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segunda-feira, 24 de junho de 2024

A carta do futuro primeiro-ministro de Israel para Hitler (texto da página História Islâmica + comentários meus)

 

“Em 1941, Yitzhak Shamir (que viria a ser o sétimo primeiro-ministro de Israel) cometeu ‘um crime imperdoável do ponto de vista moral: ele pregou uma aliança com H17l3r, com a Alemanha N4z1st4, contra a Grã-Bretanha’. Enquanto ainda se consideravam parte do Irgun, os Sternistas (membros do Lehi) enviaram uma proposta de aliança aos n4zist4s.

‘O estabelecimento do histórico estado judeu numa base nacional e totalitária, e vinculado por um tratado com o Reich Alemão’, o documento dos sternistas dizia, ‘oferece ser parte ativa na guerra pelo lado Alemão’. E adiciona que o NMO [Irgun] é intimamente ligado aos movimentos totalitários da Europa em sua ideologia e estrutura (“The Stern Gang: Ideology, Politics, and Terror 1940-1949” por Joseph Heller, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém).

Yitzhak Yzernitsky – que mais tarde se chamaria de Yitzhak Shamir, um dos primeiros-ministros que mais longevos no cargo do Estado de Israel, se tornou o comandante das operações da Gangue Stern após Avraham Stern ser morto pelo Exército Britânico em fevereiro de 1942. Sob a liderança de Shamir, foram tentados 14 assassinatos contra oficiais britânicos, com 2 deles sendo bem-sucedidos, a do Lorde Moyne, o Ministro Britânico residente no Oriente Médio, que estava no Cairo, e o representante da ONU para a Palestina, Conde Folke Bernadotte, que levou três tiros no coração de acordo com as ordens do comandante de operações da Gangue Stern, Yitzhak Shamir.

O Conde Folke Bernadotte reconhecia direitos humanos universais e defendia o direito palestino de retornar às suas terras e propriedades das quais foram despossuídos e etnicamente limpos pelos sionistas naquela época.

No início de 1948, forças paramilitares judias começaram a sitiar mais terras na Palestina. Ao fim de julho, mais de 400 mil palestinos já tinham sido obrigados a deixar suas casas, e sua situação como refugiados apenas começava.

Em maio daquele ano, o diplomata sueco Conde Folke Bernadotte foi escolhido como mediador da ONU na Palestina. Sua missão era chegar a um acordo pacífico. O Conde pesquisou aldeias palestinas devastadas e visitou campos de refugiados na Palestina e na Jordânia. A escala o desastre humanitário se tornou evidente quando testemunhou as péssimas condições de vida, longas filas para obter alimentos básicos e escassa ajuda médica.

O Conde Bernadotte não era estranho ao desastre humano; com a Cruz Vermelha, resgatou mais de 30 mil prisioneiros de guerra dos campos de concentração n4z1st4s. Agora, ele defendia o direito dos palestinos de voltar para suas casas.

No primeiro Relatório de Progresso de 16 de setembro de 1948, apresentado pelo Mediador para a Palestina nomeado pela ONU, Conde Folke Bernadotte, reconheceu-se o direito de regresso como a chave para a resolução do conflito na Palestina. Bernadotte escreveu:

‘Nenhum acordo pode ser justo e completo se o reconhecimento não for do direito do refugiado árabe de retornar ao seu lar do qual foi despejado. Seria uma ofensa contra os princípios da justiça elementar que estas vítimas inocentes do conflito fossem negadas do Direito de Retorno às suas casas enquanto os imigrantes judeus fluem para a Palestina, e, de fato, ao menos oferecem a ameaça da substituição permanente dos refugiados árabes que se enraizaram a terra por séculos’.

A primeira proposta do Conde pedia por fronteiras fixas através da negociação, uma união econômica entre os dois estados e o retorno dos refugiados palestinos – a proposta foi negada.

