sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

Quem é rei não perde a majestade - homenagem a Pelé

 

Foto – Pelé (1940 – 2022).

Ontem, 29 de outubro de 2022, Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, o atleta do século XX, nos deixou aos 82 anos de idade. Desde o final do último ano o rei do futebol vinha enfrentando um câncer no cólon que veio fatigando-o, lhe causando complicações e que no fim das contas o ceifou. Que agora Pelé esteja em boas mãos junto ao Nosso Senhor e que sua alma tenha a melhor acolhida possível no além.

Desde tenra idade ouvi histórias a respeito de Pelé e seus feitos, tanto à frente do Santos quanto à frente da Seleção Brasileira. E saber que agora ele nos deixou é algo, no mínimo, difícil de acreditar. Mas é a vida.

Pelé nasceu na cidade de Três Corações, no interior mineiro, no dia 23 de outubro de 1940. Depois de uma infância difícil, Pelé deu seus primeiros passos no futebol no Bauru Atlético Clube entre 1953 a 1955, vindo a se profissionalizar no Santos Futebol Clube em 1956. Assumiu a camisa 10 do time no ano seguinte, em decorrência da venda de Emmanuele del Vecchio ao clube italiano Verona. E o resto é história.

Calcula-se que ao longo de 22 anos de carreira profissional (de 1956 a 1977), Pelé teria marcado 1283 gols ao todo, ao longo de suas passagens pelo Santos, pela Seleção Brasileira e pelo New York Cosmos.

Pelo Santos e pela Seleção Brasileira, Pelé conquistou muitos títulos. E os mais lembrados deles são os títulos em Copas do Mundo. Com a camisa da seleção brasileira ele jogou as Copas de 1958, 1962, 1966 e 1970. Das quatro Copas, Pelé ganhou três. Ou seja, um aproveitamento de 75%.

Com essas conquistas, Pelé é o indivíduo que mais Copas do Mundo ganhou como jogador. Apenas Mário Jorge Lobo Zagallo, que foi companheiro de equipe de Pelé em 1958 e 1962 e técnico em 1970, ganhou mais Copas do Mundo que ele em toda a história (ganhou como jogador em 1958 e 1962, como técnico em 1970 e como auxiliar-técnico em 1994). Recordes esses que, diga-se de passagem, não se excluem entre si. Pelo contrário, se completam entre si.

Um feito extraordinário e que, diga-se de passagem, nunca mais foi repetido na história do futebol e que talvez nunca mais venha a ser repetido. Voltemos no tempo a 1950. Naquele ano o Brasil sediou sua primeira Copa do Mundo, na qual foi vencido em casa pelo Uruguai no jogo que entrou para a história como o Maracanazo.

20 anos se passam, e o mesmo Brasil que foi vencido pelo Uruguai em casa se sagrava tricampeão na primeira Copa do México, tendo vencido o mesmo Uruguai nas semifinais e a Itália na contenda pelo tricampeonato na final. E com a conquista no México, o mesmo Brasil que 20 anos antes foi vencido em sua própria casa tornou-se o maior campeão da história das Copas do Mundo. E lá estava Pelé a frente junto com muitos outros craques de sua geração e Carlos Alberto Torres erguendo a Taça Jules Rimet em definitivo. Enquanto que o Uruguai nunca mais foi campeão depois de 1950, no máximo sendo semifinalista três vezes (1954, 1970 e 2010). Ah, as ironias da história, o mundo e suas voltas...

E quando olhamos para o currículo de alguém como Pelé (assim como de muitos outros jogadores brasileiros tanto anteriores quanto posteriores a ele), algo bem interessante salta aos olhos: ele nunca jogou em nenhum grande time europeu. Em sua época, era muito comum de os jogadores brasileiros jogarem toda a carreira em clubes brasileiros, e quando iam jogar em algum clube estrangeiro (como foi o caso do próprio Pelé e outros posteriores a ele como Zico e Sócrates) muitas vezes ia jogar em fim de carreira, por volta dos 30 anos de idade.

Isso em um tempo em que o sonho de todo jovem aspirante a jogador de futebol no Brasil era jogar em um time como o Santos, o Corinthians, o Vasco, o Flamengo ou o Cruzeiro, e daí para a Seleção Brasileira. E não em algum grande clube europeu. Ah o futebol e sua idade clássica...

Fora o fato de que ele se tornou o rei do futebol sendo um negro. Ele, que certamente tem antepassados que foram escravizados em algum momento da história tanto de um lado quanto de outro do Oceano Atlântico. Cujos antepassados tanto da linhagem paterna quanto da materna teriam sido em algum momento entre os séculos XVI a XIX capturados em decorrência de conflitos tribais pelo exército de algum chefe africano e depois vendidos a comerciantes europeus em algum porto africano. E desse porto transportado ao Brasil em navios chamados tumbeiros. Uma verdadeira história de redenção para seu povo que por séculos foi escravizado. E por meio do esporte mais popular do mundo, o futebol.

Alguns comentaristas e historiadores até dividem a história do futebol entre o antes e o depois de Pelé, tamanha a importância que ele teve na história do esporte mais popular do mundo. Em outras palavras, ele foi um divisor de águas na história do futebol.

Outros craques surgiram depois de Pelé em várias partes do globo. Zico, Sócrates, Cruyff, Beckenbauer, Baresi, Van Basten, Gullit, Roberto Baggio, Romário, Bebeto, Maradona, Roger Milla, Zidane e tantos outros. A lista é imensa. Mas há um ditado que diz o seguinte: quem é rei não perde a majestade. E Pelé de forma alguma é a exceção que confirma a regra.

E a verdade é a seguinte: ontem o homem chamado Edson Arantes do Nascimento deixou este mundo, aos 82 anos de idade. Mas a lenda de nome Pelé e todo o seu legado na história do futebol, essa é eterna. A lenda cujo nome a história registrou e para sempre se lembrará dele. Ontem, hoje e para sempre.

Pelé, presente!

Foto – Pelé sendo recebido no além por jogadores como Paolo Rossi, Maradona, Alfredo di Stéfano, Sócrates, Cruyff, Eusébio, Lev Jašin e outros.

Por fim, eu gostaria de terminar essa singela homenagem com um desabafo. Antes mesmo de o rei nos deixar, vi em redes sociais pessoas o denegrindo da forma mais baixa e vil possível por conta da questão da filha dele que morreu em 2005, o ofendendo e até o chamando de m* e lixo.

E quem pensa que o caso envolvendo Pelé é um caso isolado, enganados vocês estão.

Antes mesmo de Pelé nos deixar, nos deixou o ator e artista marcial norte-americano Jason David Frank, aos 49 anos de idade, no dia 19 de novembro de 2022. Ele se tornou famoso por interpretar o personagem Tommy Oliver na franquia Power Rangers nos anos 1990 e 2000. Talvez, sem ele, a franquia Power Rangers não teria tido a projeção que hoje tem.

À época da morte dele, soube por meio de comentários no Facebook que alguns indivíduos em redes sociais tripudiaram em cima da morte dele, sob a alegação de que Power Rangers é uma cópia dos sentais japoneses, que por causa de Power Rangers não tem mais seriados tokusatsu na TV brasileira (sendo que estes já estavam meio mal das pernas quando Power Rangers chegou ao Brasil em 1994 e já não eram mais a mesma febre do fim dos anos 1980 e começo dos anos 1990) e outras afins (mal sabendo eles que uma das coisas que mais corriqueiras no mundo da teledramaturgia são adaptações de obras audiovisuais de outros países – não foram poucas as adaptações de novelas mexicanas e argentinas feitas pela teledramaturgia brasileira. Entre elas adaptações de novelas originalmente escritas pelo dramaturgo argentino Abel Santa Cruz, finado em 1995).

Aquele era o momento de celebrar o legado dele, que foi um dos principais ícones do tokusatsu a nível global, como ator e artista marcial e respeitar a dor dos familiares e amigos dele e não ficar fazendo esse tipo de comentário maldoso e nojento. Da mesma forma que agora é o momento de celebrar o legado de Pelé como rei do futebol e respeitar a dor dos familiares e amigos dele. Não de fazer esse tipo de comentário.

Foto – Jason David Frank (1973 – 2022), o eterno Tommy Oliver de Power Rangers.

Pois bem, a morte do rei do futebol coincidiu, talvez não por acaso, com o nono aniversário do acidente de esqui nos Alpes franceses que deixou o kaiser da Fórmula 1, Michael Schumacher, em estado vegetativo. A família do heptacampeão vem mantendo um sigilo tal que pouco ou nada de concreto sabemos sobre a atual situação dele.

Foto – Schumacher e Pelé, o kaiser da Fórmula 1 e o rei do futebol.

Fico imaginando como é que será, por exemplo, quando anunciarem a morte de Schumacher. Não será nenhuma surpresa vê-los chamando o heptacampeão de Dick Vigarista, competidor sujo (quem que não é sujo na Fórmula 1, para começo de conversa?) e ofensas similares. E nisso se lembrando de lances como a dividida com Damon Hill no Grande Prêmio da Austrália que deu ao alemão o título do campeonato de 1994 e o acidente com Jacques Villeneuve em 1997 no Grande Prêmio da Europa (ocorrido em Jerez de la Frontera, na Espanha). E não da importância dele na Fórmula 1 e suas conquistas, e de todo o trabalho de longo prazo que ele teve que fazer para conquistá-los ao lado do engenheiro e projetista Ross Brawn tanto na Benetton quanto na Ferrari.

