domingo, 22 de maio de 2016

Modernização sem ocidentalização


Figura - "Grozny" por Aleksey Belyaev-Guintovt (2004)

Por Aleksandr Dugin
Tradução por Lucas Novaes

A Terceira Posição
No famoso artigo de Samuel Huntington descrevendo o iminente “choque de civilizações”, Huntington menciona uma importante formula: “modernização sem ocidentalização”. Essa formula descreve a relação de problemas envolvendo o desenvolvimento socioeconômico e tecnológico vivida por alguns países (em geral, aqueles do Terceiro Mundo) que, enquanto entendiam a necessidade objetiva de desenvolver e melhorar seus mecanismos sociais, políticos e econômicos, recusaram-se a seguir cegamente o Ocidente, esforçando-se para colocar algumas tecnologias ocidentais – isoladas de seu conteúdo ideológico – a serviço de seus sistema de valores tradicionais e características nacionais, religiosas e políticas. Muitos representantes das elites do Oriente, tendo sido educados nos países ocidentais, retornaram aos seus países de origem com um conhecimento técnico importante e metodologias que eles então usaram para fortalecer seus próprios sistemas nacionais. Portanto, ao invés da aproximação entre civilizações esperada pelos otimistas liberais, o que aconteceu foi o armamento de certos regimes “arcaicos”, “tradicionalistas”, regimes com novas tecnologias que tornaram o conflito civilizacional mais aguçado.  
À essa análise perspicaz, pode ser adicionada a consideração de que a maioria dos intelectuais “ocidentalizados”, figuras culturais, e indivíduos criativos eram e são fortemente não-conformistas, pessoas “do Oriente” contra o sistema que, ao estudar a mentalidade do Ocidente, fortalecem suas próprias posições críticas. Um exemplo característico de tal caminho é o de Ali Shariati, o maior teórico da Revolução Iraniana. Shariati estudou em Paris, dominou o pensamento de Heidegger e Guénon assim como de vários autores neomarxistas, e gradualmente chegou a convicção de que a síntese conservadora-revolucionária entre o xiismo revolucionário, Islão místico, Socialismo e existencialismo era necessária. Shariati era então capaz de trazer a elite intelectual iraniana e a juventude para a revolução, grupos esses que, em outras circunstâncias, jamais reconheceriam seus ideais no sombrio tradicionalismo dos mulás. Esse exemplo é especialmente importante já que estamos lidando com uma revolução bem-sucedida que acabou em completa vitória de um regime anti-globalista, antiocidental e conservador-revolucionário.
O mesmo caminho foi feito por russos eslavófilos que tomaram emprestados vários modelos de filósofos alemães (Herder, Fichte, Hegel) que iriam se tornar a base da convicção puramente nacional russa. O mesmo é o método dos russos neo-eurasianos que estão, de forma criativa, unindo as doutrinas não-conformistas da “nova esquerda” e “nova direita” aos interesses da Rússia.
A Autarquia dos Grandes Espaços
Dissecar os conceitos de “modernização” e “Ocidentalização” é um ato de grande valor. Afinal, o Ocidente está fazendo tudo o que pode para que ambos os termos sejam difundidos como sinônimos na consciência das massas. De acordo com essa lógica, reforma e mudança são possíveis apenas se elas são orientadas em favor do Ocidente e as cópias de seu modelo. A alternativa é apresentada como “estagnação”, “arcaísmo”, “conservadorismo”, ineficiência e falta de dinamismo. Portanto, o Ocidente alcança seu objetivo civilizacional impondo os limites, leis e critérios feitos pelo mesmo no resto do mundo. Essa parcialidade e egoísmo do liberalismo em relação àqueles para quem o liberalismo é promovido como “alternativa progressista” foi brilhantemente descrita pelo teórico gênio da economia, Friederich List. Em seus trabalhos, List mostrou que países que seguiam o caminho da economia de livre mercado e do liberalismo há tempos, invariavelmente se beneficiam das imposições de um modelo similar em outros países usando modelos alternativos. Como podemos ver, os termos “iguais” de “livre comércio” levam, de fato, ao enriquecimento das economias de mercado desenvolvidas e ao empobrecimento daqueles que, tardiamente, tentam seguir o caminho do mercado. Os ricos, nesse caso, ficam mais ricos enquanto os pobres mais pobres. Da mesma forma, para List, países tradicionalmente liberais (primariamente os anglo-saxões) são largamente beneficiados pela imposição de seu próprio modelo o resto do mundo, considerando que isso garante a sua obtenção de lucros políticos e econômicos colossais.
Mas qual é a saída para tais países não liberais que, devido a circunstâncias objetivas, são confrontadas com competidores liberais efetivos e agressivos? Esse problema foi especialmente agudo para a Alemanha no século XIX, o mesmo país em que Friederich List foi chamado para ajudar. Sua resposta foi a teoria da “autarquia dos grandes espaços”, que é um sinônimo econômico de “modernização sem ocidentalização”. Deve ser notado que as ideias de List foram empregadas por diferentes políticos como Walther Rathenau, Count Witte e Vladimir Lenin com enorme sucesso.
O conceito de “autarquia dos grandes espaços” implica que estados que não são de mercado, deixados em condições de dura competição com os de mercado, devem trabalhar em um modelo desenvolvimento autônomo que parcialmente produz os desenvolvimentos tecnológicos de sistemas liberais no framework severamente restrito de uma “união aduaneira” de larga escala. Nesse caso, “livre comércio” é limitado pela estrutura de um bloco estratégico de estados integrando seus esforços políticos, administrativos e econômicos com o objetivo de aumentar a dinâmica econômica. Em relação aos países liberais mais desenvolvidos, por contraste, uma barreira de proteção aduaneira é levantada com base nos princípios de protecionismo estrito. Portanto, o escopo para expandir as tecnologias econômicas mais novas é aumentada enquanto, por outro lado, esse modelo é apoiado por uma soberania política e econômica consistente.  
Sem dúvidas, tal abordagem desconforta os liberais de estados de mercado desenvolvido porque expõe suas estratégias, seus mascarados tons agressivos, contraria efetivamente sua interferência geopolítica e, no final, seu controle externo sobre esses estados que os liberais desejam transformar em colônias políticas e econômicas.
Modernização e Soberania
É necessário dizer que a tese da “modernização sem ocidentalização” é uma arma conceitual. O crescimento da mesma é extremamente desconfortável para os representantes do Ocidente. Para o Ocidente, o mais importante é instigar o esquema de dualidade na consciência pública em que reformistas e os apoiadores da mudança se colocam contra os conservadores, os teimosos apoiadores do passado. Enquanto a equação é apresentada de tal maneira, o apoio definitivo é assegurado para os “reformadores ocidentais’. Mas tudo isso é necessário para introduzir um terceiro elemento na formula, e os cenários tornam-se muito mais interessantes. Além de os “modernistas ocidentais” e os “anti-modernistas antiocidentais”, os quais, quando se confrontam, geram a vitória dos reformistas, supostamente abraçadores do “futuro”, lá aparecem os “modernistas antiocidentais” ou “conservadores revolucionários’. O próprio fato de tal força como uma plataforma independente, bloco ideológico, modelo econômico e frente cultural torna mais agravante a proporção de uma confrontação política que, em outra situação, seria banal. Os modernistas “antiocidentais” defendem reformas radicais, mudanças revolucionárias para modelos econômicos, a rotação explosiva de elites em esferas vitais de governança e a modernização em larga escala de todas as esferas da vida. Mas, nessa nota, a completa preservação de soberania geopolítica, econômica e cultural, o retorno as raízes e apoio para identidade continuam uma absoluta e não negociável condição. Para eles, ambas condições – “modernização” e “soberania” – permanecem imperativos absolutos que não devem ser comprometidos em quaisquer circunstâncias.
De fato, mesmo no mundo moderno vemos várias civilizações em que povos individuais e países continuam insistindo em preservar suas identidades apesar de todas as considerações de expediência política ou eficiência econômica. Sérvia, Iraque, Irã, Sudão, Coréia do Norte, Líbia e Cuba são exemplos. Possuem condições insuficientes para competir em autarquia, entretanto, esses regimes que carregam os esforços de enormes sacrifícios para defender suas identidades optam por uma confrontação direta e extremamente “custosa” com o Ocidente ao rejeitar seus ditados. As desvantagens de reter a autonomia podem ser facilmente superadas no caso de uma formação enorme como a Rússia, junto com alguns países amigáveis e certos estados “de muito longe’.
A questão depende apenas de determinação e esforço político. A garantia de recursos é secundária nesse caso. Permita-nos referir o seguinte exemplo: Na República Sérvia, na Bósnia, quando perguntei o que era prevenir o alcance de trégua em uma área específica, recebi uma resposta atônita de um miliciano: “Que aquela montanha, a pequena montanha, é famosa em crônicas sérvias da Idade Média. Agora ela está nas mãos de inimigos. Não há nada nela – nenhum ponto estratégico, nenhum mineral útil, sem empresas industriais – É apenas um pedaço de terra. Mas um pedaço de terra sérvio. Nós já enterramos centenas de nossos lutadores lá. Ofereceram-nos paz em troca daquela montanha condenada. Mas agora não aceitamos tal paz. Precisamos daquela montanha. Daquela inútil montanha...”
O próprio fato da história nacional e da extensão do território nacional são completamente comparáveis com os parâmetros utilitários, tecnológicos e econômicos mais sérios. Além disso, para a maioria das nações, tais valem ainda mais – vida.
A Revolução Conservadora – O Último Imperativo
“Modernização sem ocidentalização” deveria se tornar o principal slogan de um “curso novo” que deveria unir as melhores forças dos campos “conservadores” e “reformistas”. Essa nova plataforma, se cuidadosamente desenvolvida e rigorosamente implantada na consciência das massas, poderia instantaneamente limpar um grande número de pontos negros em nossas vidas políticas e econômicas. Junto a isso, a natureza subversiva de atividades dessas forças que, ou negam a necessidade de reformas (os apologistas de nostalgia e estagnação) ou negam necessidade de se submeter reformas ao imperativo cultural, civilizacional e geopolítico (os agentes da influência Ocidental) se tornará óbvia. Da mesma forma, em nossa situação crítica, ambos os grupos devem ser expulsos do estabilishment político e a iniciativa conceitual, econômica e ideológica central deve ser delegada ao novo front estabelecido de “conservadores revolucionários”.
Artigo em inglês disponível em:
https://4threvolutionarywar.wordpress.com/2016/05/06/modernization-without-westernization-alexander-dugin/

