domingo, 8 de agosto de 2021

Granola e a estátua de Bardock (ensaio)

Esse é um ensaio de capítulo único que eu mesmo escrevi esses dias, no qual o Granola, o principal antagonista da atual saga do mangá de Dragon Ball Super, a saga Granola, para em um planeta e lá encontra uma estátua que lhe traz péssimas recordações. Espero que gostem:

Enquanto vagava pelo espaço em sua nave, Granola para em um planeta, o planeta VX, que nos tempos em que estava sob o domínio de Freeza era o planeta Freeza número 38. Granola parou no planeta em questão para reabastecer a nave de combustível e víveres, e depois disso dará sequência à viagem.

No planeta VX, Granola aproveitou a parada no planeta que outrora esteve sob o domínio de Freeza para sair um pouco da nave e tomar um pouco de ar. E, enquanto andava pelo planeta VX, ele vê algo que o deixa nem um pouco feliz: um monumento dedicado a Bardock, o saiyano que liderou o massacre dos cerealianos a muitos anos, antes mesmo de Freeza destruir o Planeta Vegeta.

Ao ver a estátua do pai de Goku (vulgo Kakarotto) e Raditz e avô paterno de Gohan e Goten, invariavelmente emergiram em Granola lembranças do dia em que o povo cerealiano foi exterminado pelos saiyanos a mando de Freeza. Lembranças bem dolorosas do tempo em que ele ainda era um infante, diga-se de passagem.

Ao olhar para a estátua de Bardock, Granola vê que aquele aspecto lhe é um tanto familiar, apesar do fato de que na ocasião do massacre de seu povo todos os saiyanos estavam transformados em macacos gigantes (Oozaru), uma habilidade típica deles que se manifesta sempre que olham para uma lua cheia e que eleva o poder deles em cerca de 10 vezes. Mas que ao mesmo tempo acarreta na perda da racionalidade de seu usuário, a exceção de uns poucos saiyanos de elite que são capazes de mantê-la mesmo sob tal transformação.

Granola nota que a cicatriz na bochecha do saiyano retratado lhe é bem familiar, assim como seu traje (já que são as armaduras típicas do exército de Freeza), e invariavelmente remetem ao fatídico dia do massacre de seu povo. E, ao olhar nos olhos da estátua de Bardock, Granola inevitavelmente ferve de ódio e indignação. Perguntas surgem na cabeça dele.

O que Granola ainda não sabe é que antes de erguerem a estátua a qual ele olha no presente momento havia um grande monumento dedicado a Freeza. Mas, depois que Freeza foi vencido e depois morto e seu império com o tempo foi se estilhaçando (já que Freeza não teve um sucessor à altura dele, que fosse capaz de manter seu império unido sob uma única autoridade), novas forças políticas surgiram no Planeta VX.

As forças políticas em questão colaboraram ativamente com Freeza até o momento de sua inglória queda. Da forma mais oportunista possível, eles começaram a se opor a Freeza, criaram toda uma imagem de resistentes ao jugo do imperador do Universo ao longo de anos e assim conseguiram manter-se no poder.

E nisso eles ordenaram a derrubada das estátuas dedicadas a Freeza em todo o planeta VX e no lugar, sob os auspícios de certos ativistas, ergueram estátuas dedicadas a figuras que se insurgiram contra o imperador do Universo, tanto do planeta VX quanto de outros mais longínquos. E uma dessas figuras é Bardock. Ergueram uma estátua dedicada ao pai de Goku e Raditz por ele ter tombado em combate contra Freeza defendendo seu planeta natal.

Os nativos do planeta conhecem Bardock por meio de livros de história que falam sobre o genocídio dos saiyanos perpetrado por Freeza. E nesses livros fala-se que Bardock lutou até o fim para proteger seu planeta natal de ser destruído pelo Imperador do Universo (obviamente, sob ordens diretas de Bills, o deus da destruição do sétimo universo). Até que ele foi engolido pela Supernova de Freeza e morreu junto com seu planeta natal.

Granola: “Como pode, como pode, os habitantes daqui glorificarem um assassino como o Bardock? Ele, que matou tantas pessoas a serviço de Freeza?! Em outras palavras, ele ajudou o Freeza a empilhar cadáveres! Isso é que eu não entendo! Acho que os nativos desse planeta não batem muito bem da cabeça!”.

Até que de repente surge na presença de Granola um nativo do planeta, que é um odiador ardoroso de Freeza e adorador dos saiyanos e outros povos que Freeza exterminou. Em especial dos saiyanos e de figuras como Bardock.

Nativo local: “Alto lá, estranho! Lave a tua boca para falar de Bardock, pois você está diante da estátua de um guerreiro de honrada memória que lutou até o fim para proteger o seu planeta natal das garras tirânicas de Freeza! Que a memória dele seja reverenciada e lembrada por todos nós, como um exemplo de valentia e coragem!”.

Ao ouvir as palavras em questão a respeito de Bardock, um dos verdugos de seu povo nativo, Granola se enfurece. E não é para menos, diga-se de passagem.

Granola: “Isso só pode ser uma piada, né? Bardock, honrada memória, lutou até o fim contra o Freeza... quem tem que lavar a boca é você, seu idiota! Bardock e seus homens devastaram vários planetas a serviço de Freeza, e um desses planetas foi o meu planeta natal, o Planeta Cereal! Não sei como vocês podem homenagear um sujeito desses”.

Nativo local: “Você não sabe de nada, jovem garoto. O que você disse não passa de mentiras, lorotas, para denegrir o imaculado nome dos saiyanos, que Freeza exterminou sem dó nem piedade, por temer o poder deles unidos! E é por isso que nós homenageamos guerreiros como Bardock. Para que os crimes perpetrados por Freeza jamais sejam esquecidos!”.

Granola: “Quem não sabe de nada é você, seu imbecil! Sim, por um lado, é verdade que o miserável do Freeza exterminou os saiyanos há muitos anos. Eu também detesto aquela lagartixa e gostaria muito de poder acabar com ele com as minhas próprias mãos. Mas, por outro, para isso o Freeza contou com os serviços de diversos colaboradores. E entre eles, os saiyanos, que serviram fielmente a Freeza até ele exterminá-los”.

O nativo então começa a sofismar.

Nativo local: “Mas o Freeza exterminou os saiyanos”.

Granola: “E você acha que o fato de Freeza ter levado os saiyanos às portas da extinção muda o fato de que eles não só destruíram com vários povos, incluindo o meu? Isso muda o fato de que eles empilharam tantos cadáveres e jorraram tanto sangue quanto Freeza? Sinceramente, acho que vocês desse planeta não sabem é de nada sobre quem foram os saiyanos”.

Nativo local: “Mas Freeza exterminou os saiyanos e isso é o que importa”.

O nativo continua a sofismar e Granola fica ainda mais furioso com ele. Uma briga entre os dois era questão de tempo. Até que um ancião viu a cena de quase briga e apartou a briga entre os dois. E esse senhor revela a Granola algumas memórias pregressas dele. Mais precisamente, de quando o planeta VX foi conquistado pelas tropas de Freeza. E revela, entre outras coisas, que quando Freeza conquistou o planeta VX, fez isso com o apoio de guerreiros saiyanos, e que Bardock tomou parte nesse massacre como um dos principais guerreiros saiyanos a serviço do filho do Rei Cold.

Depois de ouvir essa história, o nativo com o qual Granola estava discutindo baixa a bola e sai do local envergonhado. Já Granola, por seu turno, volta á nave e dá continuidade à jornada dele. “Como os habitantes desse planeta são estúpidos, pelo menos aquele que eu conheci...”, diz o cerealiano, que a despeito de sua mágoa pelos saiyanos poupou o monumento dedicado ao pai de Goku e Raditz. A propósito, como será que Granola pretende levar adiante sua vingança, tendo em vista que ele quer se vingar de seres bem poderosos?

Moral da história: O conquistado de hoje é o conquistador de ontem.


quinta-feira, 29 de julho de 2021

Freeza e Rei Vegeta, parte III

 

Foto – Cena do primeiro encontro entre Freeza e Rei Vegeta (imagem do especial "Dragon Ball Super: Broly", de 2018).

E com vocês a terceira parte da nossa série de artigos “Freeza e Rei Vegeta”, que discute algumas questões da atualidade pegando carona na atual saga do mangá de Dragon Ball Super, a saga Granola, que mostra um antagonista que quer vingar-se dos saiyanos (e de Freeza também) por conta de matanças pregressas perpetradas pelo povo de Goku, Raditz, Nappa, Vegeta e Broly no tempo em que estes ainda serviam ao Imperador do Universo.

Considerações a respeito do trabalho de Toyotaro (para quem não sabe, Toyotaro, antes de se tornar o ilustrador do mangá de Dragon Ball Super, fazia fanfics do universo Dragon Ball, entre elas o famigerado Dragon Ball AF que muitos ingenuamente acreditaram nos idos de 2000 ser uma continuação do Dragon Ball GT) e Toriyama à parte, infelizmente um fato lamentável ocorreu no último sábado, dia 24 de julho de 2021: um grupo de vândalos ateou fogo na estátua de Borba Gato em São Paulo.

Tal ato de vandalismo foi perpetrado pelo grupo “Revolução Periférica”, sob a alegação de que o bandeirante que viveu nos séculos XVII e XVIII teria participado de expedições de caça e captura de índios e negros para serem escravizados. A estátua em questão foi incendiada, mas graças à ação dos bombeiros o incêndio foi controlado.