Ou mesmo quando o Nelson Piquet estiver hospitalizado e em estado grave. No caso do campeão da Fórmula 1 dos anos de 1981, 1983 e 1987, notório por, entre outras coisas, seu conhecimento em mecânica e habilidade em acertar carros, o ofendendo e o rotulando de invejoso do Ayrton Senna, lembrando que ele não foi ao velório do Ayrton Senna em 1994 e o denegrindo por conta do recente episódio no qual Piquet chamou o piloto Lewis Hamilton de “neguinho”. E omitindo sua importância e suas conquistas na Fórmula 1. Não será nenhuma surpresa se vermos esses idiotas repetindo a dose no momento em que os referidos ex-pilotos nos deixarem e dizendo que eles “já foram tarde”.

Foto – Zico, Nelson Piquet e Pelé. Coletiva de imprensa no tempo em que o rei do futebol foi ministro do Esporte (entre 1995 a 1998).

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Empáfia e bajulação de mais, futebol de menos - considerações sobre o tricampeonato argentino

 

Foto – O triunfo de Messi e companhia limitada.

A Argentina, depois de um hiato de 36 anos e passados já dois anos da morte de Maradona, o principal ídolo futebolístico da nação platina, enfim conquistou seu terceiro título em Copas do Mundo.

A Argentina caiu no grupo C, junto com Polônia, México e Arábia Saudita. A albiceleste começou a Copa do Qatar com o pé esquerdo, perdendo para a Arábia Saudita por 2 a 1 no primeiro jogo. Mas depois desse revés as vitórias vieram, com os triunfos sobre o México por 2 a 0 na segunda terceira e sobre a Polônia também por 2 a 0 na terceira rodada. E assim fechou a primeira fase como líder do grupo C, com 6 pontos marcados, 5 gols marcados e 2 gols tomados. Saldo de gols: +3.

Passada a fase classificatória, a Argentina pegou a Austrália nas oitavas-de-final e venceu o selecionado oceânico por 2 a 1. Nas quartas-de-final, enfrentou a Holanda e empatou no tempo normal por 2 a 2, tendo vencido os comandados de Louis Van Gaal nos pênaltis por 4 a 3. Na semifinal, vitória por 3 a 0 sobre a Croácia, a mesma Croácia que na fase anterior despachou o Brasil.

E enfim chegamos à grande final contra a França, campeã em 2018 e que na copa anterior venceu a Argentina nas oitavas-de-final por 4 a 3. As duas equipes empataram por 3 a 3 no tempo normal, com a albiceleste vencendo os franceses por 4 a 2 nos pênaltis.

Deixemos nossos parabéns e nossas congratulações aos comandados do técnico Lionel Scaloni por essa brilhante conquista, depois de quatro copas seguidas vencidas por seleções europeias e nove copas sem conquistas da nação platina. Com certeza Maradona está muito orgulhoso no além.

Entretanto, nem tudo foram flores. Algo que me chamou muito a atenção nos dias que se seguiram à conquista da Argentina na Copa do Mundo do Qatar foi a maneira como o PCO (Partido da Causa Operária) a tratou e a abordou em vários artigos publicados nos dias subsequentes no site DCO (Diário da Causa Operária).

A conquista argentina na Copa do Mundo deixou bem claro que toda a conversa de luta contra o imperialismo no futebol da parte do PCO tem seríssimas limitações, no mínimo. Citemos alguns desses artigos.

O primeiro artigo publicado após a vitória argentina na Copa do Mundo foi “Argentina vence nos pênaltis e conquista o tricampeonato mundial”, postado em 17 de dezembro de 2022, logo após a vitória da albiceleste no Mundial. Trata do título argentino com a maior indiferença.

Mas o pior ainda estava por vir no artigo “Argentina vence com um futebol feio e burocrático”, publicado em 19 de dezembro de 2022. Um festival de sandices e asneiras sobre as equipes que disputaram a final da Copa do Qatar, tudo para exaltar o Neymar e a seleção brasileira que não vence times europeus na fase eliminatórias de Copas do Mundo desde 2002.

Depois dessa, para mim toda a conversa sobre combate ao imperialismo da parte do PCO perdeu toda a moral. Foi para o ralo. E o motivo é muito simples: a empáfia, a indiferença e a hipocrisia que eles demonstraram em relação ao terceiro título da albiceleste em Copas do Mundo.

Eles falam tanto em luta contra o imperialismo.  Até aí tudo bem. E a Argentina, um país sul-americano que tem todo um histórico de reivindicação sobre as ilhas Malvinas, as quais desde o século XIX estão sob a posse da Inglaterra, um país notadamente imperialista que já teve colônias por todo o globo e um império no qual o sol não se punha. E na final da Copa do Mundo vence outro país notadamente imperialista, a França.

A França que a despeito das perdas de colônias na África e na Ásia na segunda metade do século XX até hoje mantem uma colônia na América do Sul, a Guiana Francesa, e domina por meio do franco CFA (moeda essa que é emitido em Paris) os países africanos que outrora foram suas colônias. A mesma França que sob Sarkozy em 2011 invadiu a Líbia junto dos Estados Unidos e da Inglaterra (no que levou o país norte-africano, outrora a joia da África, à ruína, ao caos e à anarquia) e em 2013 invadiu o Mali sob Hollande.

Foto – Invasão francesa ao Mali: tropas francesas operando na nação africana.

No Mali a França permaneceu por nove anos (de 2013 a 2022) ocupando a nação africana com suas tropas, e ao contrário do que vimos no presente ano em relação à Rússia após a invasão à Ucrânia, não foi impedida de participar das Eurocopas de 2016 e 2020/2021 ou das Copas do Mundo de 2014 e 2018, nem teve seu Grande Prêmio excluído do calendário da Fórmula 1. Muito menos houve exclusão de times franceses das competições europeias de clubes por conta dessas expedições militares à Líbia e ao Mali, ou pilotos franceses despedidos de suas equipes na Fórmula 1 ou de outras competições automobilísticas (como foi o caso de Nikita Mazepin, que teve seu contrato com a equipe Haas reincidido em março de 2022). Até do festival de Cannes a nação de Gogol e Borodin foi excluída.

E assim a França, ao contrário do que aconteceu com a Rússia (que agora tenciona abandonar a UEFA e filiar-se à CAF – Confederação Asiática de futebol), nunca recebeu sanções por parte da FIA, da FIFA, da UEFA ou qualquer outro órgão do mundo esportivo por ter invadido os referidos países. Dois pesos, duas medidas.

E os caras vão lá e ficam sofismando nos artigos deles publicados no DCO (Diário da Causa Operária) e tratando a conquista dos “Hermanos” com a maior indiferença e empáfia do mundo. Depois dessa, não tem como levar a sério o discurso de combate e luta contra o imperialismo deles.

Na contramão das abobrinhas do PCO, algumas personalidades congratularam os argentinos por essa conquista. E uma delas é o ex-piloto Emerson Fittipaldi, campeão pela Fórmula 1 em 1972 e 1974 e pela Fórmula Indy em 1989 e vencedor das 500 milhas de Indianápolis em 1989 e 1993, que deixou uma mensagem muito bonita em sua página sobre a conquista argentina, na qual ele conta que ele tinha como ídolo Juan Manuel Fangio (campeão da Fórmula 1 em 1951, 1954, 1955, 1956 e 1957) e Carlos Reutemann (vice-campeão em 1981, tornou-se governador da Província de Santa Fé após abandonar as pistas) como amigo.

E o gozado é que o mesmo PCO, em outros artigos, parabeniza o Marrocos por ter chegado às semifinais da mesma Copa do Mundo, a primeira vez em que uma seleção africana chegou às semifinais da competição máxima do futebol mundial. Chegaram ao ponto até de dizer que o Marrocos foi um representante dos povos oprimidos, mas não de dizer o mesmo da Argentina sob alegações de que a nação platina é uma nação europeizada e evocando episódios pregressos de antipatia dos “Hermanos” para com o Brasil. Ah o que eles não fazem para bajular o Neymar...

E então pergunto com os meus botões: se o Marrocos tivesse vencido o Brasil que nem a Nigéria fez nos jogos olímpicos de 1996, o Camarões fez nos jogos olímpicos de 2000 e o México nos jogos olímpicos de 2012, será que o PCO estaria comemorando a campanha marroquina no mundial do Qatar? Eu tenho sérias dúvidas. Dois pesos, duas medidas, parte II.

No fundo, isso só pode ser de dor de cotovelo pelo macho deles, o Neymar. Eles queriam que ele, e não Messi e seus compatriotas, que ganhasse a Copa do Qatar. E é por causa de pessoas como os membros do PCO, que vivem o bajulando, classificando como ataque toda e qualquer crítica a ele direcionada (por mais construtiva que seja) e dando moral a ele para tudo o que ele faz que o Neymar é quem ele é: o Peter Pan do futebol hodierno.

