terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Lula é culpado? - O verso da página.


Foto – Luís Ignácio Lula da Silva (imagem ilustrativa).
Em 30 de dezembro de 2016 saiu um vídeo no canal do You Tube Woodstock 59 intitulado “Lula é culpado?”, de 4 minutos e 14 segundos de duração onde várias pessoas tanto do Brasil quanto de outros países respondem que se Lula é de fato culpado é por ter feito uma série de benfeitorias ao povo brasileiro ao longo de seus oito anos de governo. Este artigo é digamos o verso da página desse vídeo, onde será listado 14 motivos pelos quais Lula é também culpado (e que não recairá na mediocridade e torpeza típica do senso comum que os grandes meios de comunicação vomitam e em acusações de envolvimento em esquemas de corrupção contra o político nascido em Garanhuns). Lula é culpado? Sim, é culpado por:
1 – Não ter feito a alfabetização política daqueles que foram beneficiados por programas sociais como o Bolsa Família e o Projeto Minha Casa Minha Vida (PMCMV), ao contrário do que fez Hugo Chávez na Venezuela com os círculos bolivarianos e as misiones onde se promoviam discussões a respeito da constituição venezuelana. Política social não se resume a inserir 40 milhões de pobres ou mais na sociedade de consumo e assim ter acesso a smartphones, celulares, tênis da moda e carros (os quais não raro são pagos em inúmeras parcelas cheias de juros). E daí que nascem fenômenos tais como os rolezeiros de periferia que volta e meia aparecem em Shopping Centers e os pobres de direita (vulgo capitalistas sem capital) que votam em políticos como Dória. Sem a devida alfabetização política, toda essa gente continua a mercê do senso comum bombardeado pelos grandes meios de comunicação e por gente como Olavo de Carvalho (vulgo Sidi Muhammad Ibrahim), Nando Moura e outros.
2 – Não ter encarado nem mesmo no ápice de sua popularidade a questão midiática, tal qual Cristina Kirchner e Hugo Chávez fizeram em seus respectivos países. Pelo contrário, Lula e Dilma investiram pesadamente em publicidade na mídia de massa, a ponto de salvarem a Globo de ter o mesmo destino que a Manchete teve em 1999: a falência. Algo igualmente digno de nota é o fato de que José Dirceu, ainda no primeiro governo Lula, chegou a dizer para Roberto Requião que a democratização da mídia proposta pelo ex-governador do estado do Paraná era desnecessária por que eles já tinham uma TV oficial, a Rede Globo. Mas será que eles em algum momento pensaram que poderiam tomar a punhalada pelas costas que tem tomado desde que estourou o escândalo do mensalão? E será que os petistas acharam que a Globo não ia fazer com eles o mesmo que fez antes com nomes ligados a partidos de caráter popular tais como Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola?
3 – Não ter feito reforma agrária alguma, ajudando assim a perpetuar na zona rural brasileira o velho latifúndio de extração colonial agroexportadora (que nos grandes meios de comunicação ganha o nome elegante de agronegócio), que teve sua fronteira largamente ampliada durante os governos petistas. Isso ao ponto de Dilma Rousseff ter assentado menos pessoas que João Batista Figueiredo e ter nomeado Kátia Abreu como ministra da agricultura em seu segundo governo. A mesma Kátia Abreu que posteriormente votou contra o impeachment de Dilma, na contramão de outros ruralistas como Ronaldo Caiado. E então direita raivosa, vocês que tanta fanfarra fazem em torno das relações do PT com o MST, o que me dizem disso?
4 – Ter fortalecido instituições tais como o Ministério Público Federal, a Controladoria da Receita e a Polícia Federal no combate à corrupção sem levar em consideração a presença do elemento reacionário nessas instituições. Muitos petistas, entre eles o ex-presidente Lula e o ator Sérgio Mamberti (notório por papéis como o Doutor Vitor em Castelo Rá-Tim-Bum), gabam-se de que sob os governos petistas houve um fortalecimento das já citadas instituições no combate à corrupção. Entretanto, como a Operação Lava Jato (cujo coordenador, o juiz Sérgio Moro, volta e meia faz palestras para tucanos de alta plumagem) e episódios como o fato de que o delegado da PF Márcio Anselmo ter feito cabo eleitoral a Aécio Neves na campanha presidencial de 2014 (o mesmo Márcio Anselmo que na época chamou Lula de “anta” e que no ano passado indiciou o político pernambucano no âmbito da Operação Lava Jato), tais instituições são grandes antros reacionários. Não acham que eles, tendo o poder que tem agora e se aproveitando de toda uma convergência de interesses favorável à queda de Dilma, não iam usá-lo para destronar os petistas do Palácio do Planalto? No fim, o que Lula e Dilma fizeram foi chocar o ovo da serpente que agora os pica e os persegue furiosamente.