E, diga-se de passagem, essa não foi a primeira vez que a estátua de Borba Gato, obra assinada pelo artista Júlio Guerra em 1963, foi alvo de vandalismo: em 2016 foi atacada com um banho de tinta. Naquele mesmo ano, também foi alvo de vandalismo o Monumento às Bandeiras, obra assinada por Victor Brecheret localizada no Parque do Ibirapuera, também em São Paulo. Além disso, em 2020, durante a onda de protestos ocorrida após a morte de George Floyd nos Estados Unidos, crânios foram colocados ao lado de estátuas de bandeirantes (o monumento de Borba Gato incluso) como forma de ressignificar a história de São Paulo.

Foto – A estátua de Borba Gato em São Paulo ardendo em chamas.

É um incidente que se parece com um incidente similar ocorrido no Chile no ano retrasado, no qual a estátua do conquistador espanhol do século XVI Francisco de Aguirre foi derrubada na cidade de La Serena e em seu lugar uma estátua bem cafona relativa aos povos originários locais, os diaguitas, foi erguida. Durante os protestos contra o governo de Sebastian Piñera de 2019 incidentes similares foram verificados na nação andina, entre eles a derrubada por parte de ativistas do povo mapuche da estátua de Pedro de Valdívia, fundador de Santiago do Chile, que depois teve a cabeça decapitada e depois colada na mão da estátua do guerreiro mapuche do século XVI Caupolicán (incidentes sobre os quais falamos na primeira parte). Ou seja, é uma moda que vem de fora já faz algum tempo (inclusive desde antes da morte de George Floyd) e está chegando ao Brasil com força total.

Navegando pelo Facebook, encontrei esse tweet de Rui Costa Pimenta, dirigente do PCO, sobre o incidente:

Foto – Tweet de Rui Costa Pimenta, dirigente do PCO, de 25/07/2021 sobre o incidente envolvendo a estátua de Borba Gato.

Nesse ponto estou de pleno acordo com o dirigente do PCO. O que eles fazem com isso nada mais é aquilo que eu chamo de brincar de Caça-Fantasmas. Pois enquanto que eles estão preocupados com a estátua de um homem que morreu há três séculos, aqueles que realmente pisam na cara deles, pessoas como George Soros (financiador de grupos como Mídia Ninja, Quebrando o Tabu, Viva Rio e outros afins), Charles Koch, os donos das Big Techs (ou seja, gigantes do ramo da informática que dominam o mercado digital, tais como Facebook, Google, Apple, Microsoft e Amazon) e de laboratórios farmacêuticos, entre outros, estão ai, pisando nas caras deles. E vão continuar assim ad aeternum enquanto essa gente continuar a brincar de Caça-Fantasmas.

Também é digno de nota um vídeo curto que o historiador Eduardo Bueno lançou em seu canal, o Buenas Ideias, em que ele diz que o nome do grupo em questão é perfeito, visto que não vai ao centro, ao âmago da questão, e que queimaram um personagem que eles não sabem quem de fato é. Também estou de acordo, visto que é um episódio que diz muito mais sobre quem são aqueles que atearam fogo na estátua que sobre o personagem histórico queimado.

Agora, foquemos na questão dos índios que grupos como Revolução Periférica e outros dessa estirpe dizem defender. Pois o foco principal do presente artigo é esse: falar sobre a hipocrisia de grupelhos como esse a respeito dessa questão em específico. Eu gostaria de lançar as seguintes perguntas aos imbecis que perpetraram esse hediondo ato de vandalismo. Não só quero muito testar os conhecimentos de vocês a respeito não só de história, como também sobre os povos indígenas que aqui viviam (e ainda vivem):

1 – Vocês dizem tanto defender os indígenas que outrora povoavam o território que veio a constituir o Brasil a partir do século XVI (a partir da semente que Portugal lançou sobre a América e que com o tempo germinou e floresceu), certo? E acham que os bandeirantes não passam de uns assassinos e escravizadores de negros e indígenas? Pois bem. Sabiam que nas bandeiras havia uma forte presença do elemento indígena? Visto que, por exemplo, a própria expressão bandeira nasceu do costume tupiniquim de levantar bandeiras em sinal de guerra. E que não só o grosso das tropas era de índios, como também uma bandeira usava técnicas indígenas para sobreviver nos sertões do interior brasileiro e mais parecia uma tropa tupiniquim que um destacamento europeu (avanço em fila indiana, uso de canoas de tronco, sobrevivência à base de mel e palmito).

2 – Vocês sabiam que antes de Cabral chegar ao Brasil não havia unidade política entre os povos indígenas que aqui habitavam? Eram vários povos que aqui habitavam, desde a Amazônia aos pampas gaúchos e da Mata Atlântica ao Pantanal, pertencentes a vários troncos etno-linguísticos. E que esses povos, diferentes dos maias e dos astecas da Mesoamérica (atual México) e dos Incas da região Andina, levavam uma vida caçadora coletora, muitas vezes nômade, similar a que levavam os antepassados dos atuais alemães e escandinavos no tempo do Império Romano e mesmo em grande parte da Idade Média.

3 – Os povos que aqui viviam antes de Colombo e de Cabral (e quiçá antes mesmo de Erik o vermelho e Leif Erikson, entre o fim do século X e o começo do século XI) nunca formaram nenhum grande império ou civilização comparado aos Astecas e aos Incas, e constantemente viviam em conflitos uns com os outros. E não apenas isso: depois que os portugueses chegaram ao Brasil, tais povos costuravam alianças com os europeus (quer sejam eles os portugueses, quer sejam eles outros europeus que tentaram invadir o Brasil na ocasião – como o caso dos franceses quando estabeleceram a colônia da França Antártica no que hoje é o Rio de Janeiro). Alianças essas que eram costuradas por meio da prática do cunhadismo, antiga prática indígena de incorporar estranhos à sua comunidade através do casamento com mulheres de uma tribo. Graças a tais casamentos entre portugueses (que eram muito poucos nos primeiros anos de colonização) e mulheres indígenas, surgiu um extrato mestiço no território brasileiro (que depois seria muito importante nas bandeiras).

4 – Essas vicissitudes dos primeiros séculos do período colonial brasileiro mostram que o índio não foi um elemento passivo que foi o tempo todo objeto de matanças e genocídio por parte dos colonizadores vindos do além-mar. E, já pararam para pensar que esses indígenas que os portugueses encontraram no Brasil na verdade não são os mesmos indígenas que aqui existiam, por exemplo, no tempo de Erik o vermelho e Leif Erikson, ou mesmo mais para trás, no tempo de figuras históricas como Carlos Magno, Maomé, Átila o huno, Jesus Cristo, Júlio César, Alexandre o Grande e Ciro o Grande? Ou mesmo quando os primeiros humanos chegaram ao território brasileiro, ainda no Pleistoceno? Em outras palavras, que os indígenas daqui também tiveram seus dias de conquistadores de outros povos antes da vinda dos portugueses a partir de 1500?

5 – Sim, assim como os Astecas e os Incas, os indígenas daqui também tiveram seus dias de conquistadores, embora não tenham forjado nenhum grande império. E exemplo disso é o caso dos tupis. Sabe-se que os tupis, por exemplo, se originaram na região Amazônica (mais precisamente, na área dos vales dos rios Madeira e Xingu), e com o tempo se expandiram para outras partes do Brasil, incluindo as zonas costeiras, ainda nos primeiros séculos da era cristã. E que por volta do ano 1000 (ou seja, na mesma época em que os escandinavos iniciaram a colonização da Groenlândia e tentaram estabelecer Vinland na atual Terra Nova) os tupis desalojaram do litoral brasileiro os tapuias e os expulsaram para dentro as áreas interioranas (talvez, se os escandinavos tivessem navegado bem mais ao sul e chegado à costa brasileira, teriam presenciado tais conflitos entre skraelings[1] e os relatado em alguma saga). Quem acha que nesse processo de expansão dos tupis não houve choques e enfrentamentos com os tapuias que resultaram em muitas mortes e derramamento de sangue é ser, no mínimo, muito ingênuo e viver em um mundo fantasioso e colorido que só existe nos sonhos molhados de certos ativistas.

6 – No fim das contas com essa história de depredar e vandalizar estátuas dedicadas a pessoas mortas há muitos séculos, como é o caso de Borba Gato (assim como os manifestantes chilenos do ano retrasado fizeram quando derrubaram a estátua de Francisco de Aguirre e em seu lugar ergueram a estátua cafona dedicada à mulher diaguita), e achar que no lugar devem ser erguidas estátuas dedicadas a figuras da história indígena e negra brasileira, o que eles farão é a mesma coisa que vandalizar e derrubar a estátua do Freeza ou do Rei Cold e no lugar substituí-la pela estátua do Rei Vegeta ou do Bardock, fazendo uma analogia com Dragon Ball.

Em Dragon Ball, vimos no GT o Baby conduzir uma vingança contra os saiyanos por conta do que ocorreu aos tsufurianos no tempo em que os saiyanos, liderados pelo Rei Vegeta III (o pai do Vegeta que nós conhecemos muito bem), tomaram o controle do Planeta Plant para si após uma guerra que se arrastou por 10 anos e o rebatizaram em honra de seu rei, e detalhe: esses eventos aconteceram antes mesmo de conhecerem e se aliarem a Freeza. Ao que tudo indica o enredo da saga Baby em Dragon Ball GT foi inspirado em uma obra que fez muito sucesso no Japão nos anos 1980 e 1990, Teito Monogatari, que conta a respeito do intento vingador do feiticeiro das sombras Kato Yasunori, que almeja vingar-se do Japão pelo que ocorreu ao povo ainu desde que a Corte de Yamato chegou ao arquipélago japonês.