Em 2010, o técnico René Simões, à época a frente do Fluminense, fez a seguinte profecia a respeito de Neymar: de que um monstro estava sendo criado caso alguém não o colocasse na linha, o educasse. E hoje vemos o resultado dessa brincadeira toda. Um monstro em campo que não respeita árbitros, juízes, bandeirinhas, zagueiros, e que por estes é desprezado.

Como disse em artigo anterior, é por causa de gente como os membros do PCO que às vezes torço para que em uma futura Copa do Mundo o Brasil venha a ser eliminado não por um time europeu de primeiro ou segundo escalão, mas por um time africano ou asiático. Ou mesmo um europeu de terceiro escalão. E aí quero ver o que eles irão ladrar quando isso ocorrer, com eles sendo expostos mais uma vez ao ridículo.

Lembrando que no Mundial de Clubes da FIFA não foram poucas as vezes em que o representante da Conmebol foi eliminado não pelo representante da UEFA na final, e sim pelo representante de outras confederações na semifinal. Por times africanos, árabes e mexicanos, para ser mais exato.

Em 2010, o Internacional perdeu para o time congolês Mazembe por 2 a 0. Em 2013, tivemos a derrota do Atlético Mineiro para o Raja Casablanca, do Marrocos, por 3 a 1 e com Ronaldinho Gaúcho em campo. Em 2018, o argentino River Plate, depois de empate no tempo normal em 2 a 2, foi despachado pelo Al Ain, dos Emirados Árabes Unidos, por 5 a 4 nas cobranças de pênaltis. E em 2020/2021, o Palmeiras primeiro perdeu para o mexicano Tigres por 1 a 0 na semifinal e depois para o egípcio Al Ahly após empatar no tempo normal por 0 a 0 e perder nos pênaltis por 3 a 2.

Foto – Raja Day, 2013.

Um dos principais alvos das críticas do PCO é o ex-jogador Walter Casagrande, notório por ter jogado no Corinthians no tempo da Democracia Corinthiana e que jogou na Copa de 1986. No futebol europeu, teve passagens pelo Torino e pelo Ascoli. Não concordo com muita coisa da qual ele fala. Mas há algumas coisas que vi dele recentemente e não tem como não discordar dele.

Em especial no que tange à geração do penta. Geração essa que, entre outras coisas, assistiu a Copa ao lado de dirigentes da FIFA (isso ao mesmo tempo em que ex-jogadores argentinos como Batistuta, Verón e Cambiasso lá estavam no estádio torcendo por seu time na arquibancada ao lado dos torcedores argentinos) e que não teve a humildade de comparecer à homenagem feita pela Conmebol em Doha a Pelé, que agora passa por um momento bem delicado, pela Conmebol. Entretanto, dois argentinos compareceram à homenagem: o ex-lateral Javier Zanetti (ex-jogador de times como o Banfield e a Internazionale de Milão) e o ex-goleiro e técnico Nery Pumpido (jogou em times como o Velez Sarsfield, o River Plate e o Betis).

Também não há como discordar de Casagrande quando ele fala a respeito do distanciamento entre os torcedores e os jogadores brasileiros e no que tange a Neymar, entre outras coisas. Casagrande desde 2017 vem criticando o “adulto Ney”, e talvez seja por isso que o PCO tem birra dele. Por não dizer amém a todas as atitudes dele.

Foto – Zanetti na homenagem ao rei do futebol.

Outra coisa que acho bem curiosa a respeito do PCO é a duplicidade deles a respeito de figuras que atuam como “managers” de times de futebol. Eles criticam com razão figuras como o influenciador digital Felipe Neto (vulgo garoto colorido) por suas aventuras de investimento no Botafogo carioca. Até aí tudo bem.

Foto – Batistuta, Zanetti e outros ex-jogadores argentinos torcendo pela Argentina na Copa do Qatar.

O problema é que eles se omitem e fazem silêncio de cemitério a respeito da atuação de outra dessas figuras, o ex-jogador Ronaldo Nazário, que atua de forma similar (sobre o qual falamos em artigo anterior). Talvez, não por acaso, trata-se do mesmo Ronaldo que levou alguns dos jogadores da seleção brasileira ao restaurante desfrutar do famigerado “bife de ouro”. Ele, que vem atuando em times como o Cruzeiro e o Valladolid de forma similar a que o iraniano radicado na Inglaterra Kia Joorabachian fez no Corinthians no tempo da parceria com a MSI (2005 – 2007). É um testa-de-ferro a serviço de grandes investidores.

Foto – Ronaldo Fenômeno no episódio do “bife de ouro”.

Mas enfim. É por causa de pessoas como os membros do PCO, que do alto da empáfia e da arrogância deles acham que só o brasileiro que sabe jogar futebol, que toda crítica que se faz à seleção brasileira ou ao Neymar é um ataque da assim chamada “imprensa burguesa” e que não vê que nos últimos anos o Brasil não acompanhou a evolução que o futebol em outras partes do globo veio tendo que um dia o Brasil vai começar a amargar os mesmos fiascos que a Itália e a Alemanha amargaram nas quatro últimas Copas do Mundo. Com direito a eliminações não mais para times europeus ou para a Argentina, e sim para times como Senegal, Gana, Camarões, Nigéria, Egito e Marrocos.

Vários craques já vestiram a camisa da seleção brasileira ao longo da história. Friedenreich, Leônidas da Silva, Garrincha, Jairzinho, Pelé, Zagallo, Carlos Alberto Torres, Rivelino, Gérson, Tostão, Sócrates, Zico, Careca, Toninho Cerezo, Romário, Bebeto, Rivaldo, Ronaldo Fenômeno, entre tantos outros. E ver que atualmente alguém do naipe do Neymar, o Peter Pan do futebol hodierno, é o principal craque do escrete brasileiro não é um sinal de que o Brasil tem a melhor seleção do mundo como pensa o PCO. E sim um sinal de decadência e queda de nível técnico em relação a tempos anteriores.

Parafraseando Ariano Suassuna em sua crítica à banda Calypso, se o time do Tite no Mundial do Qatar (que foi eliminado por um time europeu de segundo escalão) é incrível como pensa o PCO, que adjetivo será que terei de usar para se referir às seleções brasileiras de 1958, 1962, 1970 ou 1982?

Fontes:

A defesa insana da Argentina e o antirracismo por conveniência. Disponível em: A defesa insana da Argentina e o antirracismo por conveniência • Diário Causa Operária (causaoperaria.org.br)

Argentina vence nos pênaltis e conquista o tricampeonato mundial. Disponível em: Argentina vence nos pênaltis e conquista o tricampeonato mundial • Diário Causa Operária (causaoperaria.org.br)

Conmebol homenageia Pelé – Mas só ídolos argentinos comparecem. Disponível em: Conmebol homenageia Pelé — mas só ídolos argentinos comparecem | Placar - O futebol sem barreiras para você (abril.com.br)

Como o imperialismo usa a Argentina para atacar o Brasil. Disponível em: Como o imperialismo usa a Argentina para sabotar o Brasil • Diário Causa Operária (causaoperaria.org.br)

Messi: a boneca de ouro dos golpistas. Disponível em: Messi: a boneca de ouro dos golpistas • Diário Causa Operária (causaoperaria.org.br)

Seleção do Marrocos é recebida com festa no país. Disponível em: Seleção do Marrocos é recebida com festa no país • Diário Causa Operária (causaoperaria.org.br)

quinta-feira, 15 de dezembro de 2022

O índex linguístico do TSE - Aonde esta brincadeira irá acabar?

 

Foto – A lista das 40 palavras proibidas pelo TSE.

Lembram que há uns 10, 15 anos um pessoal esperto universitário veio com certa brincadeira de fazer uma série de malabarismos linguísticos na língua portuguesa, debaixo de pretextos como o de limpar o idioma de heranças da escravidão e combater o racismo? Pois bem, isso está começando a dar seus frutos, infelizmente.

Recentemente, o TSE (Tribunal Supremo Eleitoral) disponibilizou a cartilha “Expressões racistas: por que evitá-las” na biblioteca digital da Corte. A cartilha em questão lista 40 termos por eles considerados ofensivos às pessoas negras, no qual explica os motivos pelos quais devem ser “banidos” do vocabulário dos brasileiros.

E entre estas expressões estão inclusas “samba do crioulo doido”, “mercado negro”, “volta pro mar”, “feito nas coxas”, “meia tigela”, “a coisa tá preta”, “humor negro”, “inhaca”, “inveja branca” e “ovelha negra”. Em alguns dos casos, o TSE aponta os termos “corretos” a serem utilizados.

Foto – Benedito Gonçalves (esquerda) e Sabrina de Paula Braga (direita) em evento do TSE no qual o índex das palavras proibidas foi lançada.

Para começo de conversa, TSE, um tribunal eleitoral, se metendo em uma questão dessas é, no mínimo, muito estranho. Não teria o TSE coisa melhor para fazer do que ficar metendo pitaco nesse tipo de questão? E o curioso é que essa cartilha foi lançada durante o governo Bolsonaro (ainda que no apagar das luzes do mesmo).

Se mesmo em um governo dito de direita como o de Bolsonaro esse tipo de pauta de cultura woke teve seus avanços no Brasil, fico imaginando como será agora, no terceiro governo Lula. Além de uma mostra do quão venal são as cortes do nosso país e seus representantes (influenciados pelas histerias identitárias vindas dos EUA e da Europa Ocidental). E independente de quem esteja ocupando a Cadeira Presidencial no Palácio do Planalto.