5 – Ter assinado a Carta aos Brasileiros (vulgo Carta aos Banqueiros) logo depois de ter sido eleito presidente pela primeira vez, em 2002. Isso invariavelmente significou assumir um compromisso com os agentes do poder econômico e com a manutenção da política macroeconômica delineada em 1994 com o pacto de classes do Plano Real. Ou seja, ao assinar a Carta aos Brasileiros, Lula mostrou aos agentes do mercado financeiro que aceitou as regras do jogo estabelecidas em 1994 e que seria um mero gerente do Estado burguês brasileiro. Certamente, chantagens a ele (acompanhadas de ataques especulativos onde a cotação do dólar aumentou para mais de R$ 4,00) devem ter sido feitas nesse sentido.
6 – Não ter feito auditoria da dívida (a mesma auditoria que Dilma vetou no começou no começo do ano passado), tal qual Rafael Correa fez no Equador em 2007. Como já dito aqui várias vezes, o grande sorvedouro de recursos do Brasil não é a corrupção que o noticiário televisivo mostra e que envolve políticos e empresários, e sim aquilo que Brizola em vida chamava de “perdas internacionais”, que é a sangria de dinheiro que o país perde todo ano por meio do sistema de dívida e os pagamentos de juros e amortizações que ele envolve. Como as taxas de juros no Brasil são elevadíssimas (geralmente na faixa dos 14%), o fardo dessa dívida acaba sendo ainda maior sobre as costas do povo. E aí pergunto como um país como o Brasil vai conseguir se desenvolver em sua máxima potencialidade destinando anualmente quase a metade de seu orçamento ao pagamento dos juros e amortizações do serviço da dívida, no que ajuda a enriquecer a apenas um grupo reduzido de agiotas que fazem fortuna especulando em cima dos títulos da dívida e assaltando continuamente o Estado, e que é onde se encontra o mais alto nível da corrupção brasileira?
7 – Ter feito uma Comissão da Verdade que pouco avançou nas investigações sobre o período civil-militar, ao contrário do que foi feito em países como a Argentina e o Chile (onde importantes torturadores do período, entre eles os chilenos Manuel Contreras e Miguel Krassnoff Martchenko, foram condenados e presos, e o ex-ditador militar argentino Jorge[1] Videla condenado à prisão perpétua). Aqui no Brasil nenhum grande torturador do período teve o mesmo destino que Krassnoff e Contreras (esse último falecido no ano retrasado) tiveram no Chile, como é o caso do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que foi homenagem por Jair Bolsonaro durante a votação do impeachment na Câmara dos Deputados. E, se nenhum grande agente da tortura civil-militar da época teve, o que dirá dos agentes do poder econômico que apoiaram a tortura (entre eles a FIESP, que esteve do lado golpista tanto em 1964 quanto no ano passado). Talvez esse seja um dos motivos pelos quais Jair Bolsonaro e seu clã conseguiram a projeção que hoje tem no cenário político nacional.
Entretanto, a meu ver, não é só o período civil-militar que deveria e merece ser investigado e passado a limpo na Comissão da Verdade. O mesmo também deve ser feito com a experiência neoliberal no Brasil que se iniciou a partir do governo Collor e assim abrir a caixa preta do Plano Real, da privataria tucana e até mesmo da Carta aos Brasileiros e investigar todas as negociatas nebulosas e falcatruas neles envoltas. Assim como a Rússia um dia terá de fazer o devido acerto de contas com a Era Yeltsin, o Brasil também terá de fazer o devido acerto de contas com a Era FHC. Só assim que o neoliberalismo, toda sua lógica e seus ditames advindos do Consenso de Washington serão enfim superados no país. Até porque as oligarquias e agentes do poder econômico que mandavam na época no país e que estão mancomunados com todo um projeto de transnacionalização da economia brasileira para o capital estrangeira continuam mandando no país até hoje. Também defendo que futuramente seja levada a escrutínio público a Operação Lava Jato e a colaboração de seus juízes e promotores para com poderes externos, em especial os Estados Unidos.
Algo digno de nota a respeito disso é o fato de que hoje, nas fileiras do governo Temer, ao mesmo tempo em que uma figura ligada ao período civil-militar, Sérgio Westphalen Etchegoyen (cujo pai, o coronel Leo Guedes Etchegoyen, falecido em 2003, foi incluído na lista de 377 agentes do Estado considerados responsáveis por crimes e violações de direitos humanos no período entre 1964 a 1985), é o ministro-chefe da Secretaria de Segurança Institucional, aquele que o livro “A Privataria Tucana” aponta como o cérebro do processo de privatizações do governo FHC, José Serra, é o ministro das relações exteriores. Isso para não falar de que no mesmo governo Temer pessoas como Henrique Meirelles e o israelense naturalizado brasileiro Ilan Goldfajn ocupam altos cargos: o primeiro (que fora presidente do Banco Central durante os dois governos Lula) é ministro da Fazenda e Previdência Social segundo é o presidente do Banco Central Brasileiro.