Em 17 de setembro, um dia depois de seu relatório para a ONU, a carreata do Conde Bernadotte foi emboscada em Jerusalém. Ele foi alvejado e liquidado pelos terroristas da Gangue Stern. O assassinato foi aprovado pelos três homens ‘centrais’ do Lehi: Yitzhak Yezernitsky (o futuro primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Shamir), Nathan Friedmann (também chamado de Natan Yellin-Mor) e Yisrael Eldad (também conhecido Scheib). Menachem Begin, fundador do Likud, o sexto primeiro-ministro de Israel e um dos líderes do grupo terrorista sionista, o Irgun, honrou Stern ao colocar seu retrato num selo postal. A Carta da Gangue Stern, ou, mais apropriadamente, os princípios promulgados por Stern, incluíam o estabelecimento de um Estado Judeu do ‘Nilo ao Eufrates’, a "transferência dos árabes palestinos para regiões fora do Estado Judeu, e a construção do Terceiro Templo de Jerusalém". Eles mantinham escritórios fora do Oriente Médio, incluindo Varsóvia, Paris, Londres e Nova Iorque, esta última chefiada por Benzion Netanyahu, pai de Benjamin Netanyahu.

Stern é reverenciado em Israel até hoje, e há um assentamento nomeado em sua honra, bem como um selo postal.

Quando Yitzhak Shamir, o futuro primeiro-ministro de Israel na década de 1980 foi questionado sobre sua colaboração com os fascistas, ele disse: ‘O inimigo do meu inimigo é meu amigo.’ (Tom Segev, One Palestine Complete, p. 464).

Jabotinsky colaborou com o fascista italiano Benito Mussolini e ambos apoiaram a ideologia do outro. De fato, uma academia naval na Itália Fascista foi estabelecida para treinar milícias sionistas. Foi a Academia Naval de Betar, e foi construída e operada com as bênçãos dos fascistas. Muitos dos futuros comandantes da marinha israelense treinaram neste lugar, sob supervisão fascista. Os cadetes nesta academia apoiavam o regime de Mussolini, além de apoiar as guerras coloniais de expansão italiana na África, sobretudo a Segunda Guerra Ítalo-Etíope.

Referências:

HELLER, Joseph. The Stern Gang: Ideology, Politics, and Terror 1940-1949. Psychology Press, 1995.

VADASARIA, Shaira. 1948 to 1951: The racial politics of humanitarianism and return in Palestine. Oñati Socio-Legal Series, [s. l.], v. 10, ed. 6, p. 1242–1269, 2018”.

Fonte: https://www.youtube.com/post/UgkxUQ7YtSSB8lGhhKGFVYknyKFmv-Zd1f8j

MEUS COMENTÁRIOS:

Este é mais um texto do canal do You Tube da página História Islâmica que trago para cá a respeito da questão do passado terrorista de altos figurões da política israelense. No ano passado, trouxe alguns destes textos para cá, adicionados de comentários meus. Abaixo, os links:

A tragédia e a farsa - quem chocou o ovo da serpente chamada Hamas?

A reabilitação do terrorismo em Israel

Também trouxe em 2018 textos que eu trouxe do site Radio Islam, a respeito do histórico de conchavos e colaboração dos sionistas com a fina flor do antissemitismo europeu, desde os tempos do caso Dreyfus e dos pogroms da Rússia Imperial tardia. Nazistas inclusos, obviamente.

A história dos líderes do terrorismo sionista-israelense - o que se sabe sobre os líderes israelenses?

