sábado, 7 de março de 2026

Caso Orelha - Cachorro comunitário é uma farsa!

 

Foto – Orelha.

Recentemente, a morte do cachorro de rua Orelha, de cerca de 10 anos de idade, ocorrida em Praia Brava (bairro na região norte do município de Florianópolis, Santa Catarina) no dia 4 de janeiro do presente ano por quatro jovens, chocou o Brasil. O cachorro foi morto a pauladas e com requintes de crueldade. O animal, um cachorro vira-lata, foi encontrado com ferimentos graves, em seguida enviado a uma clínica veterinária e, dada a gravidade dos ferimentos, decidiu-se sacrificá-lo.

A repercussão deste incidente lamentável foi tal que no feed do meu perfil do Facebook praticamente só via o povo falando em Orelha. Orelha isso, Orelha aquilo, Orelha não sei o que, Orelha não sei aquilo, Orelha não sei mais o que. E isso me deixou com a pulga atrás da orelha, literalmente.

Me lembrou muito do dia em que veio à tona os podres da pastora Flordelis (vulgo Queturiene), incluindo o fato de ela ter sido a mandante do assassinato do segundo marido dela, o pastor Anderson do Carmo (vulgo Niel). O povo praticamente só falava em Flordelis (à época deputada federal pelo estado do Rio de Janeiro e aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro). Flordelis isso, Flordelis aquilo, Flordelis não o sei o que, Flordelis não sei aquilo, Flordelis não sei mais o que. E também fiquei muito incomodado com isso.

E ainda por cima já se passaram quase dois meses do ocorrido e ainda vejo o assunto Orelha em alta no meu feed de notícias do Facebook.

E vejam só: o povo só falando em Orelha e se esquecendo, por exemplo, do banco Master (escândalo de corrupção EM LARGA ESCALA que envolve altos figurões da política, do sistema judiciário, da imprensa e do sistema financeiro brasileiro, verdadeiro Banestado 2.0), do caso Jeffrey Epstein (que envolve altos figurões da política americana e israelense e da realeza europeia), do caso Sean Combs/Puff Daddy (no qual estão envolvidos altos figurões do mundo do show business e que escancara a extensão da podridão de Hollywood) ou das tensões no Oriente Médio (com potencial para levar o mundo a uma Terceira Guerra Mundial).

Mas não vou entrar no mérito das questões jurídicas e legais do caso. Nem dos projetos de lei que surgiram na trilha do caso Orelha. Muito menos pedir punição para os assassinos do cachorro. Isso é mais do mesmo. E mais do mesmo é chover no molhado. Vou sim entrar no mérito de questões que, no meio da comoção do caso, passam batidas e que o povão não se dá conta (ou será que ignora propositalmente e só quer saber de sentimentalismo e comoção barata nas redes sociais – afinal, é o que gera engajamento)?

Primeiro de tudo, acho que já está mais que na hora de pararmos de agir feito um gado acéfalo quando casos como esse ocorrem. Vou falar o que tem que ser dito a respeito desse caso, não o que o povão quer ouvir. Quem quiser ver sentimentalismo, indignação barata e pedidos por justiça por Orelha, procure outro lugar. Aqui a conversa é outra.

Primeiro de tudo, vamos nos lembrar que tipo de vida o finado Orelha levava, e usando as palavras certas. O pessoal fala por ai que Orelha era um cachorro comunitário, cuidado por moradores do local em que vivia.

Só que essa coisa de cachorro de comunitário nada mais é que um malabarismo, uma maquiagem lingüística, que certo pessoal usa para mascarar a realidade lamentável e degradante que cachorros de rua como ele vivem. E por mais que os ditos cachorros comunitários tenham alguns cuidados, isso não muda a situação concreta de que eles são cachorros de rua, sem dono nem um lar fixo. Isso é como perfumar excremento. O excremento não vai deixar de ser o que é só por que foi perfumado e agora tem cheiro agradável.


Portanto, surpresa zero o destino que Orelha teve. É o típico caso do cachorro de rua que morre nas mais diversas situações. Situações tais como atropelamentos por carros, ônibus, motos e caminhões, toda sorte de agressões por parte de pessoas, ferimentos decorrentes de lutas contra outros cachorros, doenças diversas, problemas relativos à velhice (isso quando chegam à idade avançada), fome, frio, entre outras tantas. A expectativa de vida de cães de rua é bem menor que a de cães que vivem em um lar sob os cuidados de uma família, geralmente em torno de 3 a 5 anos (quando sob os devidos cuidados cachorros têm uma longevidade bem maior – eu mesmo tive uma poodle que morreu aos 18 anos, e hoje tenho uma Lhasa Apso de 10 anos de idade).

E isso para não falar que cães de rua por vezes atacam pessoas, animais silvestres, se tornam eles mesmos selvagens, formam bandos com outros cães de rua e são transmissores de doenças como a raiva (que é uma doença incurável). Ou seja, são um problema de saúde pública e ambiental!

