, bizarros no feed de notícias da minha conta no Facebook (o qual parece
apoiar uma mudança de regime no Irã favorável ao Ocidente “livre e
democrático”) e no You Tube. Como não poderia deixar de ser, elementos ligados
à direita, do alto da tacanhice e estupidez bem típica deles, apoiam o motim
colorido em curso no Irã. Também tive o desprezar de ver postagens de André
Lajst, embaixador do exército israelense no Brasil, apoiando a queda do regime
iraniano e lembrando da amizade que outrora havia entre Irã e Israel na época
do xá.
Como também vi alguns esquisitões monarquistas, entre eles o
Luiz Phillipe de Orleans e Bragança (herdeiro da família real brasileira e
deputado federal pelo Partido Liberal; vulgo príncipe sem reino), defendendo a
queda do regime iraniano (como também a do regime bolivariano na Venezuela). Em
outros textos, este figurão adota um discurso de matiz neocon claramente de
ódio para o Islã. De tal forma que se Dom Pedro II os lesse, teria vergonha de
seu descendente. O mesmo Dom Pedro II que visitou o Egito, a Palestina, a Síria
e o Líbano (à época partes do Império Otomano) em 1871 e 1876-77, era fluente
em árabe, abriu as portas do Brasil à imigração de origem árabe e até traduziu
para o português o clássico da literatura árabe “As mil e uma noites”.
Tais partidários da monarquia, obviamente, advogam para o Irã a volta da monarquia e da dinastia que lá reinava até 1979, os Pahlevi, sob a alegação de que a derrubada do poder deles não tirou a legitimidade do trono deles. Já que eles acham que o Irã com os Pahlevi no poder era uma maravilha, gostaria de lembrar neste texto a essas pessoas o que era Irã na época do xá. Assim como eu fiz no texto passado em relação àqueles que acham que a Venezuela da Quarta República (1958 – 1999) era uma maravilha, entre eles o Marcelo Andrade.
A história começa no ano de 1951.
Naquele mesmo ano, Mohammad Mossadegh é designado como Primeiro-Ministro do
Irã, e uma vez Primeiro-Ministro ele, entre outras coisas, nacionaliza no dia
15 de março (data essa que após a revolução de 1979 foi transformada em feriado
nacional no Irã) daquele ano com aprovação do parlamento iraniano a produção de
petróleo iraniano, à época explorado por companhias estrangeiras, em especial
inglesas e norte-americanas. A companhia Anglo-Iranian Oil Company
(posteriormente rebatizada de British Petroleum), é extinta e a exploração de
petróleo passa para as mãos do Estado iraniano.
Isso levou a um conflito
inexorável com o Reino Unido e os Estados Unidos. Mossadegh despediu todos os
especialistas e conselheiros ingleses, e em outubro de 1952 rompeu relações
diplomáticas com o Reino Unido. Em resposta, EUA e Reino Unido declararam
boicote ao petróleo iraniano e começaram a preparar um golpe de Estado no Irã.
A Operação Ajax, encabeçada pela
CIA, é iniciada com vistas à deposição de Mossadegh. No Irã, monumentos ao xá
(àquela altura rompido com Mossadegh) foram derrubados e este fugiu para Bagdá
e em seguida para Roma. Ao fim, Mossadegh foi deposto em 19 de agosto e em seu
lugar entra o general Fazlollah Zahedi, que cancelou as reformas de Mossadegh e
devolveu as concessões de exploração de petróleo às companhias inglesas e
estadunidenses e restabeleceu relações diplomáticas com os dois países.
Mossadegh, por seu turno, ao ser
deposto foi também condenado por traição estatal e sentenciado a três anos de
prisão. Passou seus últimos anos de vida em prisão domiciliar até falecer no
dia 5 de março de 1967, em Ahmedabad (cidade próxima a Teerã).
Foto – Mohammed Mossadegh (1882 – 1967).
Uma vez deposto Mossadegh, o xá
volta ao Irã e o poder da monarquia iraniana cresce de forma exponencial. Um
regime pró-Ocidente e visceralmente anti-comunista e de terror de estado é
implementado no Irã, com este se tornando um dos principais aliados de EUA e
Inglaterra na região da Ásia Ocidental.