Foto – Rei Vegeta sobre uma cidade tsufuriana devastada (Dragon Ball GT).

O sucesso da obra de Hiroši Aramata no Japão foi tamanho que adaptações tanto em anime quanto em filme live-action foram feitas, além do fato de Kato ter inspirado inúmeros personagens na cultura pop japonesa, sendo M. Bison (originalmente Vega), o vilão-mor da franquia de jogos de luta Street Fighter, o mais famoso e icônico de todos eles.

E agora no mangá do Super (que provavelmente ganhará uma adaptação em anime em questão de anos) temos a vingança conduzida por Granola contra os saiyanos e o Freeza por conta do massacre dos cerealianos (com os heeters, obviamente, manipulando Granola a seu favor), ocorrido no tempo em que os saiyanos (valendo-se da habilidade de se transformarem em macacos gigantes por meio da lua cheia) ainda estavam a serviço do Imperador do Universo. E detalhe: no massacre dos cerealianos, pelo que os capítulos do mangá mostram, lá estava presente Bardock, o pai de Goku e Raditz, avô paterno de Gohan e Goten e bisavô de Pan.

Sabe-se que esse tipo de coisa (assim como muitas outras que não prestam) vem de universidades e centros acadêmicos das grandes cidades, os quais adoram copiar os modismos vindos da Europa e dos Estados Unidos e, possivelmente, não raro bancados por dinheiro de fora (quem sabe uma graninha do senhor Soros aqui e acolá...).

Vocês, que julgam pessoas que viveram entre os séculos XVI a XVIII segundo os padrões morais atuais (diga-se de passagem, os bandeirantes, antes de tudo, foram homens de seu tempo), passam tábula rasa na história brasileira com toda essa forma maniqueísta de analisa-la (o negro e o índio são bons, enquanto que o português é o demônio encarnado, pensam vocês), acreditam em coisas como mito do bom selvagem e outras tantas lendas negras a respeito da colonização ibérica das Américas e reproduzem acriticamente tais ideias como se fossem papagaios (além de acharem que a dinâmica de relacionamento entre negros, brancos e indígenas aqui no Brasil segue o mesmo padrão dos Estados Unidos), imaginem que a estátua do Borba Gato seja derrubada e em seu lugar seja erguida uma estátua dedicada a uma grande liderança indígena da época. Como por exemplo, uma liderança indígena da tribo dos tupis que se destacou quando os tupis desalojaram os tapuias da costa brasileira, a partir do século XI.

Vocês, que acham erradas tais homenagens por conta dos massacres que os bandeirantes cometeram no tempo em que viveram, me digam uma coisa: qual seria o sentimento que um descendente dos tapuias que no passado foram massacrados pelos tupis lá no tempo de Erik o vermelho e Leif Erikson teria, caso visse nas ruas de importantes cidades brasileiras como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador um monumento dedicado a uma liderança tupi daquele tempo (cujos nomes se perderam nas areias da história)? Certamente, o mesmo sentimento que o Baby teria caso visse uma estátua do Rei Vegeta, ou o Granola ou um sobrevivente do massacre do planeta Kanassa (mostrado no OVA “Bardock: o pai de Goku”) caso visse uma estátua do Bardock em algum planeta perdido no Universo. Sentir-se-ia no mínimo muito desconfortável e incomodado com tal homenagem. Resumindo a ópera: aquele que é vencido e conquistado de hoje é, muitas vezes, o conquistador de ontem.

E se acham que vão derrubar o Bolsonaro derrubando estátuas de bandeirantes como Borba Gato e tantos outros, sinto muito, mas é hora de vocês tirarem o cavalinho da chuva, pois é mais fácil o Madureira vencer o Barcelona ou o Bayern de Munique na final do Mundial de Clubes. Ele não só irá se reeleger ainda no primeiro turno das eleições de 2022 como também irá estabelecer uma dinastia no Brasil, e isso a despeito de todos os escândalos envolvendo o governo dele, caso continuem a agir dessa maneira.

Foto – Granola, o vingador (imagem colorizada).

Fontes:

Borba Gato ardeu nas chamas – Eduardo Bueno. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=9fGmV9LU4xs

Borba Gato: um bandeirante muito concreto. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=UKHK80py4qo

Estátua de Borba Gato é incendiada em São Paulo. Disponível em: Estátua de Borba Gato é incendiada em São Paulo | SP | G1 (globo.com)

História do Brasil: os 500 anos do país em uma obra completa, ilustrada e atualizada. São Paulo: Folha de São Paulo, 1997.

Quem foi Borba Gato? Estátua de bandeirante foi alvo de ataque em 2016. Disponível em: Quem foi Borba Gato? Estátua incendiada já foi alvo de ataque em 2016 (uol.com.br)

Tupis. Disponível em: Tupis – Wikipédia, a enciclopédia livre (wikipedia.org)

NOTA:

[1] Termo usado nas sagas nórdicas para se referir aos povos que os escandinavos encontraram na Groenlândia e no Canadá a partir dos séculos X e XI.

quinta-feira, 1 de abril de 2021

Freeza e Rei Vegeta, parte II

Foto – Freeza e Rei Vegeta.

Navegando pela Internet, descubro uma notícia do ano passado na qual uma estátua de Júlio César na Bélgica foi vandalizada. Na ocasião em questão, a estátua de Júlio César em Bruxelas foi decapitada e sua lança retirada, além de na base dela ter sido pichada a palavra “krapuul” (crápula, em português). Eles pelo visto acham que estão no século I antes de Cristo e são o Asterix e o Obelix resistindo ao avanço romano sobre a Gália bebendo as poções de druidas e se alimentando com carne de javali...

Primeiro de tudo, eu gostaria de aproveitar esse momento em que no mangá de Dragon Ball Super está sendo publicada uma saga, a saga do sobrevivente espacial (que promete revelar muita coisa sobre o passado dos saiyanos e de Freeza), cujo antagonista principal (pelo menos até agora – capítulo 70) pertence a um povo que foi vítima de um massacre levado a cabo pelos saiyanos antes destes serem exterminados pelo Freeza e assim dar continuidade à primeira parte do artigo. Ou seja, Dragon Ball também é cultura.

Ao que tudo indica, tais vândalos teriam pichado e vandalizado a estátua de Júlio César por conta das ações dele na Gália (atual França) nos anos 50 antes de Cristo, durante as guerras da Gália. Como dito na primeira parte, quem faz esse tipo de vandalismo geralmente não se dá conta de que, por exemplo, aqueles que foram destroçados por seus algozes não tiveram seus dias de conquistadores. E os celtas são um bom exemplo disso.

Falemos um pouco sobre o passado de conquistadores dos celtas, de antes destes serem vencidos e submetidos pelos romanos.

Foto – Mundo celta por volta de 250 antes de Cristo.

Em seu apogeu, os celtas se expandiram por grande parte da Europa, da Escócia a Península Ibérica e da Irlanda a Turquia ocidental, já em território asiático. Tal expansão, obviamente, não se deu por meios pacíficos, e sim promovendo guerras de conquista e pilhagem sobre os povos e culturas que viviam anteriormente nesse espaço geográfico, os quais depois de conquistados viriam a ser absorvidos pelos celtas.

Por causa dessa expansão toda, existe na Península Ibérica, entre o norte de Portugal e o noroeste da Espanha, uma região chamada Galícia (em espanhol Galiza – onde se situam cidades como Vigo, La Coruña, Lugo, Ferrol, Pontevedra e Boiro), a passo que na Turquia ocidental existe uma região chamada Galácia (que corresponde à atual província turca de Yozgat). Possivelmente, também vêm dessa mesma raiz céltica os nomes de Galaţi na Romênia e da região da Galicia entre a Polônia oriental e a Ucrânia ocidental. E na própria Bíblia Sagrada, mais precisamente no Novo Testamento, há uma parte dedicada aos habitantes da Galácia, os gálatas, mais precisamente no nono livro, a Epístola aos Gálatas, redigida pelo apóstolo Paulo aos cristãos da região da Galácia.

Por causa dessa expansão toda a partir do século VI antes de Cristo existem topônimos celtas tanto nas ilhas Britânicas, quanto na França, na Península Ibérica e até mesmo na Romênia e na Turquia. Começa pelo fato de que os romanos chamavam o atual norte da Itália de Gália Cisalpina, ao passo que a atual França era chamada de a Gália Transalpina (além dos Alpes). Até mesmo no futebol tais topônimos podem ser encontrados: na Espanha temos o Celta da cidade de Vigo, um time mediano do noroeste da Espanha cuja melhor participação na La Liga foi um quarto lugar na temporada 2002/2003 e no qual o meia Mazinho (campeão com a seleção brasileira na Copa do Mundo de 1994) jogou entre 1996 a 1999, ao passo que na Escócia temos o Glasgow Celtic, um dos mais tradicionais times da Escócia, campeão da Liga dos Campeões da Europa da temporada 1966/1967 e que junto com o Glasgow Rangers é uma das principais forças do futebol escocês, assim como muitos outros times das Ilhas Britânicas de menor expressão e notoriedade tanto ativos quanto defuntos. Fora da Europa, temos na África do Sul temos o Bloemfontein Celtic F. C, um time mediano cujo melhor desempenho na Liga sul-africana de futebol foi um quinto lugar nas temporadas 2010/2011 e 2012/2013. E até mesmo na NBA há um time céltico, o Boston Celtics, um dos principais times da liga norte-americana de basquete, da qual foi campeão 17 vezes.