Sionismo e antissemitismo: uma estranha aliança ao longo da história

Sionismo e Terceiro Reich

Para não ficar repetitivo, mas resumindo a ópera: Bolsonaro pai, assim como os filhos e partidários dele, são uns leões para falar do passado do italiano Cesare Battisti no tempo em que este foi membro do grupo PAC (Proletari Armati per el Comunismo, na  sigla em italiano), durante os anos de chumbo da Itália (anos 1970 e 1980). Também volta e meia falam do passado de altos figurões do Partido dos Trabalhadores e outros partidos da esquerda brasileira durante a ditadura-civil brasileira, tais como José Dirceu, José Genoíno, Carlos Minc, Diógenes do PT e Dilma Rousseff, por conta da atuação deles em grupos como o VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), Colina (Comando de Libertação Nacional), o VAR-Palmares, e mais a atuação em episódios como a guerrilha do Araguaia (tanto que em 2005, quando José Genoíno foi depor na CPI do mensalão, Bolsonaro pai trouxe à audiência o coronel Lício Maciel, captor de Genoíno no Araguaia, com claro fim de constrangimento do petista). Também chegou a falar em alguns momento a respeito do tal dinheiro que Leonel Brizola teria recebido de Fidel Castro para financiar guerrilha na serra do Caparaó, no Rio Grande do Sul, contra a ditadura civil-militar da qual Bolsonaro é apoiador.

Na arena internacional, eles também enchem a boca para falar em terrorismo de grupos como o Hamas e o Hezbollah, e do alto da verborragia e demagogia tão típica deles, ainda por cima tentam ligar os grupos em questão ao PT em particular e à esquerda de modo geral. E só irmos às redes dos filhos de Bolsonaro e mesmo de aliados deles para vermos postagens com esse tom de verborragia.

Primeiro que, como Mansur Peixoto muito bem pontua em um dos textos sobre o assunto, foi precisamente a vanguarda sionista que introduziu e difundiu no Oriente Médio o conceito de guerra urbana via atentados terroristas e até mesmo de grupos terroristas paramilitares.

E segundo e mais importante de fato: o mesmo Bolsonaro se cala a respeito de passado análogo das primeiras lideranças israelenses. Os filhos dele igualmente se calam a esse respeito. Há uma foto de dois dos filhos de Jair Bolsonaro, Carlos (vulgo 02) e Eduardo (vulgo 03), desfilando pelas ruas de Israel com camisetas do Mossad e da IDF (Israel Defense Force, na sigla em inglês), respectivamente. Os quais surgiram precisamente a partir dos grupos paramilitares sionistas que atuavam na Palestina sob o mandato britânico. Em outras palavras, estamos falando de uma época da qual o PT nem ao menos sonhava em nascer.

Foto – 02 e 03 desfilando pelas ruas de Israel com camisetas dos órgãos de inteligência israelenses.

E penso eu que se formos pesquisar, por exemplo, os políticos de escalão mais baixo e os ministros dos gabinetes dos premiês de Israel, encontraremos mais gente envolvida com tais grupos paramilitares. Para não ficarmos presos apenas aos premiês de Israel com passado de atuação em grupos de terrorismo paramilitar como o Irgun, o Haganah e o Stern.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Lava Jato e Tempus Veritatis - a farsa e a tragédia. Ou da miopia da esquerda colorida brasileira

 

Foto – Alexandre de Moraes.

Nos últimos dias, temos visto a ofensiva que a juristocracia brasileira, encabeçada pela figura de Alexandre de Moraes, atual ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) e presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), vem movendo toda uma ofensiva contra o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro. Para isso, ele vem sendo acusado de, entre outras coisas, por articular uma suposta tentativa de golpe de estado que teve lugar no dia oito de janeiro do ano passado (um golpe de araque, diga-se de passagem).

De um lado, vemos partidários do ex-presidente o defenderem e até chamarem Alexandre de Moraes como “ditador da toga”, como é o caso do pastor neopentecostal Silas Malafaia. 

E de outro, expressivos setores da esquerda brasileira, incluindo partidos como o PSOL e o PT, apoiando as ações de Alexandre de Moraes contra o ex-presidente Bolsonaro. 


Ante essa situação, uma manifestação de partidários do ex-presidente foi marcada para o dia 25 do presente mês está marcada para acontecer em São Paulo, na Avenida Paulista.

Entretanto, cabe aqui ressaltar que Bolsonaro não é o único alvo da operação da Polícia Federal. Também estão sendo visados outras figuras tais como Valdemar Costa Neto (presidente do Partido Liberal), Augusto Heleno (ex-presidente do GSI), Anderson Torres (antigo ministro da Justiça), Walter Braga Netto (candidato à vice-Presidência) e Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa).