Aliás, é bem interessante notar que
certos elementos da direita brasileira (que tendem a apoiar os Estados Unidos e
Israel, em especial quando ambos os países são governados por políticos do
Partido Republicano e do Likud) se queixam de que o atual regime iraniano é
repressivo sobre opositores políticos, sendo que o regime do xá que eles querem
de volta ao Irã fazia exatamente a mesmíssima coisa. Era um regime de terror de
estado em nada diferente, por exemplo, das ditaduras cívico-militares no Cone
Sul, do Haiti na época da dinastia Duvalier (Papa Doc e seu filho Baby Doc), da
Indonésia na época de Suharto, do Zaire na época de Mobutu, da Bolívia na época
de Hugo Banzer, das Filipinas na época de Ferdinando Marcos ou mesmo da
Colômbia sob governos como o de Álvaro Uribe.
O seguinte texto, extraído da
página do Facebook “Patria Grande Latinoamericana” e por mim traduzido do
espanhol, mostra bem o que foi a SAVAK (sigla para Sāzemān-e Ettalā’āt va Amiyat-e
Kešvar; em português Organização de Segurança e Inteligência Nacional), a
polícia secreta do regime do xá:
“SAVAK, a brutal polícia secreta
do xá com selo ocidental
A história da repressão no Irã
durante o reinado do xá Mohammad Reza Pahlevi pode soar bastante familiar para
as vítimas das ditaduras latino-americanas e todas elas têm algo em comum:
foram criadas com apoio do Ocidente.
▪️ Vigente de 1957 a 1979, os
agentes da polícia secreta do SAVAK – serviço de inteligência e segurança
interior do Irã – semearam o terror na população, torturaram e assassinaram a
milhares de pessoas sem julgamento.
▪️ A SAVAK foi estabelecida
oficialmente em 20 de março de 1957. Entretanto, o núcleo desta estrutura, sob
a direção de especialistas estadunidenses, se formou vários vários anos antes.
▪️ O primeiro chefe da Polícia
secreta do xá foi Teymur Bakhtiyar, durante o golpe de Estado de 19 de agosto de
1953, comandou uma brigada blindada que participou na execução dos
manifestantes anti-xá em Teerã.
▪️ Os oficiais da SAVAK foram
treinados pelos serviços especiais dos EUA, do Reino Unido e de Israel;
inclusive foi ensinado a eles a torturar ‘corretamente’.
▪️ A revista Time em fevereiro
de 1979, durante o derrocamento do xá, descreveu a SAVAK como ‘a instituição
mais odiada e perigosa do Irã’ que ‘tortura e matou a milhares de oponentes do
xá’.
▪️ Em Teerã havia duas prisões
da SAVAK: no distrito Evin e o centro de detenção preventiva, no coração da
capital. Ambos construídas por arquitetos alemães e apoio israelense.
▪️ As instalações do centro de
detenção preventiva foram criadas para levar ao máximo o terror: as câmaras de
torturas estavam orientadas de tal modo que os gritos dos torturadores iam
direto às celas dos detidos.
▪️ As celas eram estreitas,
sem ventilação, cadeiras, mesas e muito menos camas. Os detidos dormiam
amontoados no concreto frio.
▪️ A partir de 1972, este
centro de tortura foi administrado por um dos departamentos da SAVAK: o Comitê
Conjunto contra Sabotagem. Era a estrutura mais perversa da Polícia secreta,
onde serviram investigadores e torturadores profissionais treinados por
especialistas do Serviço de Segurança interna israelense Shabak.
▪️ Os prisioneiros eram
açoitados com cabos elétricos, pendurados pelas mãos ou pés, afogados,
torturados com eletricidade, vidros quebrados, água fervendo, submetidos a
espancamentos para quebrar os ossos, lhes arrancavam os dentes, unhas. Uma das
formas mais sádicas de intimidação era cortar o crânio de uma pessoa viva. O
centro Evin tinha tubulações especialmente conectadas às celas, através das
quais era possível fornecer ar excessivamente frio ou demasiadamente quente.
▪️ As salas de interrogatório
contavam com pequenas jaulas de metal onde os detidos eram colocados em seu
interior e se ligava a eletricidade a qualquer momento durante longas seções de
tortura.
▪️ De 1972 a 1979, as cifras
mais conservadoras falam de mais de 8 mil pessoas torturadas no Centro de
Detenção Preventiva, entre elas o atual líder espiritual do Irã, o aiatolá Ali
Khamenei. Entretanto, a cifra pode ser ainda maior, afinal, ali se levaram a
cabo milhares de execuções sem julgamento: as pessoas eram simplesmente levadas
para lá e nunca mais se soube delas.