Um dos povos com os quais os celtas viriam a entrar em atrito foi justamente com a nascente República Romana (509 – 27 a.C.). Vários foram os atritos que a República Romana teve que travar com os grupos celtas estabelecidos no norte da Itália, e um deles se deu por volta de 390 a.C., quando Roma foi saqueada e pilhada por um exército liderado pelo gaulês Breno.

Foto – Busto de Breno o senônio, o chefe gaulês que liderou o saque de Roma em 390 antes de Cristo, no museu da marinha francesa em Toulouse.

No século XIX, mais precisamente em 1893, tal episódio veio a ser retratado pelo pintor francês Paul Jamin em um de seus trabalhos artísticos, “Breno e sua parte dos espólios”, na qual vemos o chefe gaulês adentrar em uma casa romana e nela ver cinco garotas cativas nuas e mais alguns itens dourados a serem pilhados.

Naquela ocasião, Breno liderou um do vários grupos gauleses, os senônios, até Clusium na Etrúria. Roma enviou um exército para detê-lo, que foi vencido na Batalha de Allia, travada próxima à Cidade Eterna. Como resultado da derrota, Roma ficou a mercê dos invasores, a maioria dos senadores foi morta e apenas o Capitólio foi capaz de resistir.

No norte da Itália, outros enfrentamentos entre romanos e gauleses ocorreram em 302, 298 a 290 antes de Cristo (Terceira Guerra Samnita), 284, 225, 223 e 193 antes de Cristo, ainda na Gália cisalpina (atual norte da Itália). Depois que Roma submeteu e conquistou os grupos gauleses do atual norte da Itália, os enfrentamentos galo-romanos se deslocaram para a atual França. Os enfrentamentos na Gália Transalpina se prolongaram até a guerra de 58 a 50 antes de Cristo conduzida por Júlio César, vencida por Roma e que levou à destruição final do poder céltico na atual França. Após a morte de Júlio César em 44 antes de Cristo, Otávio Augusto destruiu na Ibéria os últimos remanescentes do poder celtibero estabelecido onde hoje é as Astúrias e a Cantábria entre 29 a 19 antes de Cristo, ao passo que na Inglaterra Roma destruiu o poder céltico local entre os anos 43 e 87.

Foto – “Breno e sua parte dos espólios”, pintura do pintor francês Paul Jamin (1853 – 1903), 1893.

Cabe aqui também citar que durante a Segunda Guerra Púnica, os gauleses viriam a apoiar e a ingressar as fileiras dos exércitos de Aníbal Barca que invadiram Roma a partir de 218 antes de Cristo.

Outro episódio digno de nota do passado de conquistadores dos celtas é a invasão céltica aos Bálcãs entre 281 e 279 antes de Cristo. De suas bases na Ilíria e na Panônia (atuais Croácia e Hungria, respectivamente), um exército gaulês invadiu a Macedônia e se dividiu em três grupos: um ao leste, sob a liderança de Cerétrio, que atacou a Trácia e derrotou os tribalos e getas; um ao centro, sob a liderança de Breno e Acicorio, que atacou Peônia; e um ao oeste liderado por Bolgios (líder supremo dos celtas), que atacou os macedônios e ilírios. Em decorrência desse enfrentamento, veio a falecer o rei macedônio Ptolomeu Cerauno. Ptolomeu Cerauno é sucedido por um líder chamado Sóstenes, que reuniu um exército e expulsou os celtas. Veio a ser vencido e morto pelos mesmos celtas em 279 antes de Cristo, e estes saquearam toda a Macedônia com exceção das cidades fortificadas.

Segundo historiadores gregos, os celtas, ao tomarem conhecimento das grandes riquezas gregas, reuniram um exército de 150 mil infantes e 15 mil ginetes sob a liderança de Breno e Acicorio e após avançarem na direção do Mar Jônico atacou a região da Tessália na Grécia (à época sob o controle da dinastia antigônida e fragilizada pelas guerras dos diáconos que emergiram após a fragmentação do Império de Alexandre). Uma coalização de cidades gregas, sob a liderança de Cálipo de Siracusa, se opôs ao avanço gaulês, e pesadas perdas foram infligidas aos invasores em enfrentamentos em Termópilas, no monte Eta e em Delfos.

Como resultado das derrotas para os gregos, o exército celta se desfez e Breno se suicidou, com pequenos grupos de celtas conseguindo voltar ao norte da Macedônia.

Depois de vencidos na Tessália e em Delfos, uma parte dos gauleses cruzou o Mar Egeu e pilhou as áreas costeiras do lado asiático, até que os habitantes de Pérgamo os combateram e os expulsaram da costa. Isso forçou os gauleses a se dirigirem para a região além do rio Sangário, onde tomaram a cidade de Ancira. Alguns dos sobreviventes da campanha grega, sob a liderança de Comontoris (general de Breno) se estabeleceram na Trácia em 277 antes de Cristo, ao passo que outro grupo gaulês foi transportado para a Ásia Menor por Nicomedes I para ajuda-lo a vencer seu irmão e assegurar o trono da Bitínia. Eles se assentaram na região, que passou a ser conhecida como Galácia.

Mas, com toda essa explanação sobre o passado pregresso de conquistadores dos celtas de antes deles terem sido conquistados pelos romanos, aonde você quer chegar, alguém me perguntará? Muito simples, mostrar às pessoas que o discurso dessa gente da Black Lives Matter e outras organizações do tipo não só é anacrônico e não leva em conta as realidades históricas pregressas, como também não faz sentido, como também mostrar toda a hipocrisia e o falso moralismo que permeia o discurso dessa gente. A julgar pela retórica desses tipos, eles pensam que a escravidão na Grécia clássica, na Roma Antiga, no Islã Medieval e na África pré-moderna funcionava do mesmo jeito que na América colonial.

Gente essa que, ao que tudo indica, não sabe quem foi Breno o senônio e muitos menos sobre as incursões celtas sobre Roma. E também, pegando carona na temática da nova saga do mangá de Dragon Ball Super (que dentro de alguns anos certamente ganhará uma versão animada), não se dão conta de que o conquistado de hoje pode muito bem ser o conquistador de outrora.

No Chile, nas manifestações de 2019, estátuas de conquistadores espanhóis e generais chilenos do século XIX foram derrubadas e em alguns casos substituídos por estátuas cafonas que homenageiam povos como os mapuches e os diaguitas. Isso seria o mesmo que no caso europeu, em um próximo rompante de vandalismo a monumentos a históricos, estátuas dedicadas a Júlio César, Otávio Augusto, Cláudio e outras grandes figuras da história romana venham a ser derrubadas e na sequência substituídas por estátuas que glorifiquem figuras como o general cartaginês Aníbal Barca (vencido por Roma ao término da Segunda Guerra Púnica), ou mesmo Breno o senônio e Vercingetorix, o chefe gaulês que foi vencido por Júlio César na guerra de 58 a 50 antes de Cristo.

É evidente que na lógica maluca desses militantes de organizações como a Black Lives Matter e outras do gênero, assim como dos vândalos chilenos de 2019 e daqueles que picharam o monumento às bandeiras e a estátua de Borba Gato (ambas em São Paulo) e eventualmente querem que elas sejam substituídas por estátuas que homenageiam os povos indígenas que viviam no Brasil antes da chega dos portugueses, povos como os etruscos, cartagineses, os celtas e outros vencidos e conquistados por Roma, assim como no caso sul-americano povos vencidos pelos portugueses e pelos espanhóis como os incas, os astecas, os tupis, os guaranis, os mapuches, os diaguitas e outros são dignos de todas as homenagens possíveis e imagináveis, enquanto que romanos, espanhóis e portugueses não, estes devem arder no mármore do inferno por meio de uma grande campanha de cancelamento sumário nas mãos do tribunal politicamente correto deles.

Ou seja, fazendo uma analogia com Dragon Ball, o Rei Vegeta pode ser homenageado apesar de ter aniquilado os tsufurianos durante a conquista do Planeta Plant (depois renomeado como Planeta Vegeta), mas o Freeza, por ter dizimado os saiyanos e outros povos, não. Ou seja, pode-se homenagear o conquistador provinciano, mas não o grande conquistador. Sendo que tanto um quanto o outro foram conquistadores que impuseram sua vontade na base da força e não tiveram o menor pudor em derramar sangue para isso. E o fato de o conquistador provinciano ter sido derrotado e morto pelo grande conquistador não muda o fato de que o conquistador provinciano também é um conquistador que derramou sangue para atingir seus intentos. Mas, infelizmente, a militância politicamente correta de grupos como a Black Lives Matter, do alto da burrice, da ignorância e do analfabetismo político deles, não entende e nem enxerga isso.

E vamos supor, em um cenário hipotético, que uma vítima das conquistas desses povos todos que depois foram conquistados por Roma ou pelos Impérios coloniais Português e Espanhol é revivida nos dias de hoje e se vê diante de um monumento dedicado a tais figuras. Se, por exemplo, uma vítima da incursão de Breno a Roma em 390 a.C. se visse diante de um monumento dedicado ao chefe celta erguido no lugar de um monumento dedicado a Júlio César ou a Otávio Augusto ou se uma vítima do avanço diaguita em tempos distantes se visse diante da estátua cafona colocada no lugar da estátua de Francisco de Aguirre no Chile, uma coisa é certa: teria um sentimento similar ao que o Granola teria caso em algum planeta visse uma estátua dedicada ao Bardock, um dos líderes saiyanos que comandaram expedição a destruição do planeta Cereal (o mesmo Bardock que depois foi morto por Freeza quando este lançou a Supernova no Planeta Vegeta). Ou se o Baby visse uma estátua dedicada ao Rei Vegeta (que também foi morto por Freeza quando este destruiu o Planeta Vegeta). Não ia gostar nem um pouco da brincadeira.