Daí para a formalização do pronome neutro é um passo, praticamente.

Em minha humilde opinião, toda essa história de linguagem neutra nada mais é que o escalonamento natural e inexorável do fato de que lá atrás um pessoal esperto da esquerda identitária brasileira, copiando o que já é feito nos EUA e na Europa ocidental, veio com umas histórias de que é errado utilizar palavras como denegrir e criado mudo, por supostamente remeterem aos anos de escravidão dos negros no Brasil. E que favela tem que ser chamada de comunidade, negro de afrodescendente, índio de povo originário, entre outros malabarismos linguísticos. Ou seja, tudo o que o TSE está ratificando agora.

E o que é pior: com esses malabarismos linguísticos sendo aceitos por eminentes figuras do meio acadêmico (como é o caso da historiadora Lilia Schwarcz) e até mesmo na grande imprensa.

E a isso se soma o caso recente no qual a jornalista Carolina Cimenti, do canal Globo News, recebeu uma reprimenda em rede nacional por ter utilizado a palavra denegrir (talvez, não por acaso, uma das palavras presentes no índex do TSE).

Uma das poucas vozes que à época manifestou-se contra esses malabarismos linguísticos foi o professor José Paulo Netto. Em palestra de 2012, o professor mineiro disse as seguintes palavras a respeito dessa iniciativa: “não contem comigo para o politicamente correto! Eu vou continuar usando índio, denegrir, que a minha luta não é vocabulário, não é nominal”.

Recentemente vi alguns episódios da novela Poliana Moça (que é a continuação de uma novela anterior, As aventuras de Poliana), veiculada pelo SBT, e fiquei horrorizado em ver que a favela que lá aparece é chamada comunidade. E chamando aquela favela de comunidade não muda o fato de que os habitantes do local são submetidos ao tacão da autoridade de bandidos como o Rato e a Cobra e que se trata de um lugar de infraestrutura bem precária. Sem água, sem esgoto, ruas sujas, casas amontoadas entre si que são um prato cheio para a proliferação de epidemias, entre outras mazelas que continuam intocadas mudando o nome de favela para comunidade.

Isso nada mais é que a ratificação de algo que vem sendo aceito e tido como normal como muitas pessoas sob o pretexto do combate ao racismo e ao preconceito. E que não vai parar por aí, ao contrário do que muitos ingenuamente pensam.

Enfim, o TSE agora lança uma lista na qual o uso de 40 palavras haverá de ser prescrita sob o pretexto do combate ao racismo. E muita gente vai bater palmas a esses togados e achar isso a coisa mais linda do mundo. Mal sabendo a caixa de Pandora que estão abrindo ao apoiar esse tipo de coisa.

E amanhã, o que mais esse mesmo TSE ou mesmo outros órgãos eles vão fazer? Quem não me garante, por exemplo, que a histeria de direitos animais (a mesma gente que milita contra o consumo de carne e até mesmo a criação de animais, entre outras coisas) não vá um dia ser passada ao idioma, com o uso de expressões como “boi de piranha”, “bode expiatório” e “cabeça de bagre”, por supostamente evocarem práticas de sacrifício animal ou, segundo os militantes dessa causa, serem supostamente ofensivas aos animais (e assim levando adiante sobre o país o Grande Reset e a Agenda 2030 da ONU)?

A propósito, sobre isso, já vejo que há um pessoal que vive falando que o termo certo para se referir àquele que cria um cão, um gato ou um coelho em casa é tutor, e não mais dono. Não tenha dúvidas de que isso é apenas um balão de ensaio. Um primeiro passo para lá mais adiante começarem a falar na proscrição do uso destas expressões consagradas no nosso idioma. E é nesse ponto em que a histeria do pronome neutro e a de direitos animais se conectam. Em outras palavras, o cruzamento da Luíza Mell com o índex do TSE.

A quem bate palmas para esse tipo de coisa, uma mensagem: isso, muito bonito. Mas muito bonito mesmo. Fiquem batendo palmas para esse tipo de coisa que logo será a vez de a cobra que vocês criam e alimentam picá-los.

Concluo a presente resenha com as palavras que José Paulo Netto disse em 2012. “Não contem comigo para o politicamente correto! Eu vou contar usando índio, denegrir, que a minha luta não é vocabulário, não é nominal”.

Fontes:

TSE lança lista de palavras a serem banidas do vocabulário brasileiro. Disponível em: TSE lança lista de palavras a serem banidas do vocabulário brasileiro - Amazonas1

TSE lista expressões racistas a serem banidas do vocabulário dos brasileiros. Disponível em: TSE lista expressões racistas a serem banidas do vocabulário dos brasileiros | O TEMPO

TSE quer banir palavras e expressões “racistas”. Disponível em: TSE quer banir palavras e expressões 'racistas' - Revista Oeste

Veja as palavras que o TSE quer banir do nosso vocabulário. Disponível em: Veja as palavras que o TSE quer banir do nosso vocabulário (jdv.com.br)

domingo, 11 de dezembro de 2022

Empáfia e salto alto demais, futebol de menos - considerações sobre a eliminação da seleção brasileira na Copa 2022

 


Foto – Imagem postada no dia 9 de dezembro de 2022 na página do sindicalista Hélio Rodrigues.

Como resultado da decisão por pênaltis, a seleção brasileira foi eliminada pela Croácia em jogo válido pelas quartas-de-final da Copa do Mundo de 2022, disputada no Catar.

Os comandados do técnico Tite empataram no tempo normal por 0 a 0, depois na prorrogação empataram em 1 a 1 e por fim perderam na decisão por pênaltis por 4 a 2. Com essa eliminação o Brasil volta para casa mais cedo, como em anos anteriores.

Um desempenho, diga-se de passagem, um tanto quanto previsível, visto o desempenho do Brasil em Copas anteriores. Eu mesmo achava que o Brasil ia chegar à terceira fase da competição máxima do futebol mundial, mas que dali em diante era uma incógnita. E fiz essa previsão com base no desempenho do Brasil em Copas anteriores. Mas não é sobre isso em específico que vim falar nesse artigo.

Para além da eliminação não só do Brasil, como também de outras seleções tradicionais como Portugal, Bélgica, Espanha, Dinamarca e Alemanha, algo que nessa Copa do Mundo me chamou muito a atenção é o salto alto e o clima de já ganhou e de oba oba que vi principalmente entre petistas (e já vou antecipando que não entrarei no mérito de polêmicas como o bife de ouro de alguns jogadores, os comentários do Casagrande e outros, nem análise do jogo).

Em redes sociais vi petistas compartilharem imagens do ex-presidente reeleito Luís Ignácio Lula da Silva, lembrando que em 2002 o Brasil venceu a Copa do Mundo daquele ano e que Lula foi eleito Presidente da República e achando que a história se repetiria 20 anos mais tarde. Claramente, nessa e em outras imagens vemos um clima de já ganhou da parte deles (que nem aconteceu na final da Copa de 1950, em que o Brasil perdeu para o Uruguai em casa por 2 a 1).

Foto – Imagem compartilhada no Facebook por petistas, que demonstra o clima de já ganhou da parte deles e o esquecimento da parte deles dos resultados de 1994, 2006, 2010 e 2014.

Quando vi me deparei com essa imagem em redes como o Facebook, eu imediatamente pensei com meus botões: eles vão quebrar a cara bonito. E não é que eles queimaram a língua no fim das contas?

Confesso que foi bonito vê-los queimando a língua, achando que só porque o Lula foi eleito Presidente da República pela terceira vez que a história de 2002 repetir-se-ia. Sendo que o se repetiu não foi 2002, e sim 2006. Naquele ano Lula foi reeleito Presidente da República depois de vencer o tucano Geraldo Alckmin, seu atual vice-presidente, mas o hexa não veio meses antes pelo fato de que na segunda Copa da Alemanha os comandados do então técnico do escrete canarinho Carlos Alberto Parreira foram eliminados nas quartas-de-final pela França de Zidane e Henry.

Eles também esqueceram que em 1994 o Brasil foi tetracampeão na Copa dos Estados Unidos e que o Lula perdeu a eleição para o FHC ainda no primeiro turno. E que em 2010 e 2014 a Dilma foi eleita e reeleita e em nenhuma das duas Copas do Mundo o hexa veio. Amnésia coletiva, ou memória seletiva da parte deles? Ou talvez algum fanatismo exacerbado em torno da figura do Ex-Presidente? Vai saber...

Foto – Outra dessas imagens compartilhadas por petistas no Facebook e outras redes sociais.

E por fim, como não poderia deixar de esquecer, a empáfia do PCO (Partido da Causa Operária). Para mim, o partido de filiação trotskista deveria ser rebatizado como PBN (Partido dos Bajuladores do Neymar), de tanto que eles bajulam o ex-santista que hoje joga pelo Paris Saint Germain.

É por causa de pessoas que tanto o bajulam, inflam o ego dele e passam pano para as atitudes dele em campo e fora dele tanto na grande imprensa quanto em meios alternativos que ele é o que é. O Peter Pan do futebol.