sexta-feira, 20 de maio de 2016

O maconhaço em São Paulo e a verdade a respeito da guerra contra as drogas.


Foto – Maconhaço na Avenida Paulista, 14/05/2016.
Sábado, dia 14 de maio de 2016, teve lugar em São Paulo mais uma marcha da maconha, que reuniu cerca de 20 mil participantes. Em plena Avenida Paulista aconteceu o espetáculo deprimente que a foto acima mostra, onde houve uma queima massiva de quilos de maconha. E os maconhistas, como sempre, vomitam suas sandices costumeiras, onde quer que eles se manifestem.
Esses elementos vivem batendo na tecla de que a guerra contra as drogas é um grande fracasso e que jamais conseguiu resolver com o problema em questão. Aí eu pergunto a eles: será que a guerra contra as drogas que o sistema promove quis de fato resolver o problema? Será que o sistema que ai está quer se livrar realmente de uma das atividades que mais lhe dá lucros? A resposta é um sonoro e retumbante não. Haja vista que o tráfico de drogas é um negócio multibilionário que é gerido por capitalistas que possuem ligações com governos, serviços secretos e polícia (e a cúpula desse sistema, por sua vez, culpa os moradores de guetos pelo problema da droga). Ou seja, a tal guerra contra as drogas em realidade não foi feita para ser vencida, e sim para ficar nesse impasse ad eternum. E como falar que ela é um fracasso sendo que ela em realidade jamais quis resolver de fato esse problema? Muito pelo contrário, pelo que ela realmente se propôs a fazer, tem se mostrado um grande sucesso.
E, pelo de que as falas desses elementos que tanto almejam a liberação da maconha e de outras drogas como a cocaína sugerem, mal sabem eles que a China, durante a era Mao (1949 – 1976), foi bem-sucedida em sua guerra contra o flagelo do ópio. A droga, cujo consumo era muito difundido na sociedade chinesa, era um problema secular que afligia o país e que atingiu enormes proporções a partir de meados do século XIX. Tal substância, devido a seu poder entorpecente, era proibida pelo governo imperial chinês, mas ainda assim consumida ilegalmente pela população, tanto pelas camadas mais humildes da população (os quais usavam a droga como uma válvula de escape em relação à desesperadora realidade de fome e miséria em que se encontrava imersa) quanto pelas classes mais abastadas da população chinesa (que usavam a droga de forma recreativa). O problema era tamanho que até mesmo crianças consumiam a droga.
O consumo do ópio (yāpiàn em mandarim) já era algo secular na sociedade chinesa, tendo sido proibida a venda em 1729, exceto por pequenas quantidades para uso medicinal. 70 anos tarde, a droga foi completamente proibida, voltando a ser liberada apenas em 1860. Na época a China, governada pela Dinastia Qing[1] (1644 – 1912), era o grande poder do Extremo Oriente, tendo estados tais como Coréia, Birmânia, Vietnã, Sião (atual Tailândia) e Nepal como tributários durante o apogeu de seu poderio, além de territórios como o Tibete, a atual Mongólia, Tuva[2], o leste da antiga Ásia Central Soviética (incluindo terras dos atuais Cazaquistão e Quirguistão) e as terras ao norte do rio Amur e a leste do rio Ussuri sob seu domínio direto.
A China considerava-se um país autossuficiente, a ponto de ter desdenhado dos produtos industrializados oferecidos pela Inglaterra na missão Macartney (1792 – 1794), enviada pela coroa britânica com o intuito de abrir maiores laços comerciais e diplomáticos com o Império do Meio. Tal embaixada foi marcada por, entre outras coisas, a arrogante recusa de Lord Macartney em fazer o kowtow[3] perante Qianlong (r. 1735 – 1796), o então imperador chinês. A partir do final do século XVIII os ingleses começaram a traficar o ópio produzido no nordeste da Índia para a China via porto de Cantão (em chinês Guǎngzhōu[4]), que na época era o único porto aberto ao comércio com os países europeus. O ópio tornou-se um problema tão sério para a China que, por volta de 1830, sua importação superou as de produtos tradicionais como seda, chá e porcelanas, acarretando em uma grande saída de prata da China para o exterior e em sérios problemas econômicos e financeiros para o país (ou seja, perdas internacionais).
Medidas foram tomadas por parte do governo chinês para conter e acabar com o consumo de ópio, mas os ingleses reagiram e diante dos modernos armamentos ocidentais, os chineses pouco ou nada puderam fazer e tiveram que fazer ainda mais concessões aos vencedores da guerra, incluindo a concessão de Hong Kong a Inglaterra (a qual permaneceu em mãos britânicas até 1997), a abertura de mais cinco portos livres (onde os residentes estrangeiros podiam exercer suas atividades sem se submeter à jurisdição chinesa) ao comércio exterior e ao tratado de Nanking, o primeiro de uma série de “tratados desiguais” aos qual a China foi submetida ao longo ao longo do século XIX e começo do século XX por países como Inglaterra, França, Rússia, Alemanha e Japão.
Ao longo do ocaso do século XIX e a primeira metade do século XX, a China passou por uma série de turbulências internas, incluindo a revolta dos boxers (1899/1900) contra a presença estrangeira em solo chinês, a Revolução Republicana de Sun Yat-Sen em 1912 que colocou fim a mais de 3000 anos de monarquia, a guerra civil entre os comunistas de Mao Tsé Tung e os nacionalistas de Chiang Kai-Shek (Kuomitang) a partir de 1927, a emergência dos Senhores da Guerra em várias partes do país a partir de 1916 e a invasão japonesa a partir de 1931, começando a partir da Manchúria (onde os japoneses instalaram um estado satélite, o Manchukuo, sob a liderança de Pu Yi, o último imperador da China) e depois se estendendo a vastas áreas da região leste do país. Ante essa situação, os comunistas e o Kuomitang unem suas forças para vencer o invasor nipônico, aliado da Alemanha de Hitler e da Itália de Mussolini. Expulsos os japoneses da China, o conflito entre os dois grupos é retomado, terminando em 1949 com vitória dos comunistas de Mao Tsé Tung, o qual instaura um regime de orientação socialista no Antigo Império do Meio, com o nome de República Popular Democrática da China e alinhada com a União Soviética de Stalin. Já Chiang Kai-Shek, alinhado com o bloco ocidental, se refugiou em Taiwan, fundando a República da China.