8 – Não mexer nos privilégios da classe dominante. Como será que os petistas podem falar em um Brasil para todos sem tocar um único dedo nos privilégios da classe dominante? Classe essa que tem um padrão de vida nababesco, paga quase nada de imposto, são os grandes sonegadores de imposto do nosso país e que não tem o menor pudor em estabelecer um regime de exceção para defender seus interesses classistas quando estes estão ameaçados, tal qual aconteceu em 1964 quando João Goulart colocou as reformas de base na pauta do dia? Ainda mais quando estamos falando de um dos países mais desiguais do mundo (se não o mais) e atravessado por um dos mais terríveis conflitos de classe entre o andar de cima e o andar de baixo (conflito esse que o PT anestesiou esses anos todos por meio da política de conciliação de classe)?
9 – Jamais ter convocado o povo brasileiro para uma única e mísera luta ao longo do período de 2002 a 2016. Ao invés disso, preferiu fazer uma política de conciliação de classes onde o lucro do andar de cima foi muito maior que o do andar de baixo. Tal política, enquanto a economia global ia bem, foi conveniente ao andar de cima, mas agora os tempos são outros. No presente momento de crise econômica eles querem é seus verdadeiros representantes no Palácio do Planalto para fazer os arrochos e políticas de austeridade (que o próprio PT já vinha fazendo ainda no segundo governo Dilma, mas não com a força e a intensidade que eles queriam) que o processo de acumulação capitalista brasileiro que eles comandam requer. Quando alguém como o Lula faz esse tipo de política com o andar de cima, esse automaticamente joga xadrez com o outro e espera o momento certo para poder se livrar dele. E será que o Lula e os petistas em algum momento não acharam que poderiam tomar a punhalada nas costas que tomaram no ano passado da parte dessa gente e que teriam para sempre a simpatia do andar de cima?
10 – Não ter se dado conta de que a descoberta do Pré-Sal mais cedo ou mais tarde atiçaria a cobiça dos grandes conglomerados petrolíferos internacionais (entre elas a Chevron e a Shell, que tem ligações com a esposa do juiz Sérgio Moro). Por trás das pessoas que querem acabar com o Pré-Sal (que o próprio Lula afirmou em um discurso da campanha presidencial de Dilma Rousseff de 2014) estão esses conglomerados petrolíferos internacionais. Ou será que os irmãos Koch financiam Kim Kataguiri e o MBL por mero capricho do destino?
Segundo Gilberto Felisberto Vasconcellos, nenhum país com grande reserva petrolífera tem sossego desde os tempos de Nasser diante da cobiça dos grandes conglomerados petrolíferos internacionais. Qualquer governante de país periférico que resolva utilizar o petróleo não para abastecer as indústrias dos países centrais, e sim para proveito de seu próprio país e de seu próprio povo, é fatalmente alvo de ações de desestabilização interna, ou mesmo de invasões militares. Como por exemplo, o golpe contra Mossadegh no Irã em 1954, a Guerra Irã-Iraque entre 1980 a 1988 (onde os EUA deram apoio a ambos os lados da contenda tanto direta quanto indiretamente para que se digladiassem até a exaustão), as duas invasões anglo-americanas ao Iraque em 1991 e 2003, as várias sanções econômicas que países como Líbia, Iraque e Irã foram submetidos nesses anos todos (geralmente sob os auspícios da ONU), tentativas de desestabilização da Venezuela em 2002 e 2014 e do Irã em 2009, a invasão da OTAN a Líbia em 2011 e a tentativa de se derrubar Bashar al-Assad na Síria que se arrasta desde 2011, entre outras tantas que aqui podem ser listadas. Ou será que é por mero acaso do destino que figuras como Saddam Hussein, Muammar al-Kadaffi, o aiatolá Khomeini, Hugo Chávez e Nicolás Maduro são maciçamente demonizadas pela máquina de propaganda da mídia de massa? E será que Lula e Dilma pensaram que com o Pré-Sal a história seria diferente e que esses abutres, que fizeram campanha contra a criação da Petrobrás nos anos 1950, não iam lançar seu olho gordo? E o mais incrível de tudo é que enquanto em casos como o da Líbia e do Iraque foi necessária a intervenção militar anglo-americana para saquear sua riqueza petrolífera e na Síria e na Venezuela guerras por procuração teleguiadas desde fora, aqui no Brasil foi preciso apenas a ação de um judiciário vendido em conluio com uma imprensa igualmente vendida e de políticos venais e entreguistas como Jair Bolsonaro e José Serra (autor do PL 4567/16) para tal.
11 – Por não ter feito enfrentamento algum contra a presença do capital multinacional em solo brasileiro, tal qual Nasser fez no Egito quando nacionalizou o canal de Suez (que desde meados do século XIX era um condomínio franco-britânico) em 1956, Brizola quando encampou as filiais gaúchas da ITT[2] e da Bond & Share enquanto foi governador do Estado do Rio Grande do Sul, Muammar al-Kadaffi quando nacionalizou o petróleo líbio logo após a Revolução de 1969, Salvador Allende quando nacionalizou a produção chilena de cobre, Saddam Hussein quando nacionalizou o petróleo iraquiano em 1978 e Cristina Kirchner na Argentina quando nacionalizou a empresa petroleira YPF[3] (que tinha sido privatizada durante a Era Menem e que cujo controle acionário estava nas mãos da empresa espanhola Repsol), entre tantos outros exemplos.