Fazendo uma pesquisa pela Internet sobre “cachorro comunitário”, descobri vários casos semelhantes com outros cachorros de rua, e que não geraram a mesma comoção do caso Orelha. Entre eles casos como o do cachorro Abacate (da cidade de Toledo, Paraná) e tantos outros. 





Quando se coloca a coisa em perspectiva, em um contexto mais amplo, aí se tem um entendimento mais claro da coisa toda. Sem sentimentalismo barato, nem nada.

E verdade seja dita – o dito “cachorro comunitário” que certos defensores de animais e políticos e ONGs a eles ligadas advogam e tentam emplacar por aí por meio de projetos de lei nada mais é que um cachorro que é de toda a comunidade, e ao mesmo tempo é de ninguém. Em outras palavras, é um cachorro sem dono, sem casa nem nada. Uma coisa bem Grande Reset e Agenda 2030 para o meu gosto, diga-se de passagem.

Foto – “Você não terá nada e será feliz sobre isso”. Assim disse Klaus Schwab, arauto do Grande Reset e da Agenda 2030.

Essa história de cachorro comunitário é, em realidade, uma grande farsa. Não existe cachorro comunitário, e sim cachorro abandonado nas ruas. Quando será que as pessoas vão se tocar da realidade? Entenderam, ou precisa desenhar? Aliás, o próprio Orelha morava em uma casinha de cachorro junto com outras duas ao lado. Casinha essa que não oferece proteção alguma quando, por exemplo, ocorre uma chuva forte com vento e a água voa para o teu lado. Nem mesmo contra temporais e vendavais fortes.

Chamar cachorro de rua de cachorro comunitário é que nem, por exemplo, chamar favela de comunidade. Uma maquiagem lingüística e nada mais.

Não é de hoje que em nome do politicamente correto certo pessoal começou a fazer maquiagem lingüística, que no fim das contas só muda o nome da coisa. Pessoas como a renomada professora e historiadora Lilia Schwarcz e até mesmo figurões do STF endossam esse tipo de coisa sob o pretexto de coisas como limpar o idioma da escravidão e do combate ao racismo. 


E a grande imprensa do nosso país também comunga com esse tipo de coisa, vide o caso da jornalista da Globo News Carolina Cimenti, que em 2022 tomou uma corrigida ao vivo após usar a palavra denegrir.

E não para por aí: há alguns anos acompanhei a uma novela do SBT, Poliana Moça (estrelada por Sophia Valverde e Igor Jansen), continuação de as aventuras de Poliana (ambas adaptações da série de livros Pollyanna, da escritora americana Eleanor H. Porter). E na novela há uma favela, a qual no texto da mesma é chamada de comunidade. Ou seja: a favela vira comunidade e o local continua tendo infraestrutura precária, ruas sujas e fedorentas, sem água, sem esgoto, casas amontoadas, moradores sem emprego, passando uma série de necessidades e ainda por cima intimidados e chantageados por bandidos como o Rato e a Cobra.

Uma das vozes que se insurgiram contra essas maquiagens lingüísticas é o professor José Paulo Netto. Em palestra datada de 2012, o professor de Juiz de Fora e militante histórico do Partido Comunista Brasileiro (PCB) classifica isso como “hipocrisia pequeno-burguesa”.

Pela direita, esse tipo de maquiagem lingüística é criticada por figuras como o professor Marco Antônio Villa. 

O rapper carioca MV Bill também faz denúncia similar na música “Favela vive parte 2”, datada de 2017 e feita em parceria com Funkero e BK.

Lá atrás começaram chamando favela de comunidade. Negro de afrodescendente. Índio de povo originário. O uso de palavras como denegrir e criado mudo passou a ser prescrito. E mais recentemente, a coisa escalou e hoje chamam o proprietário de um cachorro, gato ou coelho de tutor ao invés de dono e cachorro de rua de cachorro comunitário. Para ver como essa coisa de maquiagem lingüística começou há uns 15, 20 anos e foi escalando com o passar do tempo. E a tendência é a coisa piorar e escalar ainda mais se não houver um freio a essa situação.

E fecho este artigo com algo para deixar esses defensores de animais, entre eles a famigerada Luisa Mell (vulgo Marina Zats) e deputados da chamada causa animal que acham essa coisa de cachorro de rua lindo, p* da vida: antes esses cachorros fazendo truques em um circo ou em provas de obstáculos, ajudando cegos ou conduzindo gado em rodeios, vaquejadas e fazendas que abandonado nas ruas, sujeitos a todo tipo de agressão e maldades. Que nem os infelizes Orelha, Abacate e tantos outros.

E reiterando: não contem conosco para o politicamente correto! Maquiagem lingüística não é conosco.

Fontes:

Caso Orelha. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Caso_Orelha

O que é cachorro comunitário. Disponível em: https://www.petz.com.br/blog/cachorro-comunitario/