Foto – “Vercingetorix abaixa suas armas aos pés de Júlio César”, pintura do francês Lionel Royer (1852 – 1926).

Fontes:

Battle of Alia. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Battle_of_Allia (em inglês).

Celtic. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Celtic (em inglês).

Celtic lives matter? Julius Caesar statue vandalized in Brussels, locals question motive. Disponível em: https://www.rt.com/news/491886-caesar-statue-vandalized-belgium/ (em inglês).

Celtic settlement of Southeast Europe. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Celtic_settlement_of_Southeast_Europe (em nglês)

Os antifas querem lobotomizar os povos! Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=_7eMS_976E8&t=3s&ab_channel=NovaResist%C3%AAnciaNR

Roman-Gallic wars. Disponível em: https://en.wikipedia.org/wiki/Roman-Gallic_wars (em inglês)

domingo, 28 de março de 2021

O caso Pepe Le Pew e a serpente do politicamente correto, parte III

 

MENSAGEM DE PEPE LE GAMBÁ AOS CANCELADORES DELE (ESCRITA POR MIM)

(É primavera. Vemos Pepe Le Gambá andar por um campo florido e mais uma vez demonstrando o romantismo típico dele. Como de praxe, ele irá atrás da gata Penélope com a intenção de flertá-la).

Ah, l’amour, le sentiment plus noble de tous! Comme c’est beau et sublime l’amour! L’amour, le sublime amour! L’amour, le romantisme, fles fleures, le perfume de printemps, comme est bèlle la vie!

(De repente, um bando de militantes da Black Lives Matter aparece na frente dele, sentenciando-o um cancelamento sumário. Um deles o agarra com força e tenta fugir, mas em vão. Detalhe: nenhum desses militantes é negro, todos eles são brancos)

Mas espere, o que? Mas o que est isto? Vous... querem me cancelar? Je ne entendo... mais afinal, quem quer me cancelar e por qual motivo, razão ou circunstância?

(os militantes da Black Lives Matter explicam a situação ao gambá galanteador e os motivos pelos quais ele está sendo cancelado. Logo é a vez do gambá francês responder às acusações imputadas a ele)

Enton es isso, vous querem me cancelar parce que je supostamente estimulo une tal de “culture de le râpé”. Só parce que je suis um gambá très romantique et que gosta de mostrar et compartilhar mon romantisme con mes amadas, em especial la gata Penélope.

Je suis un gambá très romantique, et je ne entendo, como que vous podem ser très estúpidos et odiosos. Na verdade, je ne compreendo vous, que parler muito sur un monde très justo, sans haine, sans racisme, sans homofobie, sans chauvinisme et outres plaies, quando vous ne têm le menor pudor em me atacar por causa de moins aventures romantiques.

Je tenho pena de vous. Vous sont une bande de idiotas que ne sabem de nada sur la vie. Olhem para vous que querem me cancelar. Se je suis machiste et estimulo la famigerada « culture de le râpé”, o que dizer de vous? Vous, non raro, passam o pano para les actes de estupradores, assassines et autres persones ignobiles. Fizeram passeatas por causa de la mort d’un homme avec une extensa ficha criminal, George Floyd. Mais problème c’est je, por le fact de que je flerto la gata dans un dessin animé. Vous non têm moral par parler sur mim! Nenhuma moral, seus odiosos! Vous exalam haine et hypocrisie!

Comme vous querem un monde plus justo et sans cettes plaies estimulando plus haine, plus hypocrisie, plus discorde, plus chaos? Na verdade, o que ils fazem est le même que lavar sang avec sang! Et quando se lava sang avec sang, la sujeira non est limpa et fica dans le même place.

Vous son piores que les politiciens de l’extrême droit que vous criticam e dizem odiar! Ils valem plus que vous! Vous son verdaderos loups em pele de cordeiro, alors que ils son loups assumidos. Vous son piores parce que fazem les mêmes coisas que ils fazem, mais disfarçam isto avec  belle rhétoriques sur droits de l’homme et autres similaires!

Et est isso que vous querem, troupeau d’hypocrites? Vous podem me cancelar hoje, mas lembrem-se das palavras que lhes digo agora: vous estão para soltar a fera. Hoje a fera é inofensiva et mesmo graciosa, mas avec le tempo elle crescerá et se tornará cada vez mais feroz et faminta et irá devorá-los cedo ou tarde. Lembrem-se: quem avec ferro cancela, avec ferro será cancelado.

(Infelizmente, as palavras de Pepe Le Gambá não sensibilizam seus carrascos, de tão possessos que eles estavam. Em seguida, Pepe Le Gambá é crucificado e incinerado pelos militantes da Black Lives Matter. E assim, Pepe Le Gambá é levado ao martírio e morto a sangue frio por tais sujeitos. Dessa forma que se deu o cancelamento de Pepe Le Gambá. Mas jamais nos esqueceremos de você, Pepe. Você que tanto nos alegrou e nos divertiu).

RIP Pepe Le Gambá (1945 – 2021)

terça-feira, 16 de março de 2021

O caso Pepe Le Pew e a serpente do politicamente correto, parte II.

 

Foto – Pepe Le Gambá (1945 – 2021).

Navegando pelo VK esses dias, me deparo com duas notícias abaixo, ambas encontradas na comunidade Medved’ Gomofob/Медведь Гомофоб:

Foto – O novo dicionário inclusivo da Grace Church School, de Nova York: uma novilíngua de fazer inveja a George Orwell e ao Grande Irmão de 1984.

Segundo notícias publicadas na Fox News uma escola de Nova York, a Grace Church School, vai começar a ensinar um “novo idioma inclusivo” às crianças, no qual não haverá “mamãe”, nem “papai”, “garotos”, “garotas” e “Natal”. Segundo a notícia em questão, a atual administração da escola considera tais palavras ofensivas. Ao mesmo tempo, na instituição escolar há um clube LGBT para alunos do quinto ano e aulas de transexualismo para alunos do sexto ano.

É isso mesmo que vocês leram. Uma escola nova-iorquina irá exigir de seus professores não utilizar mais palavras como “mamãe” e “papai”. Ao que parece, a direção da escola acha que tais palavras podem invocar certos sentimentos que (potencialmente) desagradam a algumas pessoas. Assim, no lugar de “mamãe” e “papai”, deve-se dizer palavras como “adultos”, “parentes” e “família”. E no lugar de “Feliz Natal” – “boas festas!” ou “Bom descanso!”.

Como podemos ver, é uma linguagem no mínimo paradoxal: sob o pretexto de incluir grupos sociais minoritários, promovem a exclusão da ampla maioria da população, a ponto de transformar palavras como “pai” e “mãe” em verdadeiras ofensas.

Mas, a meu ver, o pior dessa história toda não é a iniciativa da escola nova-iorquina por si mesma (que já é medonha e absurda e que no fim das contas só irá gerar cada vez mais antipatia quanto a homossexuais e outros grupos sociais minoritários – e assim jogar toda essa gente indignada com tais medidas no colo de políticos como Trump, Salvini e Marine Le Pen): é acontecer de a moda vingar, se alastrar pelo mundo e chegar às escolas brasileiras (lembremos que na Terra Brasilis já houve o caso de um estabelecimento escolar do Rio de Janeiro que lançou uma iniciativa similar no que tange ao famigerado gênero neutro).

Foto – Senadora dos EUA: Experiências de sexo desde a pré-escola; penhor da futura prosperidade da América (traduzido do russo).

Também na mesma página do VK, encontrei a notícia acima (do New York Post). Conta que senadora de Nova York pelo Partido Democrata, Samra Brouke, que elaborou um projeto de lei que exige a adoção por parte das escolas públicas de padrões de educação sexual, elaborados pelo SIECUS (Conselho da Informação e Instrução Sexual dos EUA; Sexuality Information and Educational Council of the United States na sigla em inglês).

Sobre o projeto de lei em questão, a senadora pelo Partido Democrata disse as seguintes palavras: “Eu estou muito preocupada com o inaceitável alto nível de violências em relações, de assédios e ataques sexuais, assim como de publicações online na nossa sociedade moderna. Nós devemos dar à próxima geração os hábitos e a educação necessários para seu florescimento”, ela disse.

Ainda segundo a notícia trazida pelo New York Post, “os padrões da SIECUS exigem um ensino da “identidade de gênero” das crianças a partir dos cinco anos e sugerem o uso de bloqueadores hormonais para transgêneros a partir dos oito anos. Por volta dos 11 anos as crianças devem receber informação minuciosa sobre “sexo vaginal, oral e anal”, assim como também aprender um grande número de identidades de gênero, incluindo o terceiro sexo, assexuais e pansexuais”.

Fora do VK, me deparei com a notícia de que querem também cancelar uma ilustre e icônica personagem do seriado Chaves (El Chavo del Ocho no original), a Dona Clotilde (interpretada pela espanhola Angelines Fernández e dublada no Brasil por Helena Samara nos episódios clássicos e por Isaura Gomes em episódios mais recentes), a bruxa do 71, por ela constantemente dar em cima do Seu Madruga (e o curioso é que na vida real Ramón Valdez e Angelines Fernández eram amigos bem próximos e estão enterrados no mesmo cemitério na Cidade do México).