Foto – Consumidores de ópio na China.
Quando Mao chegou ao poder, havia cerca de 70 milhões de drogados em território chinês, viciados não só em ópio como também em outras drogas como heroína e morfina. Ou seja, ao redor de 12% da população chinesa (à época, calculada em cerca de 540 milhões de pessoas) estava nessa situação lamentável. Mao adotou uma política que consistia basicamente de tratamento de viciados, eliminação de traficantes e desestimulo do uso da droga, organizando as massas do povo através das cidades e do interior para acabar com a manufatura, a venda e o uso das drogas, acompanhado de uma grande campanha de educação para o povo sobre o problema da droga, e ao mesmo tempo desbaratando as redes que vendiam a droga para o povo (incluindo a população mais pobre), tornando o acesso ao ópio cada vez mais difícil. Os grandes traficantes, por sua vez, passaram a ser tratados como “inimigos do povo” e presos. O sucesso da operação foi tamanho que em meados dos anos 1950 o problema da droga foi resolvido. Ou seja, Mao adotou uma política de resolver o problema pela raiz, acabando ao mesmo tempo com a comercialização e a manufatura da droga assim como a demanda por ela e toda a engrenagem por trás, isolando os consumidores dos produtores da droga e assim derrubando todos os pilares do problema ao mesmo tempo. E não foi liberando o consumo a toda a população e sendo leniente com o tráfico e seus sicários que a China maoísta resolveu com o problema da droga. Mas, após a morte de Mao (1976) e a gradativa restauração do capitalismo, o problema das drogas voltou a flagelar a China.
Bem diferente das políticas antidrogas aplicadas no Ocidente, as quais não procuram resolver o problema pela raiz. Ao invés disso, adotam soluções paliativas, sem querer resolver de verdade o problema. De nada adianta querer resolver o problema da droga sem acabar ao mesmo tempo tanto com demanda quanto com a fabricação dos produtos. É a mesma coisa que arrancar uma erva daninha de um solo sem arrancar sua raiz junto. De forma análoga, a mesma China em 1993 proibiu o comércio de medicamentos feitos de ossos e órgãos de tigres (as quais povos como os chineses e os coreanos atribuem supostas propriedades medicinais e afrodisíacas)[5], ante do iminente perigo de extinção enfrentado pelas populações selvagens do grande felídeo asiático (outrora distribuído desde as margens dos Mares Negro e Azov[6] à embocadura do rio Amur e do Extremo Oriente Russo à ilha de Bali na Indonésia). Mas pouco ou nada fez para conter a demanda por tais produtos (incentivada em grande parte pelo crescente poder aquisitivo decorrente do boom econômico dos países do Extremo Oriente, em especial a China), com isso contribuindo a persistência do problema da caça ilegal nos locais aonde o tigre ainda existe em estado selvagem e o surgimento das infames fazendas de tigre (onde os felinos são criados para que futuramente sejam aproveitados seus ossos e órgãos), assim como a procura cada vez maior pelos ossos de leões na África como substitutos para os ossos de tigres.
E, assim como acontece no Ocidente com a maconha e outras drogas, na China existem pressões para que se legalize a atividade das fazendas de tigre (que em realidade mais se parecem campos de concentração para tigres). Segundo os donos dessas fazendas, a legalização das fazendas de tigre resolveria o problema da caça ilegal. Mas, para começo de conversa, como distinguir um produto de um tigre morto em uma fazenda de um tigre selvagem morto nas florestas? Sem contar ainda com o fato de que é muito mais barato e econômico matar um tigre selvagem do que criar e manter um animal desses em cativeiro durante anos e anos, além dos custos da manutenção dos animais e da fazenda. Sobre isso, o renomado conservacionista indiano Valmik Thapar, autor de vários livros sobre tigres (todos eles sem tradução para o português), disse o seguinte:
“Se a China quer seguir adiante com isso, serão as piores notícias para o tigre indiano. Se a proibição do tráfico for relaxada, todas as partes de tigre traficadas da Índia para a China podem receber um rótulo legal uma vez que entram na China. O que tornaria mais fácil o florescimento de traficantes”.