▪️ Nos calabouços, além dos
homens, havia mulheres e crianças. Nem todos tinham relação com a oposição,
intelectuais foram presos simplesmente porque ‘sabiam ler livros’.
🇮🇷 Um pouco de
história sobre EUA, Irã e o xá da Pérsia
Os EUA sempre quiseram a
‘democracia’ para o Irã, por isso em 1953 organizou um golpe de Estado para
derrubar a Mohammad Mossadegh, que àquela altura era o primeiro ministro eleito
democraticamente pelo povo persa.
Após
o golpe de Estado organizado e financiado pela CIA e encorajado pelo MI6
britânico, se estabeleceu uma ditadura com o xá Mohammad Reza Pahlavi à frente.
Este
ditador ordenou a prisão de Mossadegh, primeiro na cela e depois domiciliar até
sua morte, enterrando-o no pátio de sua casa por sua popularidade e para evitar
excessos.
E
para os que falam sobre o quão bom a monarquia de Pahlevi era, os convidamos a
ler um artigo nosso sobre a SAVAK, a brutal polícia secreta do xá com selo
ocidental.
O
XÁ e Mossadegh condenado à perpétua”.
Foto – Emblema da Savak.
Segundo publicação da revista Time datada de 19 de fevereiro de 1979, a Savak tinha cerca de 5 mil membros. A Savak operou de 1957 até 1979, quando foi dissolvida por Šapur Bakhtiyar[1], o último primeiro-ministro iraniano. Em seu lugar, foi instituído o atual ministério de inteligência da República Islâmica do Irã, em operação desde 1983.
Algo igualmente digno de nota é o
que o regime do xá fez em 1971, mais precisamente entre entre os dias 12 a 16
de outubro, durante as festividades da comemoração dos 2500 anos da fundação do
Império Persa Aquemênida.
A área escolhida para as
celebrações foi a cidade de Persépolis, capital do Império Persa à época da
dinastia Aquemênida (550 – 330 a. C.), hoje ruínas no meio de um deserto
situado a 70 quilômetros a nordeste da cidade de Shiraz (província de Fars).
Para o evento em questão, o
aeroporto de Shiraz foi ampliado e renovado e uma rodovia foi construída ligado
Shiraz a Persépolis, além de outra para ligar Persépolis à capital Teerã. Como
forma de amenizar o clima árido do local, foram importadas e plantadas 15 mil
árvores da França, aviões carregados de pesticidas derramaram produtos químicos
num raio de 30 quilômetros para matar cobras, escorpiões e outros animais perigosos.
Um campo de golfe também foi preparado.
Tendas luxuosas inspiradas nas
tendas luxuosas em que Henrique VIII esteve quando foi hóspede de Francisco I
da França, no século XVI, foram erguidas para os convidados de fora. Tais
tendas foram construídas de material específico resistente ao calor e ao frio e
equipadas com aparelhos como telefones e ares condicionados.
Ao centro uma enorme fonte d’água
central foi erigida, na qual desembocavam todas as tendas. Cerca de 50 mil
pássaros canoros foram importados, com vistas a dar mais “naturalidade” a esse
oásis artificial (a maioria deles morreu em questão de poucos dias por conta do
clima extremo da região).
Convidados de várias partes do
mundo vieram às festividades. Entre eles o vice-presidente estadunidense Spiro
Agnew, o premiê da França Jacques Chaban-Delmas, o cardeal Maximilien von
Fürstenberg, o imperador da Etiópia Haile Selassie (o qual veio a ser deposto
do trono etíope em 1974) acompanhado de sua esposa e cachorro de estimação, o
rei do Nepal, rei Hussein da Jordânia, o sultão do Omã, rei da Malásia, reis e
rainhas da Suécia, Dinamarca, Países Baixos e Bélgica, o ditador das Filipinas
Ferdinando Marcos e sua esposa, o líder iugoslavo Josip Broz Tito, entre muitos
outros convidados. O Brasil enviou à festividade o então presidente Emilio
Garrastazu Médici. A rainha da Inglaterra, Elizabeth II, se ausentou do evento,
no que quase causou uma crise diplomática entre o Reino Unido e o Irã. A
situação foi resolvida por meio do envio do Príncipe Phillip e da Princesa
Anne.