Foto – Dona Clotilde e Seu Madruga (originalmente Don Ramón).

Quem mais será que vão cancelar mais adiante? O Hayate/Change Griphon do Changeman, notório por suas malfadadas tentativas de paquerar as garotas (em especial figurantes) do nono seriado Super Sentai? Ou quem sabe o Cavaleiro Ladrão Kiroz, o vilão de meio de série de Maskman, que abordou a Princesa Ian de maneira grotesca quando tentou conquista-la (e que queria desposá-la a todo custo)? O Mirok de Inuyaša, com seus pedidos de casamento para toda garota que encontrava e seus periódicos toques nas partes íntimas da Sango? O Oolong e o Mestre Kame, notórios e inveterados mulherengos do universo Dragon Ball? O Jiraya de Naruto, outro mulherengo do mesmo naipe do Mestre Kame? O James Bond, que a cada filme paquera no mínimo umas duas ou três garotas (e filme do James Bond sem Bond Girls não é filme do James Bond, diga-se de passagem)? Ou quem sabe o Borat pela cena em que tentou raptar a Pamela Anderson com um saco no final do primeiro filme, intentando casar com ela segundo os costumes da gloriosa nação do Cazaquistão?

Agora estamos vendo no que a frouxidão da Warner quanto ao gambá francês está levando: os canceladores de plantão estão dobrando a aposta. Após o cancelamento do Pepe Le Gambá, também falaram em cancelar o Ligeirinho e a Felícia dentre os personagens do universo Looney Tunes. E quanto mais empresas como Warner baixarem a cabeça para tais sujeitos, a sanha deles não vai ser saciada. Pelo contrário, irá aumentar cada vez mais e as apostas com o tempo serão duplicadas, ou mesmo triplicadas. Psicologia básica: eles querem a tua mão agora para lá na frente pegar o teu pescoço e te matar.

Tais notícias são uma mostra do quanto há de hipocrisia no caso envolvendo o cancelamento do Pepe Le Gambá. Um caso que não só me enoja profundamente, como também, diga-se de passagem, diz muito mais não sobre o personagem criado por Chuck Jones nos anos 1930, mas sobre quem são aqueles que o cancelam no presente momento.

Enoja-me profundamente só de ver que esses mesmos que cancelam o icônico personagem do Looney Tunes são os mesmos que devem achar lindo o Felipe Neto (vulgo garoto colorido) expor crianças (o público-alvo dele, diga-se de passagem) a conteúdos nem um pouco adequados a elas tanto na Internet quanto em revistas e a Disney, entre outras coisas, mostrar beijos entre dois homens em desenhos destinados ao público infanto-juvenil como Star vs as forças do mal. Mas ao mesmo tempo o Pepe Le Gambá não pode flertar a Penélope no desenho de mais de 50 anos atrás (e se dar mal a cada tentativa). Mas, como para os lacradores de plantão o Felipe Neto e a Disney são do time deles, ambos têm carta branca para fazerem o que quiserem. Dois pesos, duas medidas. Lacrar ou não lacrar, eis a questão.

Esse é o mar de hipocrisia, anacronismo e estupidez daqueles que clamam pelo cancelamento de icônicos personagens fictícios que não se ajustam ao pensamento politicamente correto dos dias de hoje. Tempos sombrios esses em que vivemos, nos quais um bando de canceladores que atuam em redes sociais querem cancelar até mesmo personagens fictícios sob a alegação de que eles promovem coisas como aquilo que eles chamam de “cultura do estupro”, ao mesmo tempo em que fecham os olhos para coisas tão ou mais medonhas e pavorosas feitas por aqueles que fazem parte do time deles.

Para eles sexualização precoce de crianças e exposição de crianças a materiais que poderiam muito bem ser classificados como +18 é ok, assim como escolas lançando novilíngua bem ao estilo 1984 na qual não apenas o famigerado gênero neutro é introduzido com a intenção de atender aos caprichos de um bando de Napoleões de hospício, como também é proibido se falar em pai, mãe, garoto e garota. Mas, ao mesmo tempo, é errado um gambá flertar a gatinha no desenho.

E o que é pior: os famigerados Social Justice Warriors (SJW, na sigla em inglês) fazem isso tudo em nome da famigerada tolerância e da diversidade e do combate ao fascismo (um fascismo em grande parte abstrato e que não passa de um grande espantalho criado por eles, diga-se de passagem), à homofobia, ao racismo e outros males, assim como à famigerada “masculinidade tóxica” (outro espantalho que eles criam) que essa gente ventila aos quatro ventos. Verdadeiros tolerastas, diga-se de passagem.

Fontes:

Без “мамы” и без “папы” – школа в Нью-Йорке предлагает ученикам новый лексиком (em russo). Disponível em: https://russian.rt.com/inotv/2021-03-13/Fox-News-bez-mami-i

Dossiê Felipe Neto – Tudo o que você precisa saber [+18]. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=0_VmpolKbQ8

Escola do Rio adota “linguagem neutral” em vocabulário: “querides alunes”. Disponível em: https://www.metropoles.com/brasil/escola-do-rio-adota-linguagem-neutra-em-vocabulario-querides-alunes

Manhattan private school warns against using ‘mom and dad’ in ‘inclusive language’ schools (em inglês). Disponível em: https://www.foxnews.com/us/manhattan-private-school-mom-dad

Nas redes sociais, movimento pede o ‘cancelamento’ da Dona Clotilde, a Bruxa do 71 do Chaves. Disponível em: https://extra.globo.com/noticias/page-not-found/nas-redes-sociais-movimento-pede-cancelamento-de-dona-clotilde-bruxa-do-71-de-chaves-24925409.html?fbclid=IwAR37mWKc_gUrIjzZoDOUeszve6CrxrEPGyNd-XtDQMEYMY7f2cET9QieyQs

O livrão do Felipe Neto e o conteúdo SEXUAL para crianças! Denunciado no Ministério Público. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=hGFp114A-z8

quarta-feira, 10 de março de 2021

O caso Pepe Le Pew e a serpente do politicamente correto.

 

Foto – Pepe Le Pew (1945 – 2021).

Recentemente, a Warner anunciou que o clássico personagem Pepe Le Pew, pertencente ao universo Looney Tunes, não vai mais aparecer no filme Space Jam 2. O conglomerado do mundo do entretenimento tomou essa decisão depois que foi publicado no The New York Times um artigo assinado pelo colunista Charles M. Blow, no qual o dito cujo problematiza diversos personagens de animações clássicas e afirmou que o gambá faz apologia e normaliza a famigerada “cultura do estupro”.

Como veremos abaixo, esse é um tema que se liga diretamente com o que foi abordado no artigo anterior, “Freeza e Rei Vegeta”.

Pepe Le Pew (também conhecido como Pepe Le Gambá) é um personagem que foi concebido por Chuck Jones em 1930 e animado pela primeira vez 15 anos mais tarde. Pertence ao universo Looney Tunes, e era famoso por seu estilo galanteador, pois o gambá francês vivia tentando conquistar a gata Penélope depois que esta, de forma acidental, teve suas costas pintadas com uma faixa branca, no que fez Pepe Le Pew a confundi-la com uma gambá fêmea. Originalmente, foi dublado por Mel Blanc (e depois do falecimento deste em 1989 recebeu outras vozes), enquanto que no Brasil recebeu as vozes de dubladores como Waldyr Sant’anna, Ary de Toledo, Milton Luís e Guilherme Briggs.

Antes da polêmica em questão, o gambá teria uma pequena participação em Space Jam 2 (que irá estrear em julho e será protagonizado por LeBron James, também produtor do filme). A aparição dele no filme em questão se  daria da seguinte forma: ele apareceria como um barman que tenta seduzir uma cliente no balcão (interpretada pela atriz brasileira Greice Santo – que ficou muito chateada e desapontada com a exclusão dessa cena). Irritada com o flerte, ela se afasta, joga a bebida no rosto dele e aplica uma tapa na cara dele. Na sequência, Pernalonga e LeBron aparecem para ajuda-lo.

A coisa chegou a tal ponto que a Warner decidiu produzir mais nada envolvendo esse clássico e icônico personagem. E não foi só o gambá francês que foi alvo dessas polêmicas. Também sobrou para outro personagem clássico dos desenhos Warner: o mesmo Charles M. Blow também acusou o Ligeirinho de supostamente estereotipar os mexicanos como bêbados e letárgicos. O dublador oficial do personagem no filme, Gabriel Iglesias, respondeu a tal acusação com o seguinte tweet: “Eu sou a voz do Ligeirinho no novo Space Jam. Será que isso significa que eles irão tentar cancelar a Fluffy também? Você não irá me pegar, ‘cultura do cancelamento’. Sou o camundongo mais rápido em todo o México”.


Foto – Tweet de Gabriel Iglesias sobre a polêmica envolvendo o Ligeirinho (originalmente Speedy Gonzalez).

Quer dizer, hoje cancelam dois icônicos personagens que já têm mais de meio século de história. E amanhã, quais serão as próximas vítimas dessas militâncias politicamente corretas estilo Black Lives Matter e desses justiceiros de Twitter, do alto de sua estupidez e burrice ideológica?

O que podemos concluir a respeito desse caso? A meu ver, é uma questão que tem tudo haver com o clima político-social que os Estados Unidos vivem desde a morte de George Floyd e toda a comoção que o caso gerou (obviamente direcionada no sentido de forçar a uma mudança de regime nos EUA e assim colocar na Casa Branca um representante orgânico do Deep State norte-americano – em outras palavras, uma politicagem em essência idêntica àquela feita contra Lula no Brasil em 2018).