Foto – José Mujica e George Soros.
Ontem e hoje, grandes capitalistas e tráfico de drogas sempre andaram juntos. No comércio anglo-chinês de ópio dos séculos XVIII a XX havia uma grande empresa capitalista no meio, a Companhia Britânica das Índias Orientais (que foi ninguém menos que a primeira megacorporação transnacional da história da humanidade), e hoje em dia temos o multimilionário estadunidense de origem judaico-húngara George Soros por trás das campanhas pela liberação da droga (haja vista o que foi feito no Uruguai em conluio com o ex-presidente José Mujica[7]). É o mesmo George Soros que, através de suas ONGs (entre elas a Open Society), tem financiado vários golpes de estado mundo afora (os quais recebem o elegante nome de revolução colorida), como por exemplo, na Sérvia em 2000 e na Ucrânia no ano retrasado. E é o mesmo George Soros que o finado Enéas Carneiro denunciou em um de seus programas eleitorais no dia 29 de setembro de 1998. O simples fato de uma figura como George Soros estar ligado a movimentos pela liberação da maconha mundo afora desmonta com a falácia maconhista de que o sistema promove a guerra contra as drogas como forma de controlar a população. Quando muito joga dos dois lados nessa questão.
E da mesma forma com que no caso da guerra do ópio a burguesia britânica e seus agentes locais faturaram rios de dinheiro à custa de grandes problemas para a população chinesa, apenas políticos com interesses eleitoreiros e grandes conglomerados financeiros ligados à atividade que ganharão com a liberação das drogas. E no caso das fazendas de tigre, apenas os donos das fazendas é que ganharão com isso. Tanto no caso das drogas quanto no caso das fazendas de tigre, o fato de haver o produto legalizado no mercado de forma alguma impedirá a existência do produto ilegal, da mesma forma com que hoje em dia na China o fato de haver marfim legalizado no mercado não acabou com a existência do marfim ilegal. Com o agravante no caso dos tigres que um produto ilegal pode muito bem ser vendido como se fosse produto legal. E, para agravar ainda mais a situação, e se tal moda vinga fora do Extremo Oriente, ganhando adeptos em praticamente todo o mundo, o que será dos tigres com toda essa pressão adicional sobre eles?
Em poucas palavras, a liberação da maconha nada mais é que um trampolim para a liberação de outras drogas mais pesadas e o surgimento de mais problemas de saúde pública. Fatalmente veremos os antigos traficantes se transformando em empresários e homens de negócio. E a liberação das fazendas de tigre, uma espécie de “corrida do ouro” em busca dos ossos e órgãos do grande felino, na medida em que o rareamento da espécie fatalmente tornará o preço dos produtos cada vez maior e mais valioso no mercado negro, levando fatalmente a espécie cada vez mais próxima da extinção.
É por causa de uma esquerda como essa, que está muito mais preocupada em consumir drogas, em poder abortar para poder continuar levando sua vida hedonista de sempre regada a baladas e micaretas, que tanto fala em empoderamento de minorias, em ideologia de gênero e direitos GLBT que proliferam no cenário político nacional figuras como Jair Bolsonaro, Marco Feliciano, Eduardo Cunha e outros tantos da nova direita que vem se formando aqui no Brasil. Na prática, o que essa esquerda pós-moderna promove levantando essas bandeiras todas é uma alienação de parte significativa do povo mais humilde, e este, sentindo-se ultrajado, acaba invariavelmente sendo seduzido pelo canto da sereia dos Bolsonaros, Cunhas e Felicianos da vida. Esses, por sua vez, a despeito de sua demagogia, se mostram como o “baluarte da moral e dos bons costumes ante a pouca vergonha que ai está”. E a esquerda pós-moderna, ante esses elementos, fica se posando de “defensora das minorias ante a truculência de gente como o Feliciano, o Cunha e o Bolsonaro”. Assim, os dois lados se retroalimentam e puxam votos entre si.
Causas como aborto, liberação da maconha e outras drogas, liberação do casamento GLBT e ideologia de gênero não são causas do povo, e sim de gente como George Soros, Rockefeller, Rotschild, irmãos Koch, Fundação Ford e outros. Ou seja, dos infames senhores do mundo. E o que essa malta da elite do poder global quer? Que o mundo inteiro se transforme em uma grande China do final da Dinastia Qing. E é por causa de discursos como esses que a esquerda vem cada vez mais perdendo terreno e a nova direita crescendo cada vez mais, a ponto de hoje termos aquilo que muitos chamam de o Congresso mais conservador desde 1964. Com um pensamento individualista como esse típico de classe média universitária para cima, desvinculado da realidade do povo, nunca que haverá uma grande transformação social no Brasil. George Soros e companhia limitada agradecem a vocês, maconhistas imbecis, que nada mais são que a outra face da moeda da guerra contra as drogas.

Foto – “Mentes fracas não pensam! Corpos fracos não lutam! Por uma sociedade forte composta de gente sóbria!”. Crédito: Avante.

Fontes:
China’s tiger farming plan makes Indian experts see red (em inglês). Disponível em: http://www.dnaindia.com/india/report_chinas-tiger-farming-plan-makes-indian-experts-see-red_1088602.
El magnate Soros admite su implicación en el golpe de estado en Ucrania (em espanhol). Disponível em:
Em 1998, Enéas resumiu o Brasil em 1 minuto. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=HgM0Mu0cV88
Marcha da Maconha 2016: Milhares fazem “maconhaço” na Avenida Paulista pela descriminalização. Disponível em: http://www.brasilpost.com.br/2016/05/14/marcha-da-maconha-2016-paulista_n_9975278.html
Meu nome é Enéas. Disponível em: http://www.angelfire.com/ma/boavista/televisao.html.
RW: How Maoist Revolution wiped out drug addiction in China. Disponível em: http://revcom.us/a/china/opium.htm.
Soros – o “Exportador” de “Revoluções”, digo, golpes. Disponível em: http://arnobiorocha.com.br/2014/05/29/soros-o-exportador-de-revolucoes-digo-golpes/
The African lion bone trade (em inglês). Disponível em: http://africageographic.com/blog/the-african-lion-bone-trade/
Traditional Chinese medicine and tigers (em inglês). Disponível em: http://www.tigersincrisis.com/traditional_medicine.htm

NOTAS:

[1] Leia-se Tsin, pois no mandarim a partícula q tem valor de ts e quando uma palavra termina em consoante a última é muda.
[2] Também conhecida como Tannu Uriankhaï (cirílico russo Танну Урянхай). Hoje em dia constitui uma das várias repúblicas autônomas da Rússia, situada próxima da fronteira russo-mongol. Capital Kyzyl (cirílico Кызыл).
[3] Dentro do protocolo imperial chinês, ato de se ajoelhar três vezes e entre cada ajoelhada bater no chão a testa três vezes perante o imperador ou a alguma autoridade que o represente em sinal de respeito e reverência. Na Rússia Imperial este ato tinha o nome de chelom bit’ (cirílico челом бить), sendo feito geralmente diante do tsar ou de algum príncipe.
[4] Leia-se Kuantchjou, pois no mandarim a partícula g tem valor de k e a partícula zh de tchj.
[5] Na Medicina Tradicional Chinesa, os olhos do tigre são usados para tratar de epilepsia e malária, a cauda problemas de pele, os dentes febre, as garras como sedativo para insônia, o gordura para tratar de reumatismo e lepra, a bile era usada para tratar de convulsões associadas à meningite em crianças, o pênis utilizado para fazer poções afrodisíacas, bigode para curar dor de dente, o cérebro para curar espinhas e espantar a preguiça e ossos como anti-inflamatório para tratar moléstias como reumatismo, artrite e outros problemas como dor de cabeça e disenteria. Tal uso remonta há mais de 1000 anos, mas antes era restrito às altas elites da sociedade imperial chinesa, e ao que tudo indica, representavam pouca ou nenhuma ameaça à sobrevivência da espécie na época (outrora distribuída na China desde a Manchúria até as fronteiras com o subcontinente indiano e o Laos e o Vietnã, estando presente também na província de Sinkiang no Noroeste).
[6] Leia-se “Azoff”, pois no russo, quando uma palavra termina em v (cirílico в) tem som de ff (som similar ao v do alemão).
[7] Leia-se “Rrosê Murrica”, pois no espanhol a partícula j e o g quando sucedido por e ou i tem valor de r aspirado e o é tem o mesmo valor do ê no português.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

À espera de um "milagre" (econômico) - Uma luz na escuridão.