Para alimentar toda essa gama de
ilustres convidados, foi contratado o time do Restaurante Maxim, de Paris, à
época considerado o melhor do mundo. Foram enviadas ao local do evento 18
toneladas de comida, sendo 2700 quilos de bife, porco e cordeiro, 1280 quilos
de aves diversas, e apenas 150 quilos de caviar, o único prato iraniano no
cardápio do evento. Também foram trazidos ao local garrafas diversas de vinhos,
conhaques e outras bebidas alcoólicas.
Ao final dos três dias, muito da
comida sobrou, indo a maior parte direto para o lixo. O xá tinha planos para
fazer do local uma atração turística, com vistas a hospedar turistas que fossem
visitar Persépolis. Só que a situação foi tal que foi impossível o plano ir
adiante, visto que a cidade-tenda agora estava suja, inóspita, verde findando,
lotada de pássaros mortos e numa localização nada agradável.
O clero xiita islâmico do Irã
logo reagiu, e de forma contundente: o evento foi chamado de “A festa do
demônio”. E entre os líderes que criticaram o evento estava o aiatolá Khomeini.
No fim das contas, o evento,
inicialmente planejado para ser usado como propaganda para promover o regime do
xá, gerou o efeito contrário. Visto que a comemoração foi extremamente
impopular entre a população iraniana que ficou de fora do mesmo (excetuando-se
funcionários, militares, membros do governo e a família real). Calcula-se que o
evento tenha custado aos cofres iranianos entre 12 a 150 milhões de dólares
(segundo estimativas variadas).
No fim das contas, a festa que celebrou os 2500 anos de fundação do Império Persa Aquemênida acabou ajudando a selar o destino ulterior da monarquia iraniana, anos mais tarde. Uma festa na qual se esbanjou e ostentou muito luxo enquanto que a maioria da população iraniana vivia em situação precária, flagelada por problemas como pobreza, analfabetismo e fome. O xá e sua família de costas para o Irã profundo, e de frente para o Ocidente “livre e democrático”. No melhor estilo “They don’t care about us”.
Pode-se até dizer que o xá, em
sua ânsia por projetar o Irã no mundo por meio de um evento dessa magnitude, no
longo prazo cavou sua sepultura política. Podemos também dizer que o evento em
questão foi (guardadas as devidas proporções) para a monarquia iraniana o que o
baile da ilha fiscal em 1889 foi para a monarquia brasileira.
Foto – Festa de 2500 anos da monarquia persa, 1971.
Não custa lembrar também que na
época do xá em cidades como Teerã havia bairros da luz vermelha e consumo de
drogas em casas noturnas, entre outros flagelos. Tal como na Venezuela da época
da República de Punto Fijo, o dinheiro da exploração do petróleo apenas
enriquecia uma pequena elite local e petroleiras gringas, ao passo que grande
parte da população vivia em situação precária. E soma-se a isso a questão da
crescente ocidentalização do Irã apoiada pelo regime do xá, na qual o uso de vestimentas
como o hidžab foi proibido.
Toda essa situação de
insatisfação popular com o que vinha acontecendo no Irã (terror de estado,
pobreza, decadência moral, ingerência estrangeira, aculturação da nação), à
época levou à queda da monarquia iraniana e à Revolução que instaurou a
República Islâmica do Irã. O xá, por seu turno, fugiu do Irã e morreu no Egito
em 1981, vítima de câncer.
Para termos noção da importância
do processo liderado pelo aiatolá Khomeini em 1979, um texto datado de 2010 no
blog Arcana Coelestia Universalia traz a seguinte passagem:
“A meu juízo, a Revolução
Islâmica salvou o Irã não apenas da tenebrosa ditadura de Reza Pahlevi, mas,
sobretudo, d’algo infinitamente pior: o mergulho no báratro da desagregação
espiritual e cultural d’uma civilização milenar. Pahlevi estava simplesmente
DESTRUINDO a própria essência primordial da nação iraniana, assim como antes,
por exemplo, Kemal Atatürk arrasara séculos de tradição otomana na Turquia;
destarte, a Revolução Islâmica não apenas ‘resgatou’ política e socialmente o
Irã, mas efetivamente RESSUSCITOU a alma de toda uma nação”.