Primeiro de tudo, que certamente não foi só por causa dos comentários do colunista em questão que a Warner tomou a atitude que tomou. Essa, talvez receosa de receber pressões vindas de outros canceladores de plantão (que certamente têm suas costas quentes), resolveu cancelar o icônico personagem. Quando na verdade o que a produtora deveria ter feito é o contrário: afirmar o personagem, pois será questão de tempo esses canceladores de plantão resolverem dobrar, quiçá triplicar a aposta, e fazer o mesmo com outros personagens não só da Warner, como também de outras produtoras. E ai a coisa entra em um círculo vicioso no qual as artes sofrerão uma verdadeira castração politicamente correta.

E segundo que a lógica do cancelamento de personagens como o Pepe Lew e o Ligeirinho é em essência a mesma vista na derrubada de estátuas e monumentos vista nas manifestações que se seguiram à morte de George Floyd. Ou mesmo no linchamento virtual ao qual foram submetidas a J. K. Rowling e a Lilia Schwarcz depois que essas proferiram comentários nas redes sociais que não agradaram nem um pouco a tais militâncias.

Em ambos os casos vemos a presença do mesmo entendimento anacrônico da história, no qual atos de muitas décadas ou mesmo séculos atrás são todos colocados e julgados segundo as lentes da visão de mundo do século XXI. Mais precisamente, das lentes da famigerada visão de mundo típica dos assim chamados Social Justice Warriors. Entendimento esse que no fim das contas inexoravelmente leva à grande tábula rasa da história que vimos nas destruições de monumentos no Chile em 2019 e mais recentemente nas depredações de monumentos das manifestações ocorridas em decorrência da morte do bandido George Floyd.

Esses militantes politicamente corretos, a propósito, tem um senso de moral bem peculiar, por assim dizer: para eles Pepe Le Gambá não pode flertar a gatinha no desenho, mas em desenhos para o público infanto-juvenil tais como Star versus as forças do mal pode ter beijo entre dois homens e o Felipe Neto (vulgo garoto colorido) pode postar vídeos no You Tube e distribuir revistas com conteúdos impróprios a crianças. Entre tantos outros exemplos que podemos ficar ai citando sobre a dupla moral e a hipocrisia de tais elementos (que adoram usar a ciência como forma de atacar criacionistas, terraplanistas e outros dessa estirpe, ao mesmo tempo em que eles também acreditam nas bizarrices pseudocientíficas deles). Tudo em nome da tolerância e do combate ao fascismo, ao preconceito, à homofobia e tantas outras mazelas.

Resumindo a ópera, a serpente do politicamente correto está a solta, destilando seu veneno por onda passa. Serpente essa que teve seu ovo chocado nos anos 1990 durante o governo Bill Clinton e que agora vem com força total no governo Biden. Quem irá detê-la agora?

Fontes:

Até o rato Ligeirinho está sendo cancelado na Internet; entenda essa treta. Disponível em: https://www.einerd.com.br/space-jam-2-ligeirinho-cancelado/

Gambá Pepe Le Pew é cancelado pela Warner por normalizar assédio. Disponível em: https://www.metropoles.com/entretenimento/cinema/gamba-pepe-le-pew-e-cancelado-pela-warner-por-normalizar-assedio

Pepe Le Gambá é tirado de “Space Jam” após ser relacionado à cultura do estupro. Disponível em: https://www.terra.com.br/diversao/cinema/pepe-le-gamba-e-tirado-de-space-jam-apos-ser-relacionado-a-cultura-do-estupro,e1ce51ba50acb204e826c05683d2c9cbyy9gpy2t.html

Pepe Le Pew. Disponível em: https://dublagempedia.fandom.com/pt-br/wiki/Pep%C3%A9_Le_Pew

quinta-feira, 4 de março de 2021

Freeza e Rei Vegeta.

 

Foto – Freeza e Rei Vegeta (Dragon Ball Z).

Recentemente, navegando pelo Facebook, me deparo com a imagem abaixo:

Foto – Monte Rushmore (EUA), com as faces de lideranças indígenas vencidas pelos americanos no século XIX acima dos presidentes americanos George Washington, Thomas Jefferson, Theodore Roosevelt e Abraham Lincoln (da esquerda para a direita).

Numa dessas postagens que vi, foi dito que quem deveria ter sido retratado e homenageado no monte Rushmore não são os presidentes americanos, e sim figuras históricas dos povos indígenas norte-americanos tais como Touro Sentado, Gerônimo e outros. E ai eu pergunto aos que fizeram essa imagem e a compartilham por ai: será que povos como os Dakota, os Sioux e outros que foram exterminados pelos americanos no século XIX durante a expansão ao oeste e depois disso confinados em reservas também não tiveram seus dias de conquistadores e não desalojaram, mataram e escravizaram os povos e culturas que viviam naquelas terras antes deles chegarem?

Peguemos, por exemplo, os casos dos Impérios Inca e Asteca, os grandes impérios pré-colombianos que foram eliminados e destruídos pelos espanhóis no século XVI antes destes estabelecerem seu domínio colonial sobre terras americanas. Foi pela força das armas que ambos os impérios expandiram seu território nos séculos XV e XVI, e não distribuindo flores aos povos que eles conquistaram. E nesse processo muito sangue foi derramado, e tanto incas quanto astecas acabaram colecionando inimizades com vários desses povos, como é o caso dos tlaxcaltecas, que se aliaram aos espanhóis durante a expedição de Hernán Cortez.

No Chile, durante as manifestações de 2019, tivemos o caso de ativistas que derrubaram estátuas de conquistadores espanhóis e de generais chilenos do século XIX sob a alegação de que elas são símbolos de uma história falsa. Entre tais casos se incluem a destruição de uma estátua do navegador Cristóvão Colombo datada de 1910 em Arica, estátua do militar espanhol Francisco de Aguirre arrancada e em seu lugar uma estátua de uma mulher diaguita (obviamente representando o povo pré-colombiano em questão – e uma estátua para lá de cafona, diga-se de passagem), a derrubada da estátua de Pedro de Valdívia (fundador de Santiago, morto pelos mapuches no século XVI) por ativistas do povo mapuche em Temuco (e depois disso tendo a cabeça da escultura colada na mão do guerreiro Caupolicán, representativo da resistência à conquista espanhola) e a destruição da escultura do empresário espanhol José Menéndez em Punta Arenas, que foi levada aos pés da estátua do índio Patagón, que homenageia os indígenas que habitavam o local antes da chegada dos conquistadores.

No Brasil, tivemos o caso da estátua de Borba Gato e do monumento às Bandeiras, ambos localizados em São Paulo e que homenageiam aos bandeirantes que desbravaram o interior do Brasil nos séculos XVII e XVIII. Ambos os monumentos já foram alvos de pichações e vandalismos, sob a alegação de que ambos representam o passado escravagista e de massacres aos povos indígenas do Brasil.

Ante esses fatos, será que o que não está sendo proposto em casos assim seria, fazendo uma analogia com Dragon Ball, derrubar uma estátua do Freeza e do Rei Cold e no lugar erguer uma estátua do Rei Vegeta III (o pai do Vegeta e do Tarble, sogro da Bulma e avô paterno do Trunks e da Bra)?

Foto – Rei Vegeta sobre uma cidade tsufururiana devastada (Dragon Ball GT).

É mostrado em Dragon Ball que os saiyanos tiveram seu planeta destruído por Freeza por volta do ano 737, e desse extermínio pouquíssimos deles sobreviveram, entre eles Kakarotto (vulgo Son Goku), o príncipe Vegeta, Nappa, Raditz, Broly e seu pai Paragas. Segundo o que o anime mostra no episódio 78, Freeza primeiro matou o rei do planeta, o Rei Vegeta III, e depois lançou a Supernova sobre o planeta governado pelo pai de Vegeta.


Entretanto, o anime também mostra que os saiyanos, antes de aderirem ao exército do Rei Cold (que depois passou para o comando de Freeza, como o filme Dragon Ball Super –  Broly mostra), viviam no Planeta Plant junto com outro povo, os tsufurianos (o anime conta essa história no episódio em que o senhor Kaioh conta a história dos saiyanos ao Goku). Segundo o calendário do mundo Dragon Ball, os saiyanos do sétimo universo inicialmente viviam no Planeta Sadala e por volta de 550 se estabeleceram no Planeta Plant.

A partir daquele momento os dois povos passaram a coabitar no Planeta Plant, com os tsufurianos vivendo nas cidades altamente tecnológicas e os saiyanos vivendo nas terras periféricas do planeta, muitas vezes em precárias residências. Até que na primeira metade do século VIII do calendário de Dragon Ball, mais precisamente entre 720 a 730, os saiyanos são unificados sob um único estandarte sob a liderança do Rei Vegeta III. E estes, após uma guerra que se arrasta por 10 longos anos, exterminam os tsufurianos e tomam o controle do Planeta Plant e o rebatizam de Planeta Vegeta, em homenagem ao Rei Vegeta III.

Embora tenham sido exterminados, os tsufurianos voltariam para tentar se vingar dos saiyanos por conta dos eventos da guerra de 720 a 730 em duas ocasiões: primeiro no OVA “Plano para destruir os saiyanos” (lançado entre 1993 a 1994), sob a liderança do Doutor Raiči e sua criação Hatchiyack. E depois em Dragon Ball GT, na saga Baby (em minha opinião o melhor dos arcos do GT; vai dos episódios 22 a 40), onde vemos a vingança de Baby (vingança essa que em minha opinião é mais interessante que a vingança levada a cabo pelo Doutor Maki Gero na saga Cell, por se tratar de algo relacionado à história dos saiyanos de antes mesmo deles se juntarem ao Rei Cold).