Figura 1 – Nesta foto dos anos 1920, podemos observar uma mulher alemã alimentando um fogão com lenha para a queima de cédulas desvalorizadas. O problema é que esse processo acaba sendo mais custoso do que a velocidade da queima pode alcançar para compensá-lo.

Por Marcus Valerio XR (com adaptações)
Em meio ao constrangedor festival de imoralidade, hipocrisia e estupidez que nossa classe política tem demonstrado nos últimos meses, eis que surge um discurso que, sozinho, quase é capaz de reestabelecer o equilíbrio entre as infindáveis hordas da miséria intelectual e os poucos luminares que permitem alguma compreensão da realidade.
Ao proferir seu voto em 12/05/16, o senador Roberto Requião (PMDB-PR), expõe a completa impostura do atual processo parlamentar, inclusive a desonestidade de seu próprio partido, e dá uma breve mas preciosa aula de história e economia.1 O discurso merece ser visto na íntegra, e é esclarecedor e poderoso por si próprio tanto para as mentes mais humildes quanto para as mais exigentes, excetuando aquelas que preferem rejeitá-lo a priori devido a um compromisso obtuso com os dogmas liberais atuais.
Muitos libertários e anarcocapitalistas, por exemplo, paralisam a própria cognição ante qualquer menção do termo ‘neoliberalismo’, convictos de que sua doutrina, ao definir de forma distinta o conceito, faz desaparecer a realidade por trás da definição de seus adversários. Como se as políticas de desregulamentação de capitais, isenção de impostos das grandes fortunas ou privatizações típicas do Consenso de Washington inexistissem porque o termo aplicado a elas não seria perfeitamente adequado.2
Mas o que há no discurso de Requião de mais profundo, preciso, e até mesmo espantoso devido a ousadia, nem é o que foi mais amplamente exposto, mas sim os poucos comentários que apenas apontaram para um fato histórico que ele fez por bem em não expor demais, ou seu discurso já teria entrado no noticiário como algo absolutamente diferente do que de fato é, tendo seu verdadeiro sentido obscurecido por completo.
Ao defender que deveríamos aplicar políticas econômicas anticíclicas ao invés de repetir pela enésima vez o mesmíssimo veneno neoliberal que destrói as economias de países inteiros enquanto multiplica a fortuna das oligarquias que o financiam, Requião lembra discretamente a República de Weimar, citando o economista Hjalmar Schacht, e até mesmo lembrando que estamos a falar de uma abordagem que adentrou a Alemanha de Hitler, eliminou em tempo recorde uma depressão econômica devastadora que a maioria dos brasileiros jamais poderia imaginar, e levou o país da ruína à condição de maior potência mundial.
Ante isso, a reação da maioria é travar o raciocínio e invocar os horrores do Nazismo, rejeitando em bloco tudo o que esteja associado a esse tempo local como inerentemente maligno e bloqueando maniqueisticamente a possibilidade de entendimento. Afinal, todos nós estamos a nossa vida inteira sendo doutrinados a fazer isso.
Mas quem se atreve a pensar em como foi possível um regime ter atingido tamanho poder? Como Hitler conseguiu a fidelidade irrestrita de praticamente todo o povo alemão disposto a segui-lo até a morte? O que o Terceiro Reich fez para garantir tamanho apoio das massas?
O MILAGRE ECONÔMICO ALEMÃO
Após a Primeira Grande Guerra, à derrotada Alemanha foi imposta uma dívida em condições nitidamente insuperáveis, jogando o país numa bancarrota aparentemente irreversível. Os maiores credores da dívida eram o grande sistema bancário que, no caso, era quase totalmente judaico, o que deve ser lembrado para mostrar que o extremismo antissemitismo nazista teve, na realidade, origem na questão da exploração econômica.
O banqueiro e político alemão Hjalmar Horace Greeley Schacht3, foi dos principais responsáveis pela recuperação do país, começando seu trabalho desde a época da República de Weimar, quando conteve a hiperinflação, e continuando após ascensão do Nazismo, a convite do próprio Hitler, combatendo o desemprego e gerando desenvolvimento em infraestrutura. Apenas quando a Alemanha passou a concentrar seus esforços no sentido bélico, Schacht, que era contrário aos planos expansionistas e militares nazistas, foi colocado em funções secundárias desvinculadas da economia. Até se opor ao regime nazista inclusive apoiando esforços de derrubar Hitler.
E como a Alemanha conseguiu, em cerca de uma década, reerguer um país devastado pela guerra, com dívidas astronômicas impagáveis e onde o dinheiro estava tão desvalorizado que mais valia queimá-lo para obter fogo do que comprar combustível? Como superou uma inflação que, diferente de nossos planos econômicos do final do século passado que costumavam cortar 3 zeros, exigiu dos alemães que cortassem de uma só vez 12 zeros?! Sim! Pois a moeda introduzida por Schacht, o Retenmark, equivalia a 1 TRILHÃO de marcos!4
Por melhores que sejam as respostas que vemos em artigos diversos5 sobre o tema, podemos destacá-las de uma forma simples: as abordagens econômicas alemãs minimizaram drasticamente o elemento financeiro rentista parasitário! Invés de trabalhar ao quadrado para pagar taxas de juros arbitrárias, infinitas e injustificáveis, todo o esforço de recuperação alemão foi unicamente concentrado na restruturação da economia interna, emitindo moeda própria controlada diretamente pelo Banco Central alemão, minimizando os vínculos diretos com o sistema financeiro externo, o que lhes permitiu pouca vulnerabilidade à Crise Global de 1929, e fornecendo crédito a ser pago de forma concreta pelo, e para o próprio país.
Os empreendedores e a população em geral podiam solicitar empréstimos sem juros ao banco estatal que depois deveriam ser pagos na forma de incentivos à economia do país, como gerar mais empregos, investir na infraestrutura, fornecer materiais e mão de obra mais baratos para outros setores etc. Invés de simplesmente enviar quase todo o excedente de produção para exponenciar as fortunas privadas dos vampiros financistas, que é o que faz boa parte do mundo há mais de um século.
CORTANDO O PARASITA
Pode ser estranho imaginar algo tão fora da uma realidade na qual nascemos e pela qual somos bombardeados desde o berço de forma onipresente por todo nosso universo econômico circundante. Mas a verdade é que uma vez removidos os parasitas usurários do sistema financeiro, o crescimento econômico é relativamente simples, capaz de prodígios que nada seriam impressionantes não fosse o fato de serem sistematicamente ocultados, negligenciados e demonizados pela quase totalidade das forças de mídia e formação cultural que nos afligem.