Podemos ver a empáfia do PCO em vários artigos no site Diário da Causa Operária (DCO) publicados tanto antes quanto depois da eliminação do Brasil na Copa. Citemos dois deles, um de antes e um de depois.

Um deles é o artigo “Quartas de final: Brasil enfrenta a Croácia rumo ao hexa”, publicado no dia do jogo (09/12/2022). No qual eles achavam que só porque o Brasil nunca perdeu antes para o selecionado eslavo que ia ganhar a partida. É PCO, como diz o ditado, sempre há uma primeira vez para tudo. Incluindo para a seleção brasileira perder para times como Camarões e Croácia em Copas do Mundo...

E também citam que a Croácia vinha fazendo uma das piores campanhas da presente Copa do Mundo. Eles são umas toupeiras ou o que? Caso eles não saibam, na Copa de 1982 a Itália também teve um começo bem apagado e só foi crescer depois que venceu o Brasil. Entre outros exemplos que podemos citar.

E mais essa pérola:

“A expectativa é alta e, ao que tudo indica, o Brasil continuará trazendo o melhor futebol do mundo para dentro de campo. Finalmente, já ficou claro que quem sabe, de fato, jogar futebol, é o brasileiro, uma vez que, até o momento, as outras seleções – em especial as europeias – não chegaram nem aos pés da Canarinha no que diz respeito a habilidade, garra e, é claro, ginga.

A classe operária já garantiu a eleição de Lula e a consequente derrota parcial do golpe de Estado no País. Agora, é hora de torcer pela Seleção e trazer o Hexa para casa, derrotando o imperialismo não só no campo da política, como também em campo. É onde o Brasil mostra sua cultura e se isola no topo do esporte como o maior de todos, liderando e inspirando os países oprimidos de todo o mundo em sua luta contra a ditadura imperialista que assola a humanidade”.

Os outros não sabem jogar futebol? É isso que eu li? As outras seleções podem ser inferiores em alguns quesitos em relação à seleção brasileira, mas quem não me garante que em outros quesitos elas sejam superiores? Incluindo nos quesitos que em jogos decisivos de Copa do Mundo fazem toda a diferença? Sobre o Lula, nem vou falar nada.

E agora falemos um pouco sobre outro artigo, publicado no mesmo site após a derrota da seleção brasileira, intitulado “Obrigado rapazes. Vocês são um orgulho para o Brasil”. Abaixo algumas das pérolas do referido artigo. Pérolas que falam por si mesmas de tão absurdas:

“Cabe ressaltar que a esmagadora maioria das casas de aposta, bem como os analistas esportivos de todo o mundo, apontavam o Brasil como o favorito da Copa, a Seleção que estava a anos luz das demais. Algo que deixa ainda mais evidente o roubo contra o País”.

Deixe-me refrescar a memória de vocês: o Brasil historicamente sempre ganhou Copa do Mundo desacreditado, nunca entrou como favorito. Assim foi em 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002 (eu mesmo lembro que nos idos de 2000, 2001 o pessoal do finado programa humorístico Casseta e Planeta ironizava direto a seleção brasileira e sempre se referiam ao escrete canarinho como seleção entre aspas – dado que a seleção brasileira, à época, chegou a perder em competições como Copa América até para times como Honduras).

“De qualquer forma, a Seleção brilhou. O jogo brasileiro é, de longe, o melhor do mundo e, apesar de uma derrota, seguirá sendo assim enquanto um adversário à altura não se apresentar. O gol de Neymar ao final do segundo tempo da prorrogação é prova disso e de que ele permanece sendo o melhor jogador do mundo, mostrando-se um elemento indispensável para o time. O completo oposto do que disse a imprensa burguesa”.

Nunca que o Neymar será melhor que o Messi ou o Cristiano Ronaldo. Nunca. Talvez nem mesmo melhor que o M’bappé.

“Apesar da tristeza, é preciso relembrar a campanha magnífica da Canarinha na Copa deste ano com uma Seleção que, sem sombra de dúvidas, entrará para a história como uma das melhores que o mundo já viu. Afinal, o Brasil tem muito do que se orgulhar pelo futebol, e não é a Copa que vai tirar isso do povo brasileiro”.

Sim, o Brasil tem muito que se orgulhar pelo futebol. Mas dizer que a seleção da Copa 2022 é uma das melhores que o mundo já viu... acho que vocês estão vendo coisas.

“O jogo contra Camarões, apesar de uma derrota, mostrou que o time reserva do Brasil é muito melhor que muitas seleções que estavam jogando na Copa. Àquela altura do campeonato, como o Brasil já estava classificado para as eliminatórias, Tite escolheu poupar os titulares da Seleção. Decisão que se mostrou acertada tendo em vista que Gabriel Jesus e Alex Telles tiveram de ser retirados do torneio em decorrência de lesões”.

Só se for as seleções mais fracas da Copa, né PCO? Grande coisa o time reserva do Brasil ser melhor que times como a Costa Rica, o Panamá e o Canadá. É o Brasil fazendo a obrigação dele. E ainda assim perdeu o jogo para um time que nem se classificou para as oitavas-de-final da Copa do Mundo.

“No final, Tite foi espetacular. Sua atuação na Copa deste ano deixou claro que tem sim a capacidade e a coragem de dirigir a Canarinho, provando que a Seleção é a melhor de todo o mundo. Obrigado, Tite!”.

É isso que eu li? A melhor de todo o mundo? Uma seleção que taticamente depende do Neymar é a melhor do mundo? Se for assim, então o nível do futebol a nível global baixou muito de uns anos para cá. E ainda por cima uma seleção que pela segunda vez seguida foi eliminada por um time europeu de segundo escalão na Copa do Mundo? Não sei não, mas às vezes acho que o Tite é um técnico de clube.

E mais uma coisa: o Brasil tem sua história nas Copas do Mundo e é o maior campeão da competição máxima do futebol. Mas será que isso é garantia de que no futuro o país continue sendo uma potência futebolística? Lembremo-nos do caso do Uruguai. O Uruguai ganhou as Copas de 1930 e 1950 (e antes disso os jogos olímpicos de 1924 e 1928), mas depois disso nunca mais venceu e o máximo que conseguiu foi ser semifinalista em 1954, 1970 e 2010. Amargou ausência nas Copas de 1978, 1982, 1994, 1998 e 2006 e eliminações na primeira fase em 1962, 1974, 2002 e 2022, e dessa forma não demonstra a mesma regularidade que o Brasil vem demonstrando em Copas do Mundo.

 “Jogadores da Canarinha: vocês foram, são e sempre serão um orgulho imenso para o Brasil. A sua garra, raça e coragem representaram o povo brasileiro em campo e colocaram o Brasil, mais uma vez, em local de destaque, a imprensa burguesa nunca vai conseguir apagar esse legado. Seu futuro é brilhante, e podem ter certeza que os trabalhadores de todo o País estarão ao seu lado”.

Sinceramente, é por causa de pessoas como os lunáticos do PCO que às vezes torço para que em uma futura Copa do Mundo (quem sabe na próxima) a Seleção Brasileira venha a ser eliminada por um time da África, da Ásia ou um europeu de terceiro escalão. Talvez só assim para eles baixarem a bola.

Não sei se eles viram. Mas na presente Copa do Mundo, o Brasil sofreu sua primeira derrota para um time africano, o Camarões (o mesmo Camarões que eliminou o Brasil nas quartas-de-final dos jogos olímpicos de 2000), na terceira partida da Primeira Fase. Uma derrota histórica, a primeira derrota do escrete canarinho em Copas do Mundo para um time de fora da Europa e da América do Sul.

E agora nas quartas-de-final foi eliminado pela Croácia, um time de segunda linha do futebol europeu. E essa não é a primeira vez que o Brasil é eliminado em Copas do Mundo por um time europeu de segundo escalão: há quatro anos foi eliminado também nas quartas-de-final pela Bélgica.

E a história por aí não para: para não ficarmos limitados à Copa do Mundo, no Mundial de Clubes da FIFA não foram poucas as oportunidades em que times brasileiros perderam não para times europeus, e sim para times mexicanos e africanos.

Em 2010, o Internacional perdeu nas semifinais para o time congolês Mazembe por 2 a 0, naquilo que entrou para a história como o Mazembe Day. Em 2013 o Atlético mineiro (com Ronaldinho Gaúcho em campo) perdeu para o marroquino Raja Casablanca por 3 a 1 nas semifinais. E em 2020/2021 o Palmeiras perdeu primeiro para o mexicano Tigres nas semifinais por 1 a 0 e na disputa de terceiro lugar perdeu para o egípcio Al Ahly, nos pênaltis, por 3 a 2. Anotem aí: não tenham dúvidas de que essas não serão as únicas e nem as últimas derrotas de times brasileiros para times não europeus no Mundial de Clubes. Outras virão, e talvez se tornem cada vez mais comuns com o tempo.

Foto – Mazembe Day, 2010. Primeira derrota de um time brasileiro para um time não-europeu no Mundial de Clubes.