Em sua obra “O 18 Brumário de Luís Bonaparte”, Karl Marx descreve a ascensão de Luís Napoleão (vulgo Napoleão III e sobrinho de Napoleão Bonaparte) ao poder na França. Que a história se repete primeiro como tragédia, e depois como farsa. E esse, definitivamente, não apenas é o caso da ofensiva que vemos contra Jair Bolsonaro, como também o caso de como a esquerda mainstream brasileira vem abordando em seus canais de comunicação sobre o assunto em questão.

É só acessarmos canais do You Tube tais como o TV 247, a TV Fórum, o Blog da Cidadania, o Plantão Brasil e outros tantos para ver a tônica do discurso dessa gente. Os títulos do vídeo já dão uma boa ideia do conteúdo dos mesmos, às vezes nem é preciso vê-los para isso. Até parece que eles estão vibrando com as ações do Xandão e que serão os primeiros a soltar fogos de artifício assim que o político carioca vier a ser preso (da mesma forma que quando Lula foi preso também houve gente que soltou fogos de artifício por conta da prisão dele). A única exceção que eu vi a isso foi o Diário da Causa Operária, ligado ao PCO (Partido da Causa Operária).

E o PCO é bem enfático no seguinte: de que uma eventual prisão de Bolsonaro não irá acabar com o bolsonarismo. Não há como discordar deles neste ponto, visto que será questão de tempo o vácuo deixado por Bolsonaro ser preenchido por outro político do seu naipe, talvez tão ou mais reacionário quanto o original.

Foto – Jair Messias Bolsonaro.

O que mais me impressiona na maneira como certos setores da esquerda brasileira, em especial partidos como o PT e o PSOL e seus apoiadores, é que eles não percebem que as ações do STF contra o ex-presidente Bolsonaro são, em essência, eivadas da mesma politicagem que a Operação Lava Jato moveu contra Lula lá atrás, nos idos de 2014 a 2018.

Por todos os meios possíveis e imagináveis, a Operação Lava Jato, em associação com a grande imprensa brasileira (Globo a enfrente) e sob o pretexto do combate à corrupção, foi com o tempo mostrando suas garras e procurou por meio dos esquemas de corrupção por eles investigados atuar no sentido de primeiro desmoralizar o governo Dilma, e em seguida derrubá-lo. O que eles conseguiram em 2016, por meio do impeachment de Dilma Rousseff.

Um dos ardis usados pelos procuradores e juízes do Paraná para desmoralizar e enfraquecer o governo Dilma foi a divulgação de uma conversa telefônica, obtida por meio de grampo telefônico, entre Lula e Dilma, que tratou a respeito da posse de Lula como Ministro da Casa Civil. No que resultou protestos de rua massivos contra a nomeação de Lula para o cargo, e no fim das contas Lula não apenas não virou Ministro da Casa Civil, como Dilma foi submetida a impeachment e derrubada do poder. Seu vice, Michel Temer (vulgo vampirão), assumiu a Presidência da República, com um ministério no qual não havia um único petista.

Foto – Protestos em Cuiabá contra a posse de Lula como Ministro da Casa Civil, 2016.

Entretanto, a derrubada de Dilma era apenas um balão de ensaio para o que estava por vir mais adiante. Como nós muito bem sabemos, o verdadeiro alvo dos procuradores e juízes do Paraná era Lula. Queriam a todo custo neutralizar e destruir politicamente o político pernambucano, e beneficiar os políticos orgânicos da classe dominante brasileira, os tucanos, com os quais Moro e companhia limitada possuem ligações de longa data.

Uma vez deposta Dilma, a Lava Jato atuou no sentido de influenciar os resultados das eleições de 2018 contra o Partido dos Trabalhadores e em favor dos tucanos, os tradicionais rivais do Partido dos Trabalhadores nas eleições federais até então. Visto que as pesquisas à época indicavam que Lula seria o vencedor.