Foi assim que em grau menor, a Rússia saiu de uma condição agrária atrasada a potência espacial e nuclear soviética em poucas décadas, que Cuba, mesmo isolada e embargada numa ilha, criou um dos melhores sistemas de saúde do mundo e a China está se tornando a maior potência do planeta. Coisas similares ocorreram em escala mais modesta no Irã, Síria, Venezuela, Islândia e outros exemplos, que, não por outro motivo, são constantemente ignorados ou pichados como infernos pela grande mídia e nossos pequenos liberalóides doutrinados por máquinas de lavagem cerebral financiados desde oligarquias bilionárias dos EUA.
Não que tais exemplos não tenham seus problemas, muitos deles seríssimos, ou nos sirvam exatamente de modelo. Mas o motivo primordial pelo fato de estarmos acostumados a não vê-los, ou vê-los pelo pior prisma possível é o fato de serem a prova viva de que é possível, e até mais adequado, prover crescimento econômico e desenvolvimento para um mais amplo espectro da população invés de priorizar à ganância bancária e a monstruosa máquina de criação ex-nihilo de dinheiro virtual para enriquecimento exclusivo da elite plutocrática.
Imaginemos, por exemplo, o que aconteceria se de repente deixássemos por completo de pagar a Dívida Pública, que consome praticamente metade do dinheiro de nossos impostos. De uma hora para a outra todos os preços cairiam ao mesmo tempo que todos os salários aumentariam sensivelmente. Todos os setores produtivos seriam remunerados e o dinheiro circularia de forma a incentivar ainda mais o consumo e produção.
Mas a questão que evidentemente surge é, qual seria o prejuízo da supressão de tal dívida?
DA PROTEÇÃO À EXTORSÃO
Outrora bancos guardavam metais ou pedras preciosas protegendo-as de ladrões e cobrando pelo serviço de proteção. Posteriormente passaram e emprestar valores que não eram seus, num contrato de risco e confiança que contava com a não insolvência de uma possível corrida bancária (o saque súbito de grande parte de seus valores por seus proprietários) e cobrando uma taxa de juros que poderia ser vagamente justificada por esse risco em si.6
Depois passaram a imprimir papel moeda, e já é estranho um sistema que emite cédulas que apenas ‘podem’ estar realmente embasadas em valores reais, elevando os processos inflacionários a níveis antes historicamente impensáveis. Mas ainda mais bizarro é o Sistema de Reservas Fracionadas, que permite que os bancos emprestem valores várias vezes superiores ao que de fato possuem em lastro. Ou seja, além de emprestarem um dinheiro que não é deles, ainda “emprestam” um dinheiro cujo lastro na realidade não existe, e hoje sequer precisando imprimir cédulas, visto que a única coisa necessária a fazer é digitar valores no sistema informático, imediatamente, na prática, apenas autorizando trocas de valores virtuais que posteriormente exigirão trabalho real de quem realmente sustenta a economia do mundo, que são os trabalhadores.
São estes que em última instância irão trabalhar a mais para pagar as arbitrárias taxas de juros, pois alguém tem que produzir posteriormente as riquezas correspondentes os valores que foram literalmente inventados pela Reserva Fracionada, que são pagas não para quem produziu, mas para quem “emprestou um dinheiro que não existia” e que controla o sistema de emissão de moeda, mas que nada produz!
Mas esses setores financeiros usurários hoje controlam praticamente todo o sistema produtivo e político, e somente por isso aplicar-lhes um calote da dívida se torna realmente arriscado, devido a seu poder de retaliar de forma severa qualquer país que se atreva a não se submeter a essa exploração.
De protetor contra a ameaça dos ladrões, o sistema bancário se tornou como a máfia que cobra taxas de proteção, extorquindo toda a humanidade por meio de um sistema que já escravizou a quase totalidade da economia.
Por isso o exemplo dos países que aplicaram medidas anticíclicas, especialmente daqueles que outrora romperam quase por completo com o sistema financeiro, é um tema praticamente tabu, pois eles nos lembram que não só é possível escapar dessa macro exploração, como ela pode ser totalmente dispensada com absoluto ganho para a totalidade da humanidade exceto a ínfima fração que controla e se beneficia desse sistema.
O "MILAGRE" DESLAVADO
Analogamente, lembremos que a sociedade demanda serviços e produtos que evidentemente exigem a força de trabalho e organização administrativa, sendo a primeira a que emprega a grande maioria da humanidade, e a segunda os postos de liderança e controle burocrático. Mas estes últimos podem ser perfeitamente estatais, visto que há inúmeros casos de empresas completamente públicas produzindo eficazmente, bem como também de empresas cooperativas que não possuem a figura dos proprietários exclusivos cuja principal característica é se apropriar dos lucros.
Ou seja, enquanto os trabalhadores são absolutamente vitais para qualquer tipo de empreendimento, os administradores podem ser públicos ou cooperados, o que significa que a figura do proprietário dos meios produtivos é perfeitamente opcional, na melhor das hipóteses, se não dispensável, e praticamente toda a ode liberal pode ser resumida a um discurso infindável para nos convencer da absolutamente necessidade e infinita vantagem dessa contingência questionável, tratando-a com tamanha reverência e falsa importância que chega ao ponto de obscurecer por completo o que há de mais importante, que é a base trabalhista.
A necessidade de um sistema que vai ainda mais além na dispensabilidade, as elites financistas que vivem da criação de um dinheiro inventado de forma arbitrária e abusiva, é na verdade não apenas opcional, mas também claramente nociva! Um sistema parasitário cuja eliminação resulta num resultado tão benéfico que parece um milagre!
Estamos tão imersos na fraude, na mentira e na sistemática corrupção da realidade que as coisas mais simples soam como se fossem graças divinas. Quer seja um discurso que literalmente diz apenas o óbvio, mas que em meio ao lamaçal de patifaria e ignorância de nosso congresso brilha como a mais bela das revelações, ou num sistema econômico tão corrupto, alienado e hipócrita que a simples eliminação dos falsários que o controlam parece por si só miraculosa (milagre esse ao qual não podemos ficar apenas esperando.)
MARCUS VALERIO XR