E aí PCO, como que você explica essa? Cadê toda a superioridade do futebol brasileiro sobre o futebol praticado em outras partes do mundo? Sendo que a seleção brasileira não vence uma seleção europeia em jogos eliminatórios de Copa do Mundo desde a vitória sobre a Alemanha na final da Copa do Mundo de 2002 (ou seja, lá se vão 20 anos, e pelo menos mais quatro virão) e times brasileiros não vencem o Mundial de Clubes desde o título do Corinthians em 2012? As seleções europeias podem ter tido seus tropeços e deslizes nessa Copa do Mundo e em outras anteriores, mas isso não muda o fato de que o Brasil também não tenha tido os seus.

Já são seis copas seguidas que o Brasil não passa de europeu em Copa do Mundo, e agora já está perdendo para europeu de segundo escalão. E de brinde, derrota para um time africano na Primeira Fase da presente Copa do Mundo (e não me venham com essa de time reserva – isso não muda o fato de que foi uma derrota histórica para a seleção brasileira). Do que adianta toda essa superioridade, sendo que ela não se traduz em resultados? No fim das contas, é uma superioridade inútil.

Entenderam, ou precisa desenhar? 2006 – França 1 x 0 Brasil, 2010 – Brasil 1 x 2 Holanda, 2014 – Brasil 1 x 7 Alemanha, 2014 (disputa de terceiro lugar: bonus track) – Brasil 0 x 3 Holanda, 2018 – Bélgica 2 x 1 Brasil, 2022 (primeira fase; bonus track II) – Camarões 1 x 0 Brasil, 2022 – Croácia 1 x 1 Brasil (vitória do escrete eslavo do sul nos pênaltis).

Anotem o que estou dizendo: a Itália e a Alemanha de hoje são o Brasil de amanhã, se as coisas continuarem como estão agora e nada for feito para reverter essa tendência. É como se os italianos e os alemães estivessem dizendo a nós o seguinte: “eu sou você e você sou eu, amanhã”.

Se hoje o Brasil foi eliminado por um time europeu de segundo escalão na Copa do Mundo, quem não me garante que em uma futura Copa do Mundo veremos o Brasil ser eliminado por um escrete africano, asiático ou europeu de terceiro escalão (e confesso que quero ver muito que o PCO vai ladrar quando isso ocorrer)? E ainda sendo eliminado não em quartas-de-final, e sim em oitavas-de-final ou mesmo primeira fase (coisa que o Brasil não conhece desde a Copa de 1990)? Talvez só assim para esses petistas e o PCO baixarem a bola.

Fontes:

Quartas de final. Brasil enfrenta a Croácia rumo ao Hexa. Disponível em: Quartas de final: Brasil enfrenta a Croácia rumo ao Hexa • Diário Causa Operária (causaoperaria.org.br)

Obrigado rapazes. Vocês são um orgulho para o Brasil. Disponível em: Obrigado, rapazes. Vocês são um orgulho para o Brasil • Diário Causa Operária (causaoperaria.org.br)

sábado, 3 de dezembro de 2022

Militância de mais, futebol de menos - considerações sobre o vexame germânico na Copa 2022

 

Foto – Seleção alemã fazendo protesto por direitos humanos no Qatar, antes do jogo com o Japão.

A fase de grupos da Copa 2022 enfim chegou ao fim, e tivemos algumas surpresas.

No grupo D, a França quebrou a maldição dos campeões e passou para as oitavas-de-final junto com a Austrália ao terminá-lo na liderança com seis pontos. Dessa forma, a França é a primeira campeã da copa anterior que logrou passar da fase grupos na copa seguinte desde 2006.

Mas se a França logrou escapar da maldição dos campeões de Copas anteriores, o mesmo não pode se dizer da Alemanha, a campeã da Copa de 2014.

O selecionado teutônico jogou no grupo E, junto com Espanha, Japão e Costa Rica. É a segunda vez seguida que a Alemanha é eliminada ainda na primeira fase, tal qual aconteceu na Copa de 2018 (na qual foi eliminada junto com a Coreia do Sul em um grupo com Suécia e México).

Os comandados do técnico Hans Dieter-Flick, auxiliar-técnico de Joachim Löw entre 2006 e 2014 que teve passagens como técnico por clubes como o Red Bull Salzburg e o Bayern de Munique, primeiro perderam para o Japão por 2 a 1. Em seguida, empataram com a Espanha por 1 a 1 e venceram a Costa Rica por 4 a 2. Quatro pontos marcados, seis gols marcados, quatro tomados. Saldo de gols dois positivo.

Entretanto, o selecionado germânico foi eliminado da competição máxima do futebol mundial por conta do saldo de gols, e assim terminou em terceiro lugar no grupo E.

O que dizer sobre o vexame germânico na Copa de 2022? Duas coisas. Duas não, três coisas.

Por um lado, é triste ver uma seleção de tradição como a Alemanha, quatro vezes campeã e que junto com o Brasil e a Itália é a seleção que mais disputou finais na história das Copas do Mundo, ser eliminada dessa maneira. Um selecionado que já disputou oito finais, foi terceiro colocado quatro vezes (1934, 1970, 2006, 2010) e que em três outras ocasiões (1962, 1994, 1998) chegou até as quartas-de-final (e, diga-se de passagem, entendam uma coisa: uma coisa é seleções como Costa Rica, Panamá e Honduras amargarem esse tipo de resultado em Copas do Mundo. Outra bem diferente é o mesmo ocorrer com seleções como Brasil, Itália, Argentina, Alemanha e França).

E ainda por cima repetindo os fiascos da Itália nas duas últimas copas que disputou: em 2006, sob Marcelo Lippi, a Squadra Azzurra foi tetracampeã do mundo ao vencer a França na final. Mas em 2010 (na qual foi eliminada junto com a Nova Zelândia em um grupo com Paraguai e Eslováquia) e 2014 (na qual foi eliminada junto com a Inglaterra em um grupo com Costa Rica e Uruguai) não repetiu o mesmo desempenho e foi eliminada ainda na primeira fase. E para piorar ainda mais as coisas, em 2018 e 2022 o selecionado italiano nem participou da Copa do Mundo por ter sido eliminado ainda na fase classificatória (em 2018 pela Suécia e em 2022 pela Macedônia do Norte).

Talvez seja um reflexo do fato de que a seleção alemã já não é mais tão alemã assim. Em outras palavras, não tem a mesma essência germânica de antes, do tempo de jogadores como Beckenbauer, Rummenigge, Fritz Wagner e outros. Um time agora um número considerável de jogadores estrangeiros (entre eles árabes, turcos e africanos), alguns dos quais mal conseguem cantar o hino alemão. Talvez um indicativo de que as políticas de integração de integração de imigrantes de fora do país fracassaram.

Mas, por outro lado, bem feito para eles, que foram ao Qatar para lacrar (a começar pelo avião que fretou a seleção alemã com a mensagem “a diversidade vence”) e fazer certos ativismos.

Sentindo-se silenciados pela FIFA pelo fato de que o uso da braçadeira de capitão com os escritos “OneLove” foi impedido pela organização máxima do futebol mundial (alegando que iria penalizar os jogadores que se atravessem a isso com cartões amarelos e outras sanções esportivas), antes de o jogo contra o Japão começar eles cobriram as bocas com as mãos, como se estivessem com as bocas amordaçadas.

A questão que fica no ar é a seguinte: por que não fizeram todo esse boicote ao Qatar quando a nação árabe foi escolhida como sede da Copa do Mundo, ainda em 2010?

Foto – Avião que transportou a seleção alemã para o Qatar. “A diversidade vence”.

No fim das contas, isso que os alemães foram fazer no Qatar nada mais é que uma espécie de neocolonialismo. Sim, neocolonialismo, no qual eles, os ditos “iluminados”, vão ao terceiro mundo mostrarem o quão os árabes e outros povos são “atrasados”, “medievais” e “bárbaros” e que eles são o modelo a ser seguido pelo resto do mundo. É o “fardo do homem branco” do imperialismo do século XIX sob uma nova embalagem, a embalagem dos direitos humanos e da proteção às minorias (da forma mais demagógica e cínica possível, obviamente).

E os jogadores alemães, da parte deles, fazem o marketing barato deles declarando apoio a certas causas e assim sinalizando certas virtudes perante o público ao manifestar apoio às mesmas.

Como não poderia deixar, a eliminação precoce da Alemanha na Copa do Qatar foi objeto de ironia por parte de jornalistas e comentaristas locais. Em um programa de TV local, comentaristas fizeram o mesmo gesto que os jogadores alemães fizeram no jogo contra o Japão, só que acenando um adeus para eles.

E a questão que fica no ar é a seguinte: como impedir que o Brasil chegue ao mesmo fundo do poço em que a Itália e a Alemanha chegaram no futebol? Que lições o Brasil (que ontem sofreu sua primeira derrota para um time africano na história das Copas do Mundo – e não esquecendo que no Mundial de Clubes em três ocasiões times brasileiros perderam para times africanos) deve tirar para que não se chegue a esse ponto? Pois se o Brasil, que desde 1990 não sabe o que é ser eliminado antes das quartas-de-final em Copas do Mundo, não tomar cuidado, é capaz de repetir o mesmo fracasso dos italianos e dos alemães em futuras Copas do Mundo.

Algo também digno de nota é que após a eliminação da Alemanha na Copa do Mundo memes de brasileiros apareceram em diversos sites meio que celebrando a eliminação do selecionado teutônico na Copa do Mundo.