A situação com Lula foi tal que durante anos a Lava Jato, antes mesmo de prender Lula, ficou cozinhando o político pernambucano por meio de histórias como a do Tríplex do Guarujá, dos pedalinhos no Sítio de Atibaia, os esquemas de corrupção na Petrobrás (que existem desde bem antes de Lula se tornar Presidente) e outras afins (da mesma forma que hoje cozinham Bolsonaro por meio de histórias como a das joias sauditas, do suposto envolvimento da família Bolsonaro com o assassinato de Marielle Franco e outras mais). E no meio dessa brincadeira toda, ante o stress ao qual foram submetidos, faleceu Marisa Letícia, esposa de Lula e primeira-dama do Brasil entre 2002 a 2010, aos 66 anos de idade, em 2017.

E naquela mesma época, lá estavam sites, blogs e canais do You Tube como os já citados TV 247, TV Fórum, Opera Mundi, Blog da Cidadania, Plantão Brasil e tantos outros na linha de frente da defesa de Lula, sob a alegação de que Moro e companhia limitada promoviam uma perseguição de caráter politiqueiro contra Lula com vistas a influenciar as eleições de 2018 em favor de políticos contrários ao Partido dos Trabalhadores e que não havia provas concretas contra o político pernambucano.

Processo esse que no fim das contas levou à prisão de Lula naquele mesmo ano e à posterior soltura do mesmo, após 580 dias no cárcere na prisão de Curitiba. Lula foi preso, e em seu lugar Haddad concorreu como candidato do Partido dos Trabalhadores à Presidência da República. Só que algo não saiu dentro do planejado de Moro e companhia limitada. A Lava Jato promoveu uma devassa tamanha sobre o sistema político brasileiro que toda a questão da corrupção respingou em praticamente todos os grandes partidos da política brasileira, de tal modo que a candidatura tucana de Geraldo Alckmin não decolou e nem mesmo foi para o segundo turno. Terminou em quarto lugar, atrás mesmo até de Ciro Gomes, tendo recebido apenas 4,76% dos votos válidos.

No fim das contas, a Lava Jato repetiu no Brasil a mesmo desastre que a Operação Mãos Limpas (e, como é de conhecimento público, a Lava Jato se inspirou na Operação Limpas) legou à Itália, na qual após fazer tamanha devassa sobre o sistema político italiano abriu caminho para Silvio Berlusconi, então magnata da mídia e presidente do AC Milan, tornar-se premiê da nação peninsular.

No caso brasileiro, aquele que foi o grande beneficiário do vácuo que a Lava Jato deixou sobre o sistema político brasileiro foi o político carioca Jair Messias Bolsonaro. Um político do chamado baixo clero que ao longo de vários mandatos como deputado federal passou por vários partidos. Uma vez eleito após vencer as eleições presidenciais de 2018, Bolsonaro premiou Sérgio Moro com o cargo de ministro da Justiça, até que depois de um tempo as duas partes se desentenderam, em 2020. E o resto é história.

Os anos se passaram, e agora essa mesma história se repete, dessa vez contra Bolsonaro, por meio da Operação “Tempus Veritatis”, que em latim significa hora da verdade. E a história em essência é a mesma: da mesma forma que Moro, Dallagnol e companhia limitada fizeram de tudo para destruir e neutralizar Lula politicamente e torná-lo inelegível em 2018, hoje Moraes e companhia limitada pretende fazer a mesma coisa com Bolsonaro. Destruir e neutralizá-lo politicamente de forma a torná-lo inelegível para as eleições presidenciais de 2026, da mesma forma que o alto establishment norte-americano, ligado à CIA, ao Pentágono e outras altas instâncias de poder, faz perseguição de caráter politiqueiro similar com Donald Trump.