E aí eu pergunto desde quando que um país desenvolve todas suas potencialidades abrindo seu mercado e suas pernas para o capital internacional? Será que países como os Estados Unidos, a Alemanha e o Japão chegaram ao patamar de desenvolvimento em que estão hoje se submetendo a lógica de tratados comerciais desiguais como o Tratado de Methuen entre Portugal e Inglaterra em 1703 e o Tratado de Eden Rayneval entre França e Inglaterra em 1786, onde um dos lados vendia commodities (em ambos os casos, o vinho) e em troca recebia os tecidos e manufaturas inglesas que tinham um valor agregado muito maior (no que gerava rombos e mais rombos na balança comercial do país de economia menos desenvolvida)? A resposta para essa questão é um rotundo não. Esses países se desenvolveram acima de tudo na base de um forte protecionismo de seu mercado interno, e não do conto da carochinha do livre mercado que os liberalecos de meia tigela vivem apregoando por aí. Ou será que foi por um mero capricho do destino que entre as reformas de base de João Goulart estava o controle da remessa de lucros de multinacionais aqui estabelecidas? Empresas essas que quando vão para um país periférico não estão nem um pouco interessados em seu desenvolvimento, e sim em mandar a maior quantia de dinheiro possível para sua matriz no país central.
12 – Por não ter revertido com nenhuma das privatizações dos governos Collor e FHC. Segundo o finado Doutor Enéas, as privatizações feitas durante os governos Collor e FHC consistem de negociatas onde o patrimônio público do país é vendido a preço de banana a um bando de representantes do sistema financeiro internacional. Em outras palavras, foram crimes de lesa pátria, ainda mais levando em conta que foram vendidas a essa gente por preço de banana. E, como as falcatruas da era FHC ficaram impunes e não tiveram o devido escrutínio, os representantes do tucanato puderam se posar nesses anos todos como paladinos da ética e da moralidade diante da população (para além do fato de terem o apoio dos grandes meios de comunicação e de grandes representantes do poder econômico nacional), a ponto de em 2011 desdenharem do lançamento do livro “A Privataria Tucana”, de Amaury Ribeiro Júnior.
13 – Por ter sido excessivamente republicano no trato com as instituições, mesmo quando essas o atacam da forma raivosa mais possível por meio daquilo que alguns especialistas chamam de lawfare (ou seja, o uso da lei como arma de guerra contra um inimigo). Além disso, dos 11 juízes do STF, Lula e os petistas nomearam 10 deles (entre Joaquim Barbosa e Carmen Lúcia). Como dito em artigos anteriores, o tribunal aqui no Brasil historicamente sempre esteve a serviço da classe dominante acima de tudo, e os petistas, querendo se posar ao mundo de “esquerda responsável”, em momento mexeram com as regalias e mordomias dessa gente. E vendo que o julgamento do mensalão em 2012, conduzido por Joaquim Barbosa, foi enviesado politicamente contra eles, será que o PT esperava que a Operação Lava Jato, tendo sob sua condução um juiz cuja família é ligada ao tucanato, a história seria diferente?
14 – Por último, e o mais importante de tudo: não ter feito o devido combate ao golpe que levou Michel Temer e sua gangue ao poder. Como vocês acham que Hugo Chávez conseguiu vencer os golpistas que tentaram derrubá-lo do poder em 2002? Dando-lhes flores, beijos e abraços? Não. Como vocês acham que o regime bolivariano, hoje sob a batuta de Nicolás Maduro, consegue manter-se de pé mesmo diante da ofensiva dos elementos reacionários locais que se arrasta desde 2014 (onde se recorreram a artifícios tais como guerra econômica, terrorismo de Extrema Direita e uma recente tentativa de golpe parlamentar)? Sentando-se a mesa para tomar chá com os golpistas? Também não. E como vocês acham que Leonel Brizola derrotou os golpistas militares durante a Campanha da Legalidade em 1961? Foi abaixando a cabeça e se prostrando perante os golpistas? Também não. Todas essas iniciativas golpistas foram derrotadas na base do enfrentamento aos golpistas. E a própria inércia dos petistas quanto ao golpe que sofreram no ano passado demonstra que aquela ideia que a direita raivosa apregoava de que o PT fez um aparelhamento geral nas instituições e na mídia brasileira no fim não passou de um grande conto da carochinha.
Resumo da ópera: Em minha opinião, Lula, por um lado, é um político com grande carisma, dotado de uma retórica flamejante, que sabe como ninguém falar com o povão mais humilde e com um grande potencial. Mas por outro lado, Lula é um político ideologicamente muito limitado. Para que tenha futuro na política brasileira, Lula e os petistas terão que fazer seu “eclipse da inocência” (parafraseando Nildo Ouriques) ou o lixo da história os aguarda ali na esquina. A começar por parar de pensar que política é sinônimo de eleição e que política social é a mesma coisa que inserir o pobre na sociedade do consumo.