Referências
1 – Roberto Requião declara seu voto contrário ao Impeachment da Presidente Dilma. O assunto em si é iniciado aos 38 segundos. E há também uma intervenção de Renan Calheiros totalmente dispensável e que foi devidamente ignorada pelo senador Requião. Já no vídeo
Francamente, é o Brasil que está em jogo, Requião sintetiza o assunto que fora antes tratado em quase 14 minutos para menos de 4, no entanto, subtraindo as referências ao Milagre Econômico Germânico.
2 – Alguns exemplos de argumento liberal de “não existe neoliberalismo” podem ser vistos em Você usa o termo neoliberal? Apenas pare., que como o próprio título sugere tem um teor jovial, para não dizer adolescente, apesar de apresentar informações interessantes dentre os típicos sofismas liberais. Já O conceito de neoliberalismo faz uma abordagem mais séria e sucinta, advogando que melhor seria usar o termo ‘neointervencionismo’, o que de fato seria totalmente acertado a não ser pelo fato que liberalismo algum existe no sentido verdadeiramente preciso do termo! Ao menos não no terceiro planeta por ordem de afastamento da estrela amarela de quarta grandeza conhecida como Sol. Mas se você tiver estômago para experimentar o baixíssimo nível predominante do discurso libertário / anarcocapitalista tente assistir ao vídeo O Que É Neoliberalismo de um sempre péssimo canal liberalóide.
De qualquer modo, todas essas argumentações podem ser resumidas num sofisma que confunde a precisão do termo com o objeto em si, como se o fato de ‘vampiros’ no sentido tradicional serem entidades lendárias fizessem o assassino serial conhecido como ‘Vampiro de Niterói’ não existir! É fato que muitos dos que usam o termo ‘neoliberalismo’ realmente tem vaga ideia do que se trata, mas isso se aplica a literalmente todos os conceitos teóricos! É até comum os próprios críticos do neoliberalismo admitirem que no fundo ele nada tem de ‘novo’ e muito menos de ‘liberal’, mas isso também se aplica a praticamente tudo o que se rotula de ‘liberal’ na atualidade, compondo uma massiva fraude conceitual. Para um texto curtíssimo de alguém que realmente entende e destrincha o histórico do conceito, e se considera um liberal no sentido clássico, veja
Um Breve História do Neoliberalismo.
3 – Dado fornecido em The Worst Hyperinflations in History: Hungary, apesar de tratar majoritariamente da Hungria.
4 – Artigo Wikipedia sobre Hjalmar Horace Greeley Schacht.
5 – Em Uma Interpretação do Primeiro Milagre Econômico Alemão temos uma descrição bastante detalhada do assunto, com um viés mais crítico.
Já 
Como Hitler Enfrentou o Desemprego há uma abordagem mais favorável ao modelos econômico do Terceiro Reich.
Muita da dificuldade de lidar com este tema deriva também do fato de outros responsáveis pela recuperação e expansão econômica da Alemanha em plena retração da economia mundial são figuras muito mais controversas, como Hermann Goring, que foi ministro da economia do Reich, e foi condenado a morte no julgamento de Nuremberg devido a seu envolvimento com o holocausto. Ou o secretário de estado
Fritz Reinhardt, que inclusive deu seu nome a um dos planos econômicos, e embora não tenha qualquer envolvimento mais direto com crimes de guerra, é frequentemente confundido com Reinhard Heydrich, este sim um dos mais temidos nazistas e um dos principais responsáveis pelo holocausto.

6 – Descrevi melhor esse tema num post em 8 de junho de 2015, também disponível nos periódicos de JUNHO DE 2015 em meu site.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

A real natureza político-ideológica da classe média tupiniquim.


Foto – Trecho do livro “A tolice da inteligência brasileira”, de Jessé de Souza.
Tal como ocorre com Jair Bolsonaro e seus filhos, a classe média brasileira, a qual de tempos em tempos se manifesta nas ruas contra o governo trajando a camisa verde e amarela da seleção brasileira de futebol, pede intervenção militar para tirar os petistas (comumente chamados de petralhas por eles) do Palácio do Planalto, nutre sentimentos saudosistas pelo regime civil-militar brasileiro, chama Jair Bolsonaro de “Bolsomito”, diz que “o Olavo está certo”, acredita que programas sociais como o Bolsa Família são esmolas e fábricas de vagabundos, tanto fala em meritocracia (sendo que a meritocracia que eles pregam não passam de um eufemismo para darwinismo social), vaia e xinga médicos cubanos em aeroportos, fala que fulano da mídia que não comunga ideologicamente com eles é “pago pelo PT”, só sabe falar em corrupção (e ainda trajando uma camisa que carrega o símbolo de uma entidade extremamente corrupta e que tem arruinado cada vez mais com o futebol brasileiro nos últimos anos, a CBF de Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Marco Polo del Nero), reclama dos 13 anos de PT no poder (mas ao mesmo tempo fecha os olhos para os dois decênios de PSDB no governo do estado de São Paulo), vaiou a Dilma em pleno Itaquerão durante a abertura da Copa do Mundo 2014 e que hoje em dia tem como herói o juiz Sérgio Moro e a República de Curitiba, é comumente vista como fascista por seus detratores.
Uma que assim classificou a classe média brasileira (em especial a de São Paulo) é a professora Marilena Chauí. Em várias ocasiões a professora da USP (a qual rejeita a ideia de que aqui no Brasil aqueles que ascenderam socialmente graças a programas sociais como o Bolsa Família são uma nova classe média) assim a classificou, como por exemplo, em um evento do PT em maio de 2013 (onde disse que a classe média é “uma abominação política, porque ela é fascista, uma abominação ética, porque ela é violenta, e ela é uma abominação cognitiva, porque ela é ignorante”), em uma palestra no Sindicato dos Advogados de São Paulo em julho de 2013 (discurso esse que causou muita polêmica na mídia) e a entrevista ao grupo Jornalistas Livres em janeiro de 2016. O rótulo de fascista, conceitualmente falando, faz ou não faz sentido no caso específico da classe média brasileira, em especial a paulistana?