Como já dito acima, o que mais me impressiona nesse caso é a miopia por parte de amplos setores da esquerda brasileira, os quais não enxergam que por trás da “Tempus Veritatis” há a mesma politicagem que a Operação Lava Jato moveu contra Lula e os petistas e que eles condenaram à época. E mais do que isso: será que eles não percebem que lá na frente a juristocracia que hoje reina no Brasil, a juristocracia a qual eles inclusive agora estão jogando confetes, a hora em que a parceria com o PT não lhes for mais conveniente não resolva se voltar contra os atuais parceiros?

E fazendo um gancho com outro caso dos dias hodiernos: essa mesma esquerda vem defendendo o padre Júlio Lancellotti (sobre o qual pairam histórias bem nebulosas de longa data, incluindo o caso da Pajero de 2007, além de um caso de abuso nos anos 1980 contra um coroinha de Igreja que à época tinha 11 anos de idade) com unhas e dentes diante das acusações que vem sendo feitas contra ele, em especial por conta do vídeo indecente dele (que foi periciado e cuja veracidade foi confirmada por dois peritos). Até alegam (como é o caso de Eduardo Guimarães, do blog da Cidadania) que por trás disso tudo há interesses da Extrema Direita Católica, do agronegócio e de políticos da direita paulistana em mover processo contra Júlio Lancellotti (o qual, por seu turno, é ligado à corrente Teologia da Libertação).

Eu fico imaginando com os meus botões o seguinte: se religiosos que essa gente não nutre simpatia alguma, tais como o padre católico Paulo Ricardo e os pastores neopentecostais Silas Malafaia, Valdemiro Santiago e Marco Feliciano (por eles comumente acusados de “mercadores da fé”; vale aqui lembrar que durante certo tempo, mais precisamente durante os dois primeiros governos Lula, alguns destes pastores, como é o caso de Silas Malafaia, eram aliados do Partido dos Trabalhadores, até romperem com o mesmo), ou alguém ligado a movimentos e organizações como o Centro Dom Bosco e o Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, estivessem envolvidos em imbróglios similares, a história seria completamente diferente. A postura mudaria da água para o vinho, e essa turma do PSOL e do PT seriam os primeiros a pedir a cabeça dos mesmos e os atacariam e os cancelariam avidamente a ponto de querer vê-los apodrecendo atrás das grades (diga-se de passagem, é só fazer uma busca por comentários dessa gente pela Internet que poderão ser encontrados comentários de que deveria ser feita uma de Igrejas evangélicas, e ao mesmo tempo se calam quando o assunto é investigar as ONGs que promovem uma espécie de indústria da miséria em lugares como a cracolândia em São Paulo, precisamente onde o padre Lancellotti atua junto aos moradores de rua locais). Mas, como se trata do padre amiguinho deles (o qual ganhou o apelido carinhoso de “cafetão da miséria” por parte de seus detratores na política paulistana), a conversa é outra. Dois pesos, duas medidas. A história se repetindo como tragédia, e depois como farsa, em outras palavras.

Foto – Padre Júlio Lancellotti.

Fontes:

De Lula a Bolsonaro: o jogo pelo poder de Silas Malafaia. Disponível em: https://congressoemfoco.uol.com.br/projeto-bula/reportagem/de-lula-a-bolsonaro-o-jogo-pelo-poder-de-silas-malafaia/#:~:text=Silas%20Malafaia%20se%20tornou%20%C3%A1vido,junto%20ao%20pastor%20Nilson%20Fanini.&text=Malafaia%20permaneceu%20ao%20lado%20do,Serra%20(PSDB%2DSP).

Eleição presidencial no Brasil em 2018. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%A3o_presidencial_no_Brasil_em_2018

Entenda a escolha de Tempus Veritatis para a operação anti-Bolsonaro. Disponível em: https://www.poder360.com.br/justica/entenda-a-escolha-de-tempus-veritatis-para-a-operacao-anti-bolsonaro/

O fim do bolsonarismo? Disponível em: https://causaoperaria.org.br/2024/o-fim-do-bolsonarismo/

O que realmente está por trás da operação da PF contra Bolsonaro. Disponível em: https://causaoperaria.org.br/2024/o-que-esta-realmente-por-tras-da-operacao-da-pf-contra-bolsonaro/