Foto – Meme publicado por internautas brasileiros ironizando a eliminação da Alemanha na Copa do Qatar.

Uma delas pelo Twitter postou a seguinte mensagem: “Esse é o karma por meter o 7x1 na gente, Alemanhaaaaaa. Deus é pai, não é padrasto não, com os filhos dele ninguém mexe. Pau no cu dos alemão”.

Por favor, pessoal, só lhes peço uma coisa: evitem de ficar zombando do fracasso germânico na Copa, ainda mais com mensagens desse teor. Isso é tripudiar, e não ironizar, a eliminação deles no Mundial. Continuem com essa empáfia que logo chegará a vez de o Brasil, em uma futura Copa, repetir os mesmos fiascos da Alemanha e da Itália nas quatro últimas Copas.

E mais uma coisa: recentemente vi na Internet alguns petistas compartilhando em redes sociais como o Facebook a seguinte imagem, na qual vemos o Presidente reeleito pela segunda vez Luís Ignácio Lula da Silva vestindo a camisa da seleção brasileira com a seguinte mensagem:

Pelo visto alguns deles acham que a Copa está ganha pelo fato de que o Lula foi eleito Presidente. Mas será que eles se esqueceram que em 1994 o Brasil foi tetracampeão na Copa dos EUA e o Lula perdeu a eleição daquele ano para o FHC? Que em 2006 o Lula foi reeleito e o hexa não veio pelo fato de o Brasil ter sido eliminado nas quartas-de-final da Segunda Copa da Alemanha para a França? E que em 2010 e 2014 a Dilma foi eleita e em ambas as Copas do Mundo o hexa também não veio? E de brinde, mais esse: que em 2016 a Dilma foi deposta por meio de um processo de impeachment e o Brasil foi campeão olímpico no futebol? Menos petistas, menos.

Fontes:

Copa do Mundo 2022: Alemanha faz protesto por direitos humanos e contra proibições do Qatar. Disponível em: Copa do Mundo 2022: Alemanha faz protesto por direitos humanos e contra proibições do Catar - ISTOÉ Independente (istoe.com.br)

Copa do Qatar: avião que levará seleção alemã exibirá frase “Diversidade vence”. Disponível em: Copa do Catar: avião que levará seleção alemã exibirá frase “Diversidade vence” (observatorioracialfutebol.com.br)

Jornalistas do Qatar detonam Alemanha após a eliminação. Disponível em: Jornalistas do Catar detonam Alemanha após eliminação (yahoo.com)

Seleção alemã é eliminada e vira meme entre brasileiros nas redes. Disponível em: Seleção alemã é eliminada e vira meme entre brasileiros nas redes (poder360.com.br)

TV do Qatar ironiza protestos da seleção alemã após eliminação na Primeira Fase. Disponível em: TV do Catar ironiza protestos da seleção alemã após eliminação na primeira fase da Copa do Mundo (terra.com.br)

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

BLM e Movimento LGBT firmemente estabelecidos nos EUA (texto traduzido do russo)

 

Foto - Do livro de colorir para turmas jovens: “O Black Lives Matter apoia os transexuais. Todo mundo tem o direito de escolher seu gênero e ser uma garota, ou um garoto, ou ambos, ou ninguém, ou alguém mais”.

Mesmo a maioria dos pais americanos ainda não suspeita O QUE ensinam às crianças deles nas escolas. “Materiais educativos” do movimento Black Lives Matter, elaborados especialmente para diferentes níveis de ensino, apareceram em escolas do Estado (e algumas privadas) em todo o território dos EUA. A essência das mensagens, que misturam os problemas de diversidade, globalismo, raças, “queer” e identidade-trans, se resume ao seguinte:

• A América é uma nação muito ruim.

• A polícia é racista e cruel.

• Todas as pessoas negras são moralmente superiores.

• A estrutura familiar tradicional é arcaica.

• As pessoas brancas por natureza são fanáticas e injustamente desfrutam de privilégios imerecidos.

Duas das três fundadoras do BLM são lésbicas assumidas. Aparentemente por isso que desde o início a agenda do Black Lives Matter apresentou uma estranha mistura de neomarxismo e ideologia LGBT radical, que agora com força duplicada é dirigida à mentes fracas dos estudantes escolares americanos, explicita e agressiva, mais do que nunca. Aqui o objetivo claro é dividir as pessoas, e não juntá-las.

É um ataque às crianças generosamente é financiado pela América corporativa. As somas de dinheiro simplesmente chocam. Há dois anos, por exemplo, a Liga Nacional de Futebol anunciou sobre a doação de 90 milhões de dólares ao BLM e grupos de “justiça social” ligados a ele. Subsequentemente a soma foi aumentada para 250 milhões de dólares. Então ao financiamento se juntaram Apple, Amazon, Walmart, Google, Bank of America e muitos outros. Por enquanto a soma total de dinheiro transferido ao BLM alcança um bilhão de dólares.

Atenção especial é direcionada às turmas do ensino primário e secundário. A ideia explícita e bem assustadora de forma a consciência infantil o mais cedo possível, infelizmente, não é novidade entre movimentos totalitários. Hitler ainda em 1933 notou: “Quando o oponente diz: ‘eu não passarei para o vosso lado’, eu tranquilamente respondo – Vosso filho já pertence a nós... Quem é você? Você partirá. Mas vossas crianças ficarão em um novo campo. Bem rapidamente elas não irão saber nada, além de nossa nova sociedade”.

Os professores também passam por treinamentos ideológicos em muito similares ao treinamento LGBT, os quais a HRC [1] e outras organizações LGBT conduziram para elas em anos anteriores (que também são promovidas por órgãos governamentais).

Referindo-se ao popular lema “Liberdade de ensino”, os professores vergonhosamente falam que crianças pequenas têm a “liberdade” de ler pornografia, ou livros infantis de propaganda de homossexualismo ou de bruxaria, ou qualquer outra matéria que o professor escolha.

Em um dos videoclipes de seção de treinamento os professores explicam que os pais não têm o direito de decidir o que ensinar às crianças deles, porque os professores sabem o que é melhor para todos e que é necessário proteger as crianças do fanatismo dos pais. O objetivo deles é manter os pais na ignorância. Na verdade, a maioria dos pais não tem ideia do que acontece nas escolas, mas às vezes eles reconhecem. Por isso, também há treinamentos sobre como lidar com a objeção da parte dos pais, principalmente dos pais “fanáticos conservadores religiosos”. Os professores ensinam como desinformar e confundi-los para que eles não façam objeções aos materiais.

Fonte: Postagem do grupo do VK “Volf Gomofob/Волк Гомофоб”, de 01/11/2022.

MEUS COMENTÁRIOS – Neoesquerda e Grande Reset

“Você não terá nada e será feliz com isso” – assim falou Klaus Schwab a respeito do Grande Reset que ele e outros senhores do poder mundial tais como Bill Gates, George Soros e outros levam adiante (e ainda por cima utilizando pandemias como a da Covid-19 como pretexto para impô-lo).

Recentemente, eu estive na Califórnia, um dos estados dos Estados Unidos que mais se destacam na questão da promoção do politicamente correto. E eu fiquei horrorizado em ver algumas coisas lá. Como, por exemplo, ver muitas bandeiras LGBT nas ruas, e uma delas com o símbolo do Black Lives Matter e a bandeira transgênera no meio dela. E de ver banheiros “all gender” em vários lugares. Lugares tais como praças públicas, lojas, hospitais e até em aeroporto.

Por um exemplo desses vemos que o Grande Reset que os donos do poder mundial levam adiante não se resume à questão do empobrecimento material da grande maioria da população mundial enquanto que eles concentrarão nas mãos deles quase toda a riqueza global. Isso é apenas a ponta do iceberg. É um ataque que é feito por meio das mais variadas frentes.

O texto acima traduzido mostra que o Grande Reset que donos do poder mundial operam também envolve uma espécie de reset, uma grande reformatação da consciência das pessoas. Em outras palavras, uma parte ideológica com o intuito de moldar a consciência das pessoas daqui em diante. Um novo homem que aceitará sem questionar os ditames vindos de locais como o Fórum de Davos, saído diretamente da música “Imagine” de John Lennon.

Nos dois últimos artigos aqui postados falamos muito a respeito da questão dos personagens em produções televisivas e cinematográficas recentes feitas por companhias como a Disney (que já tem todo um histórico de ativismo LGBT em produções recentes, entre elas A Casa Coruja e Star versus as Forças do Mal). Com esse exemplo vemos como as coisas estão todas elas interligadas, e que empobrecer a maior parte da população mundial é apenas a ponta do iceberg do Grande Reset.

E assim uma coisa vai levando à outra. Logo, será a coisa mais errada do mundo você, entre outras coisas, comer carne de verdade (hoje, nos supermercados, já podemos ver as famigeradas carnes vegetais, algo impensável há uns 20 ou 30 anos), professar alguma religião (ainda mais o cristianismo), ser heterossexual, professar alguma religião ou mesmo falar o idioma corretamente. Entre tantas outras coisas.

NOTA:

[1] Human Rights Campaign. Grupo de advocacia e a maior organização de lobby LGBT dos EUA, baseada em Washington.