Foto – O paradoxo petista em 2015.
Fontes:
A necessária superação da esquerda decorativa. Disponível em: http://www.iela.ufsc.br/noticia/necessaria-superacao-da-esquerda-decorativa
Ator Sérgio Mamberti – por que perseguem Lula? Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=dZXyRDqGHzw
Delegado que indiciou Lula o chamou de “anta” e fez campanha para Aécio. Disponível em: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2016/12/delegado-indiciou-lula-chamou-anta-aecio.html
Escândalo: Dilma veta a realização de auditoria da dívida pública com participação de entidades civis. Disponível em: http://www.auditoriacidada.org.br/blog/2016/01/14/dilma-veta-auditoria/
Especial PRONA – Doutor Enéas (Parte 6/8). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=cBw1GRV29-Y
Forte não é o Meirelles, é o Etchegoyen. Disponível em: https://www.conversaafiada.com.br/economia/forte-nao-e-o-meirelles-e-o-etchgoyen
José Dirceu teria dito: “A Globo é a TV do governo”. Disponível em: http://www.revistaforum.com.br/blogdorovai/2015/08/04/jose-dirceu-teria-dito-globo-e-tv-governo/
Lawfare à brasileira. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=x9HkUSSABms
Lula fala da economia e de como a classe média é cega e preconceituosa. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ozGbBd6wgRs
Lula fala do pré-sal e futuro. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Cv9u5sMZe7o
Lula na Rocinha: pobre só era gente em tempo de eleição. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=pSaKgcBufwQ
Lula: Lava Jato virou perseguição contra candidatura do PT em 2018. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=soPTjzhdQq8
Lula: “provei que tenho mais competência que a elite brasileira para governar o Brasil”. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=a0dgJPxCK7I
Lula é culpado? Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=MYX-UQnf4kM
Nildo Ouriques – o eclipse da inocência. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=1-UZV9_iO1g&t=3s
O conceito de “lawfare”. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=WKQW_MdCsl8
Partido dos Trabalhadores. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Partido_dos_Trabalhadores
Por que João Dória venceu até nas periferias? Disponível em: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2016/10/por-que-joao-doria-venceu-periferias.html
Por que o governo coloca tanto dinheiro na Rede Globo? Disponível em: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/sobre-os-gastos-de-publicidade-do-governo/
Requião: Dirceu achou que podia controlar Globo com dinheiro de publicidade. Disponível em: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/requiao-dirceu-achou-que-podia-controlar-globo-com-dinheiro-de-publicidade/
Requião: o grande capital não quer derrubar a Dilma. Disponível em: http://www.conversaafiada.com.br/politica/2015/08/04/requiao-o-grande-capital-nao-quer-derrubar-a-dilma
Sérgio Mamberti: “por que perseguem Lula? Cadê as provas? Cadê?” Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=1xI9YOdCP4k
Uma perspectiva latino-americana para as políticas sociais: quão distante está o horizonte? Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rk/v9n2/a04v09n2