E o resto é história.
Foto – capa da revista Manchete datada de 1979 com o aiatolá Khomeini na capa.
Para fechar o presente texto e
saltando para os dias hodiernos, gostaria de fazer uma pergunta a esses
sujeitos que em redes sociais como o Facebook, o Instagram e o X (antigo
Twitter) clamam pela queda do regime iraniano e até mesmo para que EUA e Israel
lá intervenham militarmente: acaso caindo o regime dos aiatolás a situação do
Irã (que há muito tempo sofre com problemas decorrentes de sanções econômicas e
crise hídrica) vai melhorar? Eu acho que não, e é só olhar para o que virou,
por exemplo, o Iraque após a queda de Saddam Hussein em 2003 após a invasão
anglo-americana. O que virou a Líbia depois da queda de Muammar al-Kadaffi em
2011, após o país ser invadido por EUA, França e Inglaterra. O que a Síria
virou desde que Bašar al-Assad foi deposto do poder em 2024. O que viraram
países como a Tunísia e a Egito desde o início da primavera árabe (vulgo
pesadelo árabe). Entre tantos outros exemplos que posso ficar citando.
É isso que vocês querem para o
Irã? Que o Irã vire um estado falido tal qual aconteceu com os citados países?
E nisso criando um efeito domínio sobre a região da Ásia Média, fazendo com que
esta última entre em uma espiral de instabilidade, caos e destruição? Da Ásia
Média para essa onda se alastrar por China, Índia, Paquistão, Rússia e até
mesmo a Europa é praticamente um pulo. Ou será que no fim das contas o que
vocês querem mesmo é ver o sonho molhado de vocês se tornar realidade: Israel
virar o Grande Israel se estendendo do Nilo ao Eufrates, e com o aval do
Ocidente “livre e democrático”?
E para quem clama pela volta da
monarquia iraniana: vocês não percebem que a monarquia iraniana, caso volte,
não passará de um regime títere, um governo Quisling a serviço de Israel e dos
EUA? Tal como o regime do xá foi lá atrás, antes da revolução de 1979 liderada
pelo aiatolá Khomeini? Ou será que isso não vem ao caso a vocês?
Acho que não dá para esperar
muito dessa gente. No fim das contas, essa gente que idealiza o regime do xá e
quer a volta da monarquia para o Irã é em essência a mesma gente que acha, por
exemplo, que a Venezuela era um paraíso na época da putrefata e corrupta
República de Punto Fijo, derrubada pelo comandante Chávez em 1998. Que Cuba de
antes da revolução de 1959 liderada por Fidel Castro também era uma maravilha.
Como também a Líbia de antes da revolução de 1969, o Egito de antes da
revolução de 1952, entre tantos outros exemplos que podem ser citados.
Ao fim e a cabo, tanto a dinastia
Pahlevi no Irã quanto a República de Punto Fijo na Venezuela, o regime de
Fulgencio Batista em Cuba, entre outros, foram derrubados antes de tudo por
conta do peso de suas contradições internas. E não por que veio do nada malvadões
revolucionários como Nasser, Kadaffi, Fidel Castro, Khomeini e Hugo Chávez e
acabou com tudo.
Foto – comparativo entre o Irã atual e o Irã da época do xá Reza Pahlevi.
Fontes:
“A festa de Satã” – o 2500º
aniversário de fundação do Império Persa e a extravagância do xá. Disponível
em: https://historiaislamica.com.br/a-festa-de-sata-do-xa/
A propósito das ideias políticas de Khomeini. Disponível em:
https://worden.blogspot.com/2010/04/proposito-das-ideias-politicas-de.html
Celebração dos 2500 anos do Império Persa. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Celebra%C3%A7%C3%A3o_dos_2.500_Anos_do_Imp%C3%A9rio_Persa
D. Pedro II no Líbano. Disponível em: https://academiafriburguensedeletras.blogspot.com/2016/01/d-pedro-ii-no-libano.html
Dom Pedro II foi o primeiro a traduzir obra do árabe, diz
pesquisa. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br/noticias/dom-pedro-ii-foi-1-a-traduzir-obra-do-arabe-diz-pesquisa/575605545
Friendly dictators (em inglês). Disponível em: Friendly
Dictators
Mohammed Mossadegh. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Mohammed_Mossadegh






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