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

O elefante na sala e a questão da Pequena Sereia negra da Disney (parte II)

 

Foto – Ariel negra, por Halle Bailey.

E com vocês a segunda parte de “O elefante na sala e a controvérsia da Pequena Sereia negra da Disney”, na qual abordaremos algumas questões não abordadas na primeira parte.

Como muitos, eu não vejo nessa Ariel nova com dreadlocks a Ariel original do filme de 1989. E mais do que isso: trata-se de um blackface, só que feito não por um ator branco que passa maquiagem carvão no rosto, e sim por uma atriz negra. E, infelizmente, a Halle Bailey faz esse papelão ao interpretar a Ariel e não se dá conta disso. Mas como já dito na primeira parte, o elefante na sala não é esse.

Em redes sociais como o Facebook e outras, vi alguns incautos que apoiam a decisão da Disney de escurecer a pele da Ariel apontar que, entre outras coisas, não nos queixamos de, entre outras coisas, que a Elizabeth Taylor interpretou a rainha egípcia Cleópatra no filme de mesmo nome sobre a última rainha do Antigo Egito.

Cleópatra foi produção norte-americana do ano de 1963 que ficou a cargo do estúdio 20th Century Fox, sob a direção de Joseph L. Mankiewicz e baseado na obra “Vida e Época de Cléopatra” (1957), do escritor italiano Carlo Mara Franzero e em histórias de historiadores antigos como Plutarco, Suetônio e Apiano.

No Brasil, o filme foi dublado em São Paulo, nos estúdios da finada AIC (Arte Industrial Cinematográfica), com a personagem-título sendo dublada pela finada Sandra Campos (voz de personagens como a Jedda Walker em Defensores da Terra, Glória em Chaves e Vicky em Super Vicky). Júlio César, por seu turno, foi interpretado por Rex Harrison e dublado pelo finado Aldo César (dublador de voz forte que emprestou sua voz a personagens como o Bender nas duas primeiras temporadas de Futurama, Júlio César em alguns filmes do Asterix, o Rei do Crime em alguns episódios do desenho do Homem Aranha anos 1990 e o Doutor Maki Gero/Androide 20 em Dragon Ball Z, além de ter interpretado o Seu Menezes na Praça é Nossa), e Marco Antônio interpretado por Richard Burton e dublado pelo recém-finado Dráuzio de Oliveira (voz de personagens como Jack Bennet em Os Seis Biônicos, Abel no especial “A lenda dos defensores de Athena” em Cavaleiros do Zodíaco, Boromir em Senhor dos Anéis, Dragão de cinco estrelas em Dragon Ball GT e o ferreiro Totousai em Inuyaša).

Foto – Elizabeth Taylor (1932 – 2011) com Cleópatra no filme de 1963. 

O que alguns não sabem é que em primeiro lugar a Cleópatra histórica, por sua linhagem de origem, pertencia à dinastia ptolomaica (305 – 30 a.C.), uma dinastia de origem grega que se formou no Egito em decorrência da fragmentação do Império de Alexandre o Grande após sua morte. Dessa forma, não tinha como ela ser negra levando em consideração a procedência da linhagem dela.

E segundo que não dá para comparar um filme de 60 anos atrás com um filme de hoje. Sendo que, só para começo de conversa, trata-se de um filme do qual muitos dos que eram jovens à época do lançamento já estão mortos (a exemplo de personalidades como o naturalista australiano Steve Irwin, o jogador de futebol argentino Diego Armando Maradona e o cantor norte-americano Michael Joseph Jackson). Além do fato de que não havia em filmes da época a vontade de lacrar e de fazer militância em favor de determinadas pautas que vemos hoje. Essa comparação é, no mínimo, absurda, descabida e que não leva em consideração o contexto tanto dos anos 1960 quanto o atual.

Também vi recentemente um vídeo no qual o Felipe Neto (vulgo garoto colorido) expõe sua opinião a respeito desse caso. E ele disse, entre outras coisas, que aqueles que são contra a escolha da Disney são um bando de racistas. Ou seja, ele colocou no mesmo balaio todo tipo de crítica à escolha da Disney. Colocou no mesmo balaio aqueles que criticam essa escolha por ver que a Disney está fazendo demagogia com os negros e enxergam todo o jogo espúrio por trás dessa escolha (como é o meu caso) e aqueles que criticam por puro racismo (sendo que, só para começo de conversa, houve negros que não gostaram dessa escolha). É como se ele estivesse dizendo a nós “aceitem a Ariel negra de bico calado, do contrário vocês são uma escória de racistas, intolerantes e nazistas”.

Diga-se de passagem, algo totalmente previsível e esperado da parte do garoto colorido. O apoio do garoto colorido às lacrações da Disney, diga-se de passagem, é algo que vem de outros carnavais: há cinco anos ele esteve do lado da Disney quando o pastor Silas Malafaia (figura da qual não nutrimos grande simpatia) condenou o conglomerado cinematográfico ao tomar conhecimento de que em um episódio do desenho Star versus as forças do mal (um desenho destinado ao público infanto-juvenil, e não a uma audiência mais madura como é o caso de South Park, Family Guy, American Dad e outros) foi veiculada uma cena de um beijo entre dois homens.

Além disso, cabe aqui ressaltar que o caso da Ariel negra não é um caso isolado. Olhando dentro de uma perspectiva mais ampla, ele se soma a muitos outros similares que temos visto em desenhos animados, quadrinhos e produções cinematográficas. Vide, por exemplo, Caça Fantasmas garotas no filme de 2016 e chefe viking negra no seriado do Netflix Vikings.

Mas talvez, o mais famoso deles é o do Superman bissexual (lançado pela DC Comics em novembro de 2021). Na verdade, não é bem o Superman que nós conhecemos há muito tempo, e sim o filho de Clark Kent com Louis Lane, Jonathan Kent, que segundo a história dessa HQ nova tem uma relação homoafetiva com um jornalista chamado Jay Nakamura. Mas, muito embora se trate do filho do Superman que nós conhecemos, ainda assim ele carrega o S característico do Homem de Aço.

Foto – Jonathan Samuel Kent, o Superman bissexual.

O que eu percebo não apenas com a Ariel negra com dreadlocks (que, se formos reparar bem, é um blackface feito por uma atriz negra – e infelizmente aqueles que batem palmas para isso não se dão conta disso), como também em outros casos como o Superman bissexual é que está sendo operado é uma espécie de Grande Reset de personagens de filmes, seriados, quadrinhos e desenhos animados.

É como se produtoras como a Disney, o Neftlix e a Amazon estivessem dizendo a nós: “esqueçam tudo o que produzimos antes. O que foi feito antes já não vale mais nada. O que vale agora são os novos que nós iremos produzir”.

É isso. Um massivo Grande Reset de personagens para adequá-los aos ditames da assim chamada “cultura woke”. E a partir daí os nossos filhos, netos e bisnetos, se quiserem ler uma HQ do Superman ou um filme da Branca de Neve, terão de ler a nova versão feita de acordo com os ditames.

Isso é em essência nada diferente, por exemplo, dos vandalismos e depredações a estátuas e monumentos que temos visto no Brasil e em outras partes do mundo nos últimos anos. Derrubam-se e vandalizam as estátuas de figuras históricas como os bandeirantes e os conquistadores espanhóis que viveram entre os séculos XVI a XVIII e no lugar erguem-se novos ídolos. Ídolos moldados segundo a ideologia dos novos tempos, tais como Márcia Tiburi, Jean Wyllys, Felipe Neto, Kéfera e outros dessa estirpe. A partir desse momento, esses serão os novos ícones aos quais as gerações terão que se espelhar, não mais nesses homens das cavernas de outrora que eram tudo de ruim: machistas, misóginos, fascistas, nazistas, stalinistas, baathistas, supremacistas brancos, racistas, partidários da Ku Klux Klan e o diabo a quatro.

Tenham em mente o seguinte: coisas como o Superman bissexual e a Ariel negra na verdade não foram feitas para nós, que conhecemos muito bem o personagem e sabemos quais as características físicas e personalidade dele, e sim para as próximas gerações.

E qual seria a intenção desse Grande Reset de personagens, alguns me perguntariam? É simples. É como se essas produtoras e editoras, bem ao estilo FHC, estivessem dizendo ao mundo “esquecem tudo o que escrevemos e o que publicamos antes”. Há todo um esquema de engenharia e controle social por trás disso tudo, e se trata de um projeto de longo prazo da parte dos donos do poder mundial. E esse Grande Reset de personagens é apenas uma das muitas correias de transmissão pelas quais essa engenharia massiva é operada.

Fontes:

Cleópatra. Disponível em: Cleópatra (Cleopatra) - Dublagem Original (dublanet.com.br)

Disney Lacrolândia. Disponível em: DISNEY lacro LÂNDIA - LIVE 39 - YouTube

Felipe Neto falou sobre a polêmica da Pequena Sereia|Cortes Felipe Neto. Disponível em: FELIPE NETO FALOU SOBRE A POLÊMICA DA PEQUENA SEREIA | Cortes Felipe Neto - YouTube

Por que Hollywood destrói filmes clássicos e grandes obras do cinema? Disponível em: Por que Hollywood destrói filmes clássicos e grandes obras do cinema? - YouTube