Foto – Baby e suas transformações.

Baby é uma máquina mutante criada pelo Doutor Myuu que contem a informação genética dos tsufurianos que Goku, Trunks e Pan encontram durante a viagem ao espaço em busca das esferas do dragão negras.

Algo que eu, particularmente, acho bem bacana de se ver na saga de Baby é que ai há uma inversão de papeis em relação à saga do Freeza: enquanto na luta contra o imperador do Universo Goku luta contra o algoz dos saiyanos, na saga de Baby Goku luta contra um ser pertencente ao povo que os mesmos saiyanos destruíram antes de conhecerem o Rei Cold e Freeza. Ser esse que, ironicamente, se apoderou do corpo do filho do rei que conduziu os saiyanos na guerra de extermínio aos tsufurianos. Ou seja, para levar adiante seu intento vingador, Baby utilizou-se do poder dos saiyanos contra eles mesmos.

Durante a saga Baby, em um dos episódios há uma cena na qual o Rei Vegeta, ainda trajando as primitivas roupas que os saiyanos usavam antes de se aliarem ao Rei Cold, aparece sobre uma cidade tsufuriana (bem provavelmente a capital) devastada e flagelada por fogos e explosões. Essa cena é claramente inspirada em um pôster da versão animada de Teito Monogatari, no qual o vilão-protagonista da obra de Hiroši Aramata, Kato Yasunori, aparece sobre uma Tóquio arrasada. Esse pôster também serviu de inspiração para a Capcom criar um pôster de Street Fighter no qual as mãos do vilão-mor da franquia de jogos de luta, M. Bison, aparecem cobrindo o planeta Terra. E o Ryu à frente.

Dentro da cultura pop nipônica, Kato Yasunori serviu de inspiração para a criação de inúmeros personagens, e o mais famoso deles é M. Bison (que foi inspirado em Kato tanto direta quanto indiretamente, por meio do vilão Wašizaki do mangá Riki-Oh). E tal qual Coringa em relação ao personagem que o inspirou, o Gwynplaine do romance de Victor Hugo “O homem que ri”, M. Bison (originalmente Vega) se tornou muito mais famoso e icônico que os personagens que serviram de inspiração para sua criação.

Foto – Kato Yasunori (esquerda) e M. Bison (direita).

Teito Monogatari é uma obra muito pouco conhecida no Ocidente, embora tenha feito muito sucesso no Japão nos anos 1980 e 1990. O sucesso da obra de Hiroši Aramata foi tamanho que recebeu adaptações tanto em live-action quanto em anime (4 OVAs). Conta a respeito do intento vingador do mago das sombras Kato Yasunori contra o Japão por conta do que aconteceu ao povo ainu quando a corte de Yamato chegou ao arquipélago japonês há mais de 2000 anos. Não é de se surpreender que os produtores de Dragon Ball GT tenham se inspirado em elementos narrativos de Teito Monogatari para criar a saga de Baby (a começar pela vingança dos tsufurianos). Da mesma forma que Akira Toriyama se inspirou em filmes de Hollywood para criar as sagas anteriores, como o caso de Exterminador do Futuro, que inspirou a saga de Cell. Aliás, alguns dos poderes de Baby claramente foram inspirados nas habilidades de Kato Yasunori, tais como a habilidade de possuir corpos e mentes alheias.


Foto – Granola, o vingador.

Muito do material de Dragon Ball produzido nos anos 1990 a respeito do passado dos saiyanos e sua relação primeiro com os tsufurianos e depois com Freeza, como também sobre o Rei Vegeta e Bardock, foi criado exclusivamente para a versão animada. E em discussões envolvendo a obra de Akira Toriyama é muito comum parte do fandom desqualificar tais materiais sob a alegação de que eles não fazem parte do cânone oficial de Dragon Ball e que eles não foram feitos pelo Akira Toriyama. Entretanto, na discussão que trago com esse texto, é impossível desenvolvê-la sem falar deles. Além disso, o fato de tais materiais não serem canônicos (ou seja, não estarem no mangá original) não muda o fato de que eles estão lá e são oficiais.

Entretanto, recentemente teve início uma nova saga no mangá de Dragon Ball Super, a saga do sobrevivente espacial, que sucederá à saga Moro (que certamente daqui um tempo será animada em um eventual Dragon Ball Super 2). Essa saga terá como antagonista principal Granola, um cerealiano, nativo do planeta Cereal, que teve seu planeta arrasado e seu povo exterminado pelos saiyanos no tempo em que estes trabalhavam para Freeza. Nesse extermínio, tivemos uma ilustre presença: Bardock, o pai de Goku e Raditz, sogro de Čiči, avô paterno de Gohan e Goten e bisavô por parte do avô paterno de Pan. O mesmo Bardock que no especial “Bardock – o pai de Goku” (lançado originalmente em 1990) é visto arrasando o Planeta Kanassa junto com alguns companheiros de armas. E que foi morto quando Freeza lançou a Supernova no Planeta Vegeta.

Pelo pouco que os capítulos já lançados mostraram, Granola quer se vingar não só dos saiyanos, como também de Freeza (já que os primeiros, na ocasião, lutavam sob o estandarte de Freeza). Aguardemos o desenrolar dos próximos capítulos do mangá de Dragon Ball Super. Ao que tudo indica, Granola irá atuar de um modo diferente do de Baby, que atuou sozinho. Irá se juntar a mais alguns outros vingadores (provavelmente, criminosos que Moro libertou) e assim formando um grupo bem ao estilo Irmandade dos Seis (grupo de antagonistas da saga da vingança de Samurai X). E, também ao que tudo indica, essa saga ainda irá revelar muita coisa não apenas sobre o passado dos saiyanos, como também dos namekianos e de Freeza.

Resumindo a ópera, remodelar as faces dos Presidentes americanos no Monte Rushmore pelas faces de lideranças indígenas como Touro Sentado e outros, assim como substituir a estátua dos bandeirantes e substituí-la por estátuas referentes aos negros e indígenas massacrados e subjugados por estes, será o mesmo que derrubarmos estátuas do Freeza e do Rei Cold e substituirmos por estátuas do Rei Vegeta III (o mesmo Rei Vegeta que, pouco antes de morrer em combate, disse que iria dominar o universo no lugar de Freeza – o episódio 78 de Dragon Ball Z mostra isso) e do Bardock.

E então eu pergunto a aqueles que derrubaram as estátuas de conquistadores e militares espanhóis no Chile e as substituíram por estátuas dos povos nativos locais e eventualmente também querem que no lugar do monumento aos bandeirantes sejam erguidos monumentos aos indígenas e negros: como que, por exemplo, um descendente dos povos que foram subjugados e massacrados pelos diaguitas e mapuches antes dos espanhóis chegarem à América iria reagir a tais estátuas? Obviamente, da mesma forma que um sobrevivente dos tsufurianos reagiria caso se deparasse com uma estátua gigante do Rei Vegeta III no antigo Planeta Plant. Ou se o Granola ou um sobrevivente do massacre do planeta Kanassa deparasse com uma estátua dedicada ao Bardock. Ou seja, não ia gostar nem um pouco da brincadeira de ver o algoz deles homenageado.

O presente texto é, antes de tudo, uma crítica à hipocrisia daqueles que acham que só os brancos europeus são imperialistas e têm passado de conquistadores e subjugadores de outros povos. Em especial a essas militâncias politicamente corretas e movimentos do tipo Black Lives Matter, que fazem um julgamento da história com base nos valores politicamente corretos atuais e assim fazendo tábula rasa da mesma. E a maneira como eles vêm lidando com monumentos ao redor do mundo é sintomática disso.

Tais pensamentos da parte dessas militâncias politicamente corretas não apenas não correspondem à realidade, como também é uma grande hipocrisia pequeno-burguesa, típico discurso politicamente correto de pessoas que não sabem nada de história. Pessoas que, pelo que pelo que vejo, nunca ouviram falar sobre impérios antigos não-europeus como Império Persa Aquemênida, Império Huno, Império Árabe-Islâmico, China da Dinastia Tang, Império Mongol, Império Timúrida, Império Inca, Império Asteca, Império Turco-Otomano e outros tantos. E o caso da imagem que encontrei no Facebook recentemente é bem emblemático disso.

Foto – A hipocrisia politicamente correta de certos indivíduos que acham que ao longo da história só os europeus é que tiveram um passado de conquistadores.

Fontes:

Chile: destrucción de monumentos como protesta contra la historia oficial (em espanhol). Disponível em: https://www.dw.com/es/chile-destrucci%C3%B3n-de-monumentos-como-protesta-contra-la-historia-oficial/a-51202577

Dragon Ball Super: revelados os poderes de Granola. Disponível em: https://www.einerd.com.br/dragon-ball-super-granola-poderes/

Dragon Ball timeline (em inglês). Disponível em: https://dragonball.fandom.com/wiki/Dragon_Ball_Timeline

15 secrets only true fans know about the Cell saga (em inglês). Disponível em: https://www.cbr.com/dragon-ball-cell-saga-secrets/

Monumento às bandeiras. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Monumento_%C3%A0s_Bandeiras

Perfil – Quem é M. Bison? Disponível em: http://doutornerds.blogspot.com/2015/12/perfil-quem-e-m-bison.html