NOTAS:

[1] Leia-se “Rrorrre”, pois no espanhol a partícula j e o g quando sucedido por e ou i tem o mesmo valor do h no inglês e no húngaro, do ch no alemão e no polonês e do kh no russo, no mongol, no árabe e no persa: r aspirado.
[2] International Telegraph and Telephone (em português Telégrafo e Telefone Internacional).
[3] Yacimientos Petrolíferos Fiscales (em português Depósitos Petrolíferos fiscais).

4 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. Quanto ao 5, não era possível. Foi condição sine qua non para assumir o governo. Qualquer ação nesse sentido teria que ser posterior, após muito acúmulo de poder, que foi grandemente prejudicado pelo escândalo do Mensalão.

    E quanto ao 14 não havia mais força alguma. O PT já estava completamente fragilizado e desmoralizado demais, tanto por seus próprios erros quanto pelo massacre midiático-jurídico-político incessante.

    O principal fator dessa fragilidade, sempre insistirei, é a Neo Esquerda. O que poderia constituir um ponto adicional nesta lista, pois o PT é completamente culpado de ter empurrado goela abaixo da população políticas ideológicas espúrias repudiadas pela grande maioria e por qualquer pessoa de bom senso.

    É como está dito em Os Titereiros do Capital (http://resistenciaterceiromundista.blogspot.com.br/2016/08/os-titereiros-do-capital-e-as.html): "...o fato de quase nenhum deputado ter citado os supostos motivos técnicos do pedido de Impeachment mas terem vastamente feito referências aos ataques promovidos pelo PT contra os valores tradicionais familiares, religiosos, morais e éticos, deveria servir de lição para o que ainda resta da Esquerda original aprender que as pautas da Nova Esquerda devem ser abandonadas pelo bem de qualquer projeto de governo popular, trabalhista e nacional."

    A questão é: seria possível não ser assim?

    O Governo Lula em especial poderia ter sido melhor, claro, mas o quanto? Já tendo sido melhor que qualquer outro desde Jango, seria possível ser ainda mais?

    Penso que seria quase improvável. Haja visto que mesmo tão pouco tendo feito, foi escorraçado por quase nada. A única coisa que poderia sim ter feito seria ter enfrentado a mídia, pois pelo que se viu, o resultado final não parece ter feito diferença. Haja visto a Veja inventado toda sorte de mentiras e ridicularizando o governo da forma mais espúria e ainda assim se vitimizando como se estivesse sendo perseguida.

    ResponderExcluir
  3. Não se deve esquecer que o próprio PT burocratizou a CUT e o MST, a fim destas ficarem dóceis e desmobilizadas, a ponto destas estarem enfraquecidas demais para reagirem ao impeachment de Dilma.

    ResponderExcluir
  4. Olavo de Carvalho incomoda vocês não é?não suportam a verdade... sai desse mundo amiguinhos, sai dessa utopia.

    ResponderExcluir