Foto – Marilena Chauí sobre a classe média tupiniquim.
Nos pronunciamentos em questão, a professora paulistana falou uma série de coisas corretas a respeito da classe média tupiniquim, como por exemplo, o fato de que é uma abominação política e que é ignorante (pois pensa e sonha em ser parte da classe dominante, mas em realidade não é e nunca será), mas pisou na bola quando falou que esse mesmo grupo social é fascista. E por que dizemos isso? Primeiramente, dizer que a classe média é fascista implica em dizer que ela é partidária e/ou simpática daquilo que Aleksandr Dugin[1] chama de Terceira Teoria Política. Em algum momento essa classe média (salvo talvez um ou outro gato pingado) se mostra simpática à ideologia fundada por Benito Mussolini na década de 1920 ou qualquer um de seus derivados, entre eles o Integralismo de Plínio Salgado. Não raro vemos essa gente classificar como irmãos ideologias como o comunismo e o nazi-fascismo, com base no que diz gente como Olavo de Carvalho (vulgo Sidi Muhammad Ibrahim) e outros de sua patota que de quando em quando postam textos no site Mídia sem Máscara.
As periódicas manifestações da classe média nos sugerem que esse estamento social, tal qual Bolsonaro e seus filhos, é simpático ao sistema democrático liberal-burguês vigente no Ocidente hoje em dia. Ao passo que o fascismo do tempo de Mussolini não tinha esse mesmo apreço pela democracia liberal-burguesa, assim como era avesso ao conservadorismo tradicional, era nacionalista e em seus primórdios tinham uma proposta de mudança revolucionária da sociedade (ainda que depois da ascensão ao poder tenham se enveredado uma política de conciliação de classes similar a que Lula fez aqui no Brasil). E, além disso, como chamar essa classe média de fascista sendo que ela se mostra bem despolitizada (ou politizada bem porcamente) e que, do alto de sua soberba e arrogância, acha-se a suprassumo da sapiência e do esclarecimento, mas que é tão ou mais alienada pela mídia de massa quanto, por exemplo, os pobres de lugares como o sertão nordestino e as favelas do Rio de Janeiro (com a diferença que as pessoas da classe média para cima são os alienados gourmet)? A própria maneira com esses elementos tratam temas como a corrupção demonstra bem isso. E a raiva com que a classe média tem mostrado em suas periódicas manifestações contra o governo (quer seja nas ruas, quer seja em redes sociais) é também sintomático do fato de que nesses anos todos de poder o PT pouco ou nada fez para contrabalancear o poder de veículos de comunicação de massa como a Rede Record, a Bandeirantes e a Rede Globo, no que poderia tornar a guerra de informação com esses oligopólios menos desigual. Muito pelo contrário, Lula e companhia limitada fizeram grandes investimentos na mídia de massa (segundo artigo do DCM, cerca de R$ 6 bilhões foram investidos na Rede Globo pelo próprio governo federal entre 2003 a 2013) ao mesmo tempo em que pouca ou nenhuma atenção foi dada à mídia alternativa, muito menos criaram uma versão tupiniquim da Ley de Medios (lei essa que agora Mauricio Macri de tudo está fazendo para reverter) ou do programa “Alô, Presidente” criado por Hugo Chávez na Venezuela. Ou mesmo o que Vargas, em seu segundo mandato (1951 – 1954), fez quando criou o jornal Última Hora (que na época era o único grande jornal que estava do seu lado). Isso é algo que em um momento como o atual, em que o Partido dos Trabalhadores se encontra sob o escrutínio público levado a cabo pelo conluio judiciário-midiático, muita falta faz. E disso a República de Curitiba, diga-se de passagem, muito bem se aproveitou. Se nada for feito para ao menos contrabalancear o poder da mídia de massa, essa continuará a manufaturar ad eternum a opinião das pessoas (em especial dos setores mais abastados) em favor de seus interesses e daqueles aos quais são favoráveis contra governos de cunho mais popular e o povão continuará agindo como se fosse uma manada raivosa, histérica e acéfala em manifestações como a do dia 13 de março de 2016.
Portanto, taxar a classe média brasileira de fascista e é tão ou mais impróprio quanto chamar Lula e o PT de comunista e/ou bolivariano. Jessé de Souza, em uma entrevista concedida à TV Brasil em abril de 2016, classificou esse estamento social como de extrema direita do ponto de vista político-ideológico, afirmando que ela possui uma espécie de racismo de classe para com as classes subalternas (o termo mais correto para esse tipo de sentimento é ódio de classe. Já que pobre não é raça, e sim estamento social). E. de acordo com Marilena Chauí, a classe média possui um sonho e um pesadelo ao mesmo tempo: o sonho é ser capitalista (no sentido de ser proprietária de meios de produção. Ou seja, um capitalista com capital) e parte da classe dominante, e o pesadelo se proletarizar (ou seja, cair na escala social e se tornar parte da classe trabalhadora). Dai que nasce aquilo que a professora paulistana chama de “ideologia da ordem e da segurança”, ou seja, que a ordem continue a mesma, sem uma única e mísera mudança ad eternum de forma a que suas fantasias se realizem. E junto com isso vem toda a antipatia a qualquer governo que resolva mudar essa situação (ainda que faça mudanças bem superficiais que não mexam realmente com os privilégios das classes dominantes, como o PT tem feito no Brasil desde 2003).
Resumindo a ópera: os coxinhas da classe média brasileira, acima de tudo, são, em sua maioria (para não dizer a totalidade), defensores do status quo que ai está. São um bando de hipócritas de mão cheia: são uns leões para denunciar as falcatruas de todo aquele que não comunga com sua cartilha, mas, ao mesmo tempo, fecham seus olhos para as falcatruas dos políticos aos quais eles são favoráveis (vê se algum desses elementos se importa, por exemplo, com o fato de que o tucano José Serra quer entregar através do PL 131 a Petrobrás para a Shell, a Chevron e outras grandes petroleiras internacionais. Ou mesmo com escândalos de corrupção do tucanato tais como a privataria tucana, o mensalão mineiro e o trensalão paulista). Para eles, tudo que importa é a manutenção de seu status quo e nada mais. Dai que vem a ojeriza dessa gente pelos petistas de um lado e de outro a predileção pelo tucanato e por figuras como Ronaldo Caiado e Jair Bolsonaro, que acabam exercendo a função de cães de guarda do status quo dessa gente. Ou seja, eles são aquilo que Aleksandr Dugin chama de conservadores liberais. Segundo o pensador russo, o conservador liberal é o tipo do sujeito que diz amém às mudanças liberais e o avanço do mundo moderno unipolar, mas de forma mais gradual, e que acredita nos preceitos liberais da modernidade e ao mesmo tempo acha que ainda é um pouco cedo para os preceitos da pós-modernidade (ou seja, não se opõe de fato à pós-modernidade).
Mas, se a classe média em realidade pouco ou nada tem de fascista, o que será que dá margem para que gente como Marilena Chauí lhe darem esse rótulo? Da mesma forma com que os termos comunista e bolivariano para a direita raivosa brasileira e o termo nazista para os sionistas viraram espantalhos retóricos e porretes linguísticos, para a esquerda, o fascismo ganhou o mesmo significado. Quando o termo fascismo vem à mente das pessoas, ele geralmente é associado com palavras como truculência e violência, assim como posturas reacionárias e refratárias a movimentos e governos populares. E é esse tipo de postura da classe média que dá margem para ele ser taxado de fascista. Mas há uma diferença abissal entre ser truculento e refratário a governos de esquerda e movimentos populares (coisa que qualquer um pode ser, independente da ideologia que professa) e ser um fascista de fato, no verdadeiro sentido do termo.


Foto - Fascistas italianos x Coxinhas tupiniquins.

Fontes:
A classe média brasileira. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=u6klWDRCz9M
A maldição da classe média. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=H1nZeCncZps
Arthur Lima – A quarta ideologia. Disponível em: http://legio-victrix.blogspot.com.br/2015/11/arthur-lima-quarta-ideologia.html
As abominações da classe média – Marilena Chauí. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=3MX5b3EfMAw
Para Jessé de Souza, classe média é sadomasoquista ao apoiar as elites. Disponível em: http://jornalggn.com.br/noticia/para-jesse-de-souza-classe-media-e-sadomasoquista-ao-apoiar-elites
Por que o governo coloca tanto dinheiro na Rede Globo? Disponível em: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/sobre-os-gastos-de-publicidade-do-governo/
Macri disuelve a la AFSCA y amenaza con anular Ley de Medios (em espanhol). Disponível em:
Marilena Chauí – como identificar a classe média. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=tL3xmEU7lAI




[1] Leia-se “Duguin”, pois no russo, assim como em idiomas como o alemão, o polonês, o mongol e o japonês, o som da partícula g (cirílico Г) não muda em função da vogal seguinte tal como nas línguas latinas